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O melhor detergente é a luz do sol

SILVIO ALMEIDA: Homens negros felizes não servem; mas se estiverem obedecendo, presos ou mortos é sinal de que as coisas estão em seu devido lugar

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O melhor detergente é a luz do sol

“Não ouse sorrir, negro”

Não se trata de um sistema que falhou. É um sistema que está fazendo exatamente o que foi projetado para fazer – Malcolm X

Tinha um texto quase pronto para publicar esta semana, um ensaio de filosofia política. Não consegui concluí-lo, pois dois acontecimentos da última semana me assombram de tal modo que seria impossível escrever sobre qualquer outra coisa.

Manoel Rocha Reis Neto tinha 32 anos, era psicólogo, mestrando na Universidade Federal da Bahia. Havia sido aprovado no programa há menos de um mês. Na terça-feira, 17 de fevereiro, publicou nas redes sociais um relato acerca de um incidente ocorrido no Camarote Ondina, durante o Carnaval de Salvador. Um homem bloqueou sua passagem, ignorou seus pedidos para que saísse de sua frente e só cedeu quando Manoel levantou a voz e demonstrou raiva.

Horas depois de publicar o relato, o jovem psicólogo foi encontrado morto em sua residência, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano.

Manoel escreveu: “Eles [os brancos] respeitam a minha agressividade e não a minha cordialidade. Eles respeitam nossa raiva. Todo o resto é desumanidade.”

Como psicólogo e psicanalista, Manoel Neto conhecia a psique humana e estudava a relação entre racismo e saúde mental. Seu relato é a confirmação de que uma boa formação acadêmica nos permite dar nome às coisas; que o dinheiro nos dá acesso a ambientes que a maioria dos negros não costuma frequentar; que posições institucionais nos garantem atenção por pouco tempo, alguma admiração circunstancial, muita bajulação, mas pouquíssimo poder real. Nada, contudo, é capaz de nos livrar do martelo do racismo que, inevitavelmente, atingirá as nossas cabeças.

Manoel entendeu isso com uma amarga lucidez ao afirmar que “dinheiro, títulos, sucesso — isso não nos torna legitimados pelos olhos das belas almas brancas. Vocês serão humilhados sempre que uma pessoa branca cruzar o seu caminho.”

Por que os pretos tinham que estragar o espetáculo?

Na mesma semana, o jogador Vinícius Júnior foi, mais uma vez, atacado com insultos racistas durante partida entre Real Madrid e Benfica, pela Champions League.

Até aí, nada novo sob o sol, salvo por um detalhe.

A postura do elenco do Real Madrid, especialmente de sua maior estrela, o francês Kylian Mbappé, trouxe um desenho distinto à situação. Mbappé, também um homem negro, reagiu aos insultos direcionados ao seu companheiro de equipe e confirmou que ouviu um jogador argentino do Benfica chamar diversas vezes Vinícius Jr. de “mono” (macaco). O árbitro, sem alternativas diante da ameaça do time madrilenho de abandonar a partida, fez o gesto de braços cruzados sobre o peito na forma de um “x” e ativou o ridículo“protocolo antirracista” da FIFA.

Se Vinícius Jr. tivesse se calado quando foi ofendido e se Mbappé não tivesse tomado a frente da reação, o mundo do futebol permaneceria como normalmente é: racista, hipócrita, lotado de cafajestes e dos já enfadonhos “antirracistas”. Entretanto, os dois meninos pretos resolveram estragar o espetáculo e se indignar diante do racismo. Isso fez com que comentaristas, jogadores e treinadores fossem obrigados a se pronunciar sobre o tema.

Duas manifestações, em especial, me chamaram a atenção. A primeira foi a de José Luiz Chilavert, o ex-goleiro da seleção paraguaia. Chilavert, que nunca foi conhecido por sua educação (mas eu tenho aprendido na vida que, tal como o conjunto dos números naturais, a falta de modos também pode ser infinita), disse que Vinícius provocou os xingamentos ao comemorar o gol com uma dança junto à bandeira de escanteio. E, no percurso, também aproveitou para ofender Mbappé.

Já o treinador do Benfica, José Mourinho, foi mais sofisticado na ignomínia. Como é típico nesses casos, Mourinho utilizou o nome de outro jogador negro para abalizar a estupidez que sairia da sua boca. Invocou a figura de Eusébio, o maior ídolo da história do Benfica, na tentativa de provar que o clube e a torcida jamais discriminariam uma pessoa negra – como se fosse possível a um moçambicano no Portugal dos anos 1960 não ter sido discriminado.

Eusébio

Chilavert e Mourinho ocupam posições importantes no mundo do futebol, um esporte construído sobre o trabalho de homens da cor de Vinícius Jr., Kylian Mbappé e Eusébio. Basta verificar quantos homens negros estão em posições de comando no futebol europeu, nas cabines de comentaristas, nas diretorias dos grandes clubes, nas federações que decidem as regras do jogo. O futebol consome o talento do homem negro com voracidade, mas reserva o poder para os brancos. Chilavert, Mourinho e todos esses homens fizeram suas carreiras e fortunas sobre este arranjo maléfico e ainda encontram disposição para justificar uma agressão racista sobre um jovem negro porque sua dança depois de marcar um gol é uma “provocação”. Já sabemos onde esse tipo de raciocínio pode parar.

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O jogador que transforma um ambiente de festa em campo de batalha por não conseguir — e aqui está o núcleo desta patifaria — controlar suas emoções. A denúncia vira prova do desequilíbrio, e o desequilíbrio confirma o que o agressor precisava que fosse verdade desde o início. O homem negro cordial e submisso não será ouvido e nem digno de respeito; o homem negro furioso se fará ouvir, mas por ser “perigoso” e “degenerado” deve, com efeito, ser controlado ou até eliminado.

No século XIX, médicos americanos inventaram o drapetomania. Trata-se de uma suposta doença mental conjecturada em 1851 pelo médico norte-americano Samuel A. Cartwright, que a descreveu como o “distúrbio” que levava pessoas escravizadas a fugirem do cativeiro. Cartwright argumentava que a fuga não era um desejo natural de liberdade, mas uma patologia que poderia ser evitada ou “curada”. Segundo ele, o tratamento para os escravos que apresentassem sinais dessa “mania” incluía o chicoteamento e a privação de certas “regalias”, sob a justificativa de que o submetimento absoluto era o estado natural e saudável do homem negro. Percebe-se como este diagnóstico ainda permanece na alma dos racistas: quem reage ao racismo fora dos “protocolos” é “louco” e seu destino é o chicote em praça pública, a humilhação ou um saco preto.

“Obrigado, senhor”

Negros como Vinícius Jr., Mbappé e Manoel Neto ocupam um lugar no mundo que não se encaixa no imaginário dos racistas. É insuportável que homens pretos possam dançar, ganhar dinheiro, entrar no mestrado, demonstrar competência, ser professores, ter títulos esportivos ou acadêmicos, morar em casas boas ou simplesmente demonstrar felicidade. A felicidade de um homem negro é algo criminoso. A Vinicius Jr. seria permitido sorrir no trabalho (sim, ele estava trabalhando) desde que fosse para agradecer uma gorjeta, ouvir uma piadinha depois de engraxar um sapato, servir uma caipirinha ou fazer malabares no farol.

Um homem negro tem que saber qual o seu lugar. Agradecer pela oportunidade dada pelo branco a toda hora, ficar de cabeça baixa sem olhar ninguém nos olhos, fazer o seu serviço e nada mais. Caso contrário, lhe será reservada a prisão, a indignidade ou um caixão.

Marcuse, Sartre, Fanon e a contraviolência

A pergunta que importa é: por que estes sujeitos dizem com tanta tranquilidade que Vinícius Jr. provocou ou que não foi “nada demais”?

É simples: dizem porque podem.

Racistas são tolerados. O sistema que governa o futebol mundial os acomoda, lhes oferece palco; legitima sua autoridade pública e absorve o escândalo sem que haja qualquer consequência real para além daqueles braços cruzados de Pantera Negra de baixo orçamento e das faixas cafonas em que se lê “say no to racism”.

Em 1965, Herbert Marcuse publicou um texto intitulado Tolerância Repressiva, em que formulou uma das críticas mais incômodas ao liberalismo democrático. Marcuse diz que, em sociedades estruturadas por desigualdades profundas, a tolerância se converte em instrumento de dominação. Ao permitir a circulação irrestrita de práticas e discursos que reproduzem a opressão, o sistema preserva sua legitimidade enquanto bloqueia qualquer transformação. A tolerância deixa de ser virtude e torna-se uma forma de gerir o escândalo sem tocar na estrutura que o produz.

Marcuse e Angela Davis

O que Marcuse afirma ao fim e ao cabo é que a contraviolência se torna a única linguagem que o oprimido tem à disposição para ser compreendido. A ordem que organiza a opressão produz, como efeito necessário, a reação que depois condena. Fanon vai na mesma direção em Os Condenados da Terra ao dizer que a contraviolência nasce da experiência reiterada de desumanização, e sua função é romper a naturalidade com que a hierarquia se apresenta como inevitável. Sartre, no prefácio ao mesmo livro de Fanon, é ainda mais direto: a violência do colonizado responde a uma ordem que só reconhece a força como linguagem válida e serve para que o colonizado recobre a sua humanidade. É exatamente o que Manoel Neto registrou naquela noite de Carnaval e que Fanon e Sartre haviam notado décadas antes: a cordialidade do oprimido é invisível. A raiva, não.

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A “micareta racial”

E agora falo por mim, sem muita distância analítica.

Conheço o peso que Manoel carregou naquela terça-feira de Carnaval. Conheço a exaustão de ter que provar, de novo, que você merece estar onde está. Conheço a solidão de sair de uma situação dessas sem ter companhia ou redes de proteção – afetivas, políticas ou financeiras – para me ajudar a entender o que aconteceu. A alternativa é metabolizar o insulto e seguir em frente até a hora em que a conta se apresenta na forma de doenças cardiovasculares, transtornos mentais graves, quando não algo pior. Conheço o cansaço de interpretar corretamente, o tempo todo, e de saber que essa interpretação correta não muda nada.

E quanto ao Estado brasileiro? O Estado brasileiro fez uma escolha, e não é pela vida de homens e de meninos negros. Existem políticas públicas — e é muito bom que existam, ainda que insuficientes — voltadas para mulheres, para crianças e para animais. Todavia, para quem mais morre no Brasil, para o homem negro jovem que lidera todas as estatísticas de letalidade, de adoecimento mental, de trabalho infantil e abandono escolar, não há política pública estruturada à altura do problema. Não há uma política para zelar pela vida de homens e meninos negros e, provavelmente, isso sequer está no horizonte dos líderes de instituições públicas e privadas.

Quando fui entrevistado no Roda Viva, em 2020, disse que a morte de George Floyd, que à época gerou tanta comoção, deveria ser a oportunidade para que pensássemos em transformações estruturais; pois, se ficássemos apenas em lamentos e vídeos chorosos na internet, tudo aquilo seria uma grande “micareta racial”. Pois é. Depois de seis anos e tantos gritos de “racistas e fascistas não passarão”, a constatação é a de que eles não só passaram, como estão sambando na nossa cara.

E se o tempo da micareta racial acabou, devemos, especialmente os homens negros, decretar que também o tempo de tolerância para pessoas como José Mourinho, Chilavert et caterva – incluindo aí os omissos – se encerrou. Eles têm que ser submetidos à mais dura crítica e deve lhes ser reservado o tratamento à altura da irresponsabilidade de suas palavras e ações.

Não há mais como continuar conversando com os que “não têm nada a dizer”, mas estão sempre falando; não há como aceitar que continuem ocupando as posições que ocupam, que continuem fazendo pouco das vidas das pessoas que sempre lhes garantiram prestígio, fama e dinheiro. Não há mais como suportar os “antirracistas” e seus textos de internet, seus vídeos chorosos e sua indiferença acolhedora para com homens negros.

Essas pessoas estão de um lado e eu estarei do outro. E não apenas porque desprezo estas pessoas, mas porque ficou evidente que querem a minha destruição e a de todos os homens que comigo se parecem.

As pessoas e instituições que as abrigam têm que ser confrontadas de forma estratégica, mas implacável. Opor-se a este estado de coisas e a seus perpetradores não é somente uma questão ética ou mesmo política. É uma questão existencial.

 

 

Silvio Luiz de Almeida é um advogadofilósofo e professor universitário brasileiro. Exerceu o cargo de ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania do Brasil de janeiro de 2023 a setembro de 2024, quando foi demitido em meio a denúncias de assédio sexual, até hoje não devidamente esclarecidas. Reconhecido como um dos grandes especialistas brasileiros acerca da questão racial, presidiu o Instituto Luiz Gama e é autor dos livros Racismo Estrutural (Polén, 2019), Sartre: Direito e Política (Boitempo, 2016).

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O melhor detergente é a luz do sol

Rosenwal Rodrigues, trocando PV pelo PSB, e afinado com Zé Pedro Taques, pode marcar força dos servidores nesta eleição que expõe luta de classes em MT

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O comando nacional do Partido Socialista Brasileiro – PSB parece que percebeu que a luta de classes pode vir a ser o grande mote na disputa eleitoral que se travará neste ano no Estado de Mato Grosso. Por isso trabalha ferozmente, nos prazos finais da janela partidária, para tirar o sindicalista Rosenwal Rodrigues do Partido Verde, onde ele está inscrito e programado para fazer mera escadinha para a candidatura da professora Rosa Neide (PT), para se transformar no puxador de votos de uma chapa de deputados federais  do PSB, partido que pretende trabalhar para radicalizar o confronto entre patrões e trabalhadores nas eleições deste ano no Estado.

Comandando a luta salarial dos servidores do Poder Judiciário, no ano passado, Rosenwal conseguiu se expressar com uma radicalidade que faltou à maioria das lideranças sindicais mato-grossenses. Com coragem notável, o presidente do Sinjusmat – Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso, confrontou não apenas os magistrados que compõem a direção do Tribunal de Justiça mas também o chefe do Executivo, governador Mauro Mendes (União) e a maioria dos deputados estaduais que compõem a Assembleia Legislativa de Mato Grosso – três poderes que se uniram com violência inesperada, na ocasião, para barrar o pagamento da recomposição salarial que a categoria tem reclamado há vários anos.

Líder destacado de uma mobilização trabalhista exemplar, Rosenwal soube também se perfilar entre os mais explosivos aliados do ex-governador e ex-procurador da República José Pedro Taques, na denúncia da roubalheira de recursos públicos no chamado Escândalo da OI, onde apareceram como comprometidos não só o empresário e governador Mauro Mendes, como seus familiares e um número enorme de apaniguados que gravitam em seu entorno, a começar pelo deputado federal e chefe da Casa Civil Fábio Garcia. Formando a Facção Criminosa dos Bacanas, segundo Zé Pedro, eles teriam se aproveitado de uma negociação realizada nas sombras da gestão estadual, para pretensamente desviar nada menos que 308 milhões de reais dos cofres públicos – uma denuncia que Zé Pedro, com apoio ostensivo do plantel de sindicalistas coordenados por Rosenwal Rodrigues, fizeram viralizar a partir de campanhas irreverentes nas redes sociais, tocadas no ritmo do refrão em cuiabanês do “Panhou ou Não Panhou?”.

Leia Também:  CAIUBI KUHN: Em outros estados e países a defesa civil possui em seu quadro técnico geólogos que desenvolvem diversos trabalhos para mapear áreas de riscos, desenvolver cartilhas de orientação, realizar estudos sobre a drenagem e permeabilidade, estudos de uso e ocupação do solo através das cartas geotécnicas entre muitas outras funções. Precisamos que Mato Grosso siga os exemplos dos estados que estão lidando com esta temática de forma técnica, e desenvolvendo ações não só quando o leite já derramou, e sim realizando medidas de prevenção

De imediato, Rosenwal parece ter percebido o boqueirão político que se abria à sua frente, notadamente devido às vacilações de outros sindicalistas, como o presidente do Sinpaig-MT, Antônio Wagner de Oliveira, e o dirigente do Sintep-MT e presidente regional da CUT – Central Única dos Trabalhadores, o professor Henrique Lopes, que, apesar de intensamente envolvidos na denúncia dos escândalos da OI e dos empréstimos consignados, não deram o devido respaldo político-partidário ao ex-governador José Pedro Taques que, paralelamente à sua atuação em defesa dos servidores públicos estaduais, se lançou de imediato no processo de reconstrução do PSB em Mato Grosso e da sua pré-candidatura a senador da República pelo Estado, em confronto direto com Mauro Mendes.

Antônio Wagner, em sua vacilação, ainda é visto como apoiador da candidatura a senadora da deputada estadual Janaina Riva (MDB) – herdeira de Zé Riva, ex- chefão da Assembleia Legislativa e já condenado e réu confesso, ao lado do ex-governador Silval Barbosa, despontando como responsável por um rombo nos cofres públicos que, de acordo com o MP-MT,  superou a casa dos 4 bilhões de reais.

Janaina também tem contra ela o fato de comandar uma das facções politicas do bolsonarismo golpista em Mato Grosso, na condição de aliada do senador Wellington Fagundes (PL). Ela também é responsável pela descaracterização politica do MDB mato-grossense, transformado em puxadinho da aliança política dos extremistas de direita em nosso Estado.

Henrique Lopes, por outro lado, apesar de comandar o sindicato que representa a maior categoria de servidores estaduais, que são os profissionais da Educação, tem se comportado com um evidente sectarismo em relação às demais categorias e sindicatos, trabalhando contra a representatividade da Federação dos Servidores Públicos, comandada pela sindicalista Carmen Machado, já que tem preferido se guiar caninamente pelos ditames do Partido dos Trabalhadores que, em Mato Grosso, se subordinou à orientação política de um setor do Agronegócio, comandada pelos ruralistas Blairo Maggi, Eraí Maggi e Carlos Fávaro que, curiosamente, também se alinham à direita com o governador Mauro Mendes já que as lideranças no Agro, repudiando a candidatura de José Pedro Taques, tem defendido abertamente uma espécie de frente ampla lulista pantaneira, trabalhando pela eleição de Mauro Mendes como senador numa ponta e pela eleição de Carlos Fávaro, na outra ponta. Dessa forma, o sindicalismo cutista aparece assim, em Mato Grosso, como mero marionete dos interesses dos grandes empresários do Agro que, em contrapartida, tratam também de compor a grande frente ampla política nacional que, comandada pelo velho sindicalista metalúrgico Luis Inácio Lula da Silva, aos trancos e barrancos, segue conduzindo a atual presidência da República do Brasil.

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Favorecida por toda esta confusão ideológica que tem marcado a política de Mato Grosso, onde o bolsonarismo extremista continua a dominar municípios importantes como Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Sinop, a candidatura a deputado federal de Rosenwal Rodrigues passa a ser apontada pela direção nacional do PSB como um fator de importante reposicionamento do Partido Socialista no Estado, já que, até recentemente, sob o comando do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi, o PSB aparecia como mais um dos marionetes  partidários que o governador Mauro Mendes administrava.

Com Rosenwal Rodrigues articulando em torno de sua candidatura a força do sindicalismo do serviço público, a expectativa do PSB é dar uma grande passo para se transformar em importante força política à esquerda dentro de Mato Grosso. Tanto que tem sido o próprio vice-presidente da República, o médico e ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin que, segundo as fontes deste blogue, tem conduzido as negociações que podem levar Rosenwal a trocar, ainda neste final de semana, o Partido Verde pelo PSB e passar a gerenciar um processo de fortalecimento da candidatura de José Pedro Taques a senador e de afirmação dos interesses classistas dos servidores públicos dentro de uma eleição em que, nos últimos anos, o que tem prevalecido tem sido a força da grana dos barões do Agro.

Esta possibilidade está sendo traçada nas negociações que marcam esta Sexta-Feira da Paixão em Mato Grosso e pode representar, até domingo, dia em que se comemora a Páscoa, com a ressurreição de Jesus Cristo, a própria ressurreição de uma política de esquerda em nosso Estado, juntamente com a articulação de um sindicalismo minimamente combativo. A menos, é claro, que a força disruptiva da grana do Agro vença mais uma vez.

 

 

Enock Cavalcanti, 72, é jornalista e editor do blogue PAGINA DO ENOCK, que se edita a partir de Cuiabá, Mato Grosso, desde o ano de 2009.

José Pedro Taques, Rosenwal Rodrigues e Geraldo Alckmin – juntos no PSB?

 

 

 

 

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