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As lutas do povo trabalhador

GIBRAN LACHOWSKI: Muita gente que reclama do Serviço Público pode, neste domingo, ter feito o concurso para prefeitura de Tangará

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As lutas do povo trabalhador

Gibran



Serviço Público
Por Gibran Lachowski

Muita gente que reclama do Serviço Público pode, neste domingo (24), ter feito o concurso para a prefeitura de Tangará da Serra (MT). Conforme a lista de inscrit@s, 16.092 pessoas disputam 211 vagas (média de 72,2 concorrentes por cada posto de trabalho). Salário mais alto, para clínic@ geral (R$ 13.461,38).
Vagas distribuídas entre ensino superior, médio, médio técnico, fundamental completo e incompleto, subdivididas em ampla concorrência e para pessoas com deficiência. Inúmeras funções: administrador/a, biblioteconomista, dentista, engenheir@ florestal, fonoaudiólog@, procurador/a, professor/a de educação infantil, leiturista, técnic@ em agropecuária, eletricista, maqueir@, pedreir@, recepcionista, borracheir@, trabalhador/a braçal…
São candidat@s de Tangará, redondezas, de outras cidades e estados, segundo comentaram funcionári@s e don@s de hotéis, mototaxistas, entre outr@s, com @s quais conversei. “Concurso público”, aliás, foi o assunto da semana no município. Tão ou mais comentado que a prisão de Temer e seus asseclas. Compreensível. Num Brasil tomado pelo pensamento de Estado de que é preciso vender as riquezas de seu povo, como o petróleo, e acabar com os seus direitos sociais, como a proteção trabalhista e a Previdência, nada mais justo do que se ocupar daquilo que garante sustento e qualidade de vida.
Quer reclamar do excesso de burocracia, das falcatruas em algumas repartições, de gente que se encosta atrás da estabilidade e coisas do tipo, que o faça. Mas não isole a questão e nem tente dizer que o problema está no que é público em si. E também não me venha com a lógica falaciosa de que o privado é melhor em si. Vamos ser mais efetivos, propondo e brigando para termos uma legislação pública que assegure melhores condições materiais de trabalho a quem serve ao público, mais dinamismo à administração pública e mecanismos mais concretos no combate à corrupção, o que avançou muito nos governos Lula e Dilma.
E, sem demagogia, vamos inverter o jogo, colocando o Serviço Público como importante modelo dentre os trabalhos existentes na sociedade, pois que serve ao coletivo e não visa o lucro, pagando, ainda, os melhores salários médios (o que não impede a crítica aos exagerados vencimentos, vide os do Judiciário e do Ministério Público). Esse é um primeiro passo para termos, numa próxima quadra da História, um Estado menos burguês, com uma mentalidade mais pública, solidária, inclusiva e transformadora.
Um Estado calcado na democracia participativa, na tecnologia social, na matriz ecológica e no esforço resoluto em acabar com os oligopólios da terra, das comunicações, da indústria, do comércio, dos serviços e enquadrar com justiça especuladores, detentores de grandes fortunas e heranças.
Esse é o caminho.

Gibran Lachowski, jornalista e professor universitário em Mato Grosso

Leia Também:  EDUARDO MAHON - O desembargador Mariano Travassos deve voltar à Presidência do Tribunal de Justiça. A medida que reconstituiu o estado anterior ao afastamento garante o mesmo status funcional e administrativo a Travassos.
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Alguma coisa está fora da ordem

RICARDO BERTOLINI: Inflação alta, salário mínimo desvalorizado e tributação injusta

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Bertolini

Inflação alta, salário mínimo desvalorizado e tributação injusta

Ricardo Bertolini

A política de valorização do Salário Mínimo, que vigorou de 2011 a 2019, tinha a missão de repassar uma parcela da riqueza nacional aos trabalhadores de baixa renda, e que consequentemente, recebem Salário Mínimo. Nesse período, o governo assumiu o compromisso de reajustar o Salário Mínimo de acordo com o índice inflacionário oficial, acrescido do percentual de variação positiva do Produto Interno Bruto – PIB, que é a soma de todas as riquezas produzidas pelo país;

Essa promessa de valorização do Salário Mínimo foi abandonada pelo governo, no entanto esperava-se a manutenção do compromisso de reajustar o Salário Mínimo de acordo com a variação do índice inflacionário oficial;

Dados divulgados pelo IBGE, nos dão conta que a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), no período de 2020, fechou com alta de 4,52%. Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), utilizado para reajustar o Salário Mínimo registrou alta de 5,45%;

No entanto, o governo reajustou o Salário Mínimo para R$ 1.100,00, aplicando índice de 5,26%. Em outras palavras, o reajuste do Salário Mínimo não cobre nem a inflação oficial;

Segundo dados levantados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – DIEESE, com um Salário Mínimo é possível comprar cerca de 1,58 cestas básicas, que custam, em média, R$ 696,70, composta por 13 itens alimentícios, base para cálculo do Salário Mínimo, necessário para sobrevivência de um trabalhador e de sua família. O valor é considerado o pior Salário Mínimo dos últimos 15 anos, justamente pelo menor poder de compra de alimentos, que variaram 14,09% contra os 5,26% de reajuste concedido para o mesmo período;

Leia Também:  EDUARDO MAHON - O desembargador Mariano Travassos deve voltar à Presidência do Tribunal de Justiça. A medida que reconstituiu o estado anterior ao afastamento garante o mesmo status funcional e administrativo a Travassos.

Segundo o DIEESE, o valor do Salário Mínimo deveria ser de R$ 5.304,90, para uma família de 4 pessoas, dois adultos e duas crianças. No entanto, nem o governo nem a iniciativa privada se dizem capazes de garantir ou mesmo suportar valores nesses patamares;

Não é demais enfatizar que, para as famílias de baixa renda, os efeitos da inflação são sentidos com mais intensidade. Vejamos os exemplos das altas do óleo de soja e o arroz, que para o mesmo período, tiveram aumentos de 103% e 76% respectivamente;

Não bastasse as perdas inflacionárias e a redução do Salário Mínimo, a tributação injusta também afeta os mais pobres. Veja a tabela do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, por exemplo: a não correção da tabela de tributação da renda gerou uma cobrança de imposto de renda acima da inflação de 103% dos trabalhadores. Segundo estudos do SINDIFISCO NACIONAL, no período compreendido entre 1996 e 2020, o IPCA acumulou alta de 346,69% e a tabela de Imposto de Renda foi reajustada em 109,63%. Em 24 anos, somente nos anos de 2002, 2005, 2006, 2007 e 2009 a correção da tabela ficou acima da inflação, sendo que a última atualização aconteceu em 2015. Com essa política de não atualização da tabela, salários a partir de R$ 1.903,98 já pagam imposto de renda;

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Se a tabela do imposto de renda fosse reajustada conforme a inflação oficial, ganhos até R$ 4.022,89 não pagariam o imposto. Segundo dados da Receita Federal do Brasil – RFB, o número de declarantes isentos seriam mais de 21,5 milhões de pessoas, dobrando o número atual;

E ainda tem a questão da tributação centrada no consumo, o que faz com que as famílias de menor renda, paguem mais impostos proporcionalmente, do que as famílias das classes mais altas e maior potencial econômico;

Cancelamentos de matrículas, migração para ensino público, perdas de planos de saúde, trabalhos informais e aumento de número de desempregados, contribuirá para formação de uma enorme demanda social, pois os brasileiros estão mais pobres, sem empregos dignos e alimentação superonerosa;

Analisando esse cenário, chegamos à conclusão que estamos caminhando para obter o resultado da seguinte equação:

Inflação alta

+

Salário Mínimo desvalorizado

+

Tributação injusta

=

Aumento da Desigualdade Social.

Ricardo Bertolini, Fiscal de Tributos Estaduais, diretor da FENAFISCO – Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital e do SINDIFISCO-MT

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