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O melhor detergente é a luz do sol

ENOCK CAVALCANTI: Oscarlino Alves e o desafio de colocar a Saúde, em Cuiabá, em pratos limpos

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O melhor detergente é a luz do sol

Um sindicalista no comando da Saúde em Cuiabá. Esta é a novidade que ano novo de 2024 nos traz.

O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB) anunciou no final da manhã do domingo (31), o nome do sindicalista Oscarlino Alves Jr e do médico Anderson Torres para comandarem a Secretaria de Saúde de Cuiabá, a partir do dia 1º de janeiro, após o período interventivo pelo Governo do Estado que, segundo muitos, foi um período marcado por muitos traumas.

Quem acompanha as coletivas do prefeito cuiabano sabe que, ao nomear Oscarlino, Emanuel acabou por acolher uma sugestão apresentada publicamente a ele, e demais gestores cuiabanos, há mais de ano, por este jornalista e blogueiro.

Eu acredito que o Oscarlino pode fazer diferente. Acreditei antes, e continuo acreditando agora, que a Saúde de Cuiabá continua cercada de tantas palpitações.

O que se sussurra nos bastidores, e não só quanto ao governo de Emanuel Pinheiro, mas em relação a todas as administrações públicas, é que o setor de Saúde se constitui, quase sempre, na mais persistente caixa preta de todos os governos.

Não é à toa que as serpentes do Centrão, lá em Brasília, vivem a encher o saco do velho metalúrgico Lula – esse presidente petista que me parece enredado demais pelas tramas do poder, para o meu gosto – tentando faturar para um dos seus membros o cargo atualmente ocupado pela médica Nísia Trindade, no Ministério da Saúde. O Centrão tá sempre de olho da grana gorda. E Lula tem cedido ao Centrão, além da conta.

O que se espera de Oscarlino Alves, até mesmo para sua própria projeção política, é que seja capaz de contribuir para que a Saúde de Cuiabá seja colocada finalmente em pratos limpos. Doa a quem doer. A Cidadania reclama por isso.

A gente passou a acompanhar a atuação do Oscarlino desde a administração estadual anterior, quando despontou com uma das lideranças do Fórum Sindical, especialista em colocar na parede a Zé Pedro Taques, o então governador, que, apesar de seu passado moralista no Ministério Público Federal, no comando do Governo do Estado se revelou um poltrão.

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Era tanta a fúria fiscalizadora de Oscarlino Alves que ele chegou a ser alvo de um ataque de muito baixo nível desferido por Wilson Santos que o xingou e o tentou desmerecer justamente por ter a coragem de cobrar, de forma implacável, a transparência por parte dos gestores públicos e a garantia do direito inalienável dos servidores estaduais à sua revisão anual com base nos índices inflacionários, a tão reclamada e tão pouco paga RGA.

Oscarlino, credenciando os advogados Bruno Costa Álvares Silva, Fernanda Vaucher de Oliveira Kleim e João Ricardo Vaucher de Oliveira, processou Wilson, com determinado trecho da ação destacando a malandragem sórdida do Galinho: “As ofensas praticadas pelo Wilson Santos, consubstanciados em xingamentos como ‘moleque’ e ‘vagabundo’, tomara uma dimensão maior, tendo em vista que fora alardeadas na mídia, conforme reportagens anexadas à ação. Ainda, posteriormente, Wilson Santos tentou amenizar o fato, afirmando, de forma inverídica, que o Oscarlino seria parente dele”. Como se vê, Wilson está sempre a se superar, no pior sentido.

Bem, com Oscarlino no poder, talvez esse processo contra o Wilson tenha finalmente um deslinde, ainda que submetido à tão questionada Justiça de Mato Grosso.

Cito a Justiça de Mato Grosso porque, sinceramente, não acredito que o nosso Poder Judiciário tenha trilhado os caminhos mais sensatos em todo este episódio da intervenção na Saúde de Cuiabá. Neste e em tantos outros episódios. Quanto menos fiscalizado, mais o poder desanda.

Sim, falta muita sensatez em muita coisa aqui nesta nossa comunidade de Cuiabá, Mato Grosso, Brasil. Mas não podemos deixar a peteca cair e devemos confiar que, agora desafiado ao extremo em suas habilidades, o sindicalista Oscarlino Alves será capaz de nos surpreender positivamente. O que o desembargador Orlando Perri, a meu juízo, e para minha particular tristeza, não fez.

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Evidentemente que não deixei também de fazer minhas restrições ao desempenho do Oscarlino, em algumas situações. Acredito que ele, atuando como presidente do Sisma (sindicato dos servidores da Saúde) e coordenador do Fórum Sindical de Mato Grosso poderia ter levado nosso sindicalismo mato-grossense a um patamar mais digno – e ele não teve luzes suficiente para tal. O sindicalismo mato-grossense continua batendo a cabeça nas paredes, como sempre, submetido à gerência de tantas lideranças ególatras.

Torço para que o Oscarlino, em suas novas funções, ajude a prevenir a queda da gestão Emanuel Pinheiro em novos episódios de entropia. Que, daqui para frente, seja tudo para o alto e para cima, já que ninguém aguenta mais ver a Saúde cuiabana mergulhada no noticiário policial, disputando espaço com apreensões de drogas e episódios de violência doméstica e policial. E para acabar com esta bandalheira, e enfrentar as provocações que partem lá do Paiaguás, Oscarlino Alves terá, certamente, que se apresentar como um gestor tremendamente qualificado.

Certa vez, eu ainda era um jovem sonhador lá no Rio de Janeiro, ouvi o saudoso poeta Paulo Mendes Campos a recitar versos que se gravaram firmemente em minha memória:  “O instante basta para compreender a vida. Senti-la é o princípio de uma eternidade.” Sim, o Oscarlino Alves tem diante de si a oportunidade de se fazer eterno – e trilhar um caminho que pode conduzí-lo a posições ainda mais desafiadoras, defendendo e reforçando a importância do Sistema Único de Saúde, em Cuiabá e para todo nosso País.

 

Enock Cavalcanti, 70, é jornalista e editor do blogue PAGINA DO ENOCK, editado a partir de Cuiabá, MT, desde 2009.

 

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Rosenwal Rodrigues, trocando PV pelo PSB, e afinado com Zé Pedro Taques, pode marcar força dos servidores nesta eleição que expõe luta de classes em MT

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O comando nacional do Partido Socialista Brasileiro – PSB parece que percebeu que a luta de classes pode vir a ser o grande mote na disputa eleitoral que se travará neste ano no Estado de Mato Grosso. Por isso trabalha ferozmente, nos prazos finais da janela partidária, para tirar o sindicalista Rosenwal Rodrigues do Partido Verde, onde ele está inscrito e programado para fazer mera escadinha para a candidatura da professora Rosa Neide (PT), para se transformar no puxador de votos de uma chapa de deputados federais  do PSB, partido que pretende trabalhar para radicalizar o confronto entre patrões e trabalhadores nas eleições deste ano no Estado.

Comandando a luta salarial dos servidores do Poder Judiciário, no ano passado, Rosenwal conseguiu se expressar com uma radicalidade que faltou à maioria das lideranças sindicais mato-grossenses. Com coragem notável, o presidente do Sinjusmat – Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso, confrontou não apenas os magistrados que compõem a direção do Tribunal de Justiça mas também o chefe do Executivo, governador Mauro Mendes (União) e a maioria dos deputados estaduais que compõem a Assembleia Legislativa de Mato Grosso – três poderes que se uniram com violência inesperada, na ocasião, para barrar o pagamento da recomposição salarial que a categoria tem reclamado há vários anos.

Líder destacado de uma mobilização trabalhista exemplar, Rosenwal soube também se perfilar entre os mais explosivos aliados do ex-governador e ex-procurador da República José Pedro Taques, na denúncia da roubalheira de recursos públicos no chamado Escândalo da OI, onde apareceram como comprometidos não só o empresário e governador Mauro Mendes, como seus familiares e um número enorme de apaniguados que gravitam em seu entorno, a começar pelo deputado federal e chefe da Casa Civil Fábio Garcia. Formando a Facção Criminosa dos Bacanas, segundo Zé Pedro, eles teriam se aproveitado de uma negociação realizada nas sombras da gestão estadual, para pretensamente desviar nada menos que 308 milhões de reais dos cofres públicos – uma denuncia que Zé Pedro, com apoio ostensivo do plantel de sindicalistas coordenados por Rosenwal Rodrigues, fizeram viralizar a partir de campanhas irreverentes nas redes sociais, tocadas no ritmo do refrão em cuiabanês do “Panhou ou Não Panhou?”.

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De imediato, Rosenwal parece ter percebido o boqueirão político que se abria à sua frente, notadamente devido às vacilações de outros sindicalistas, como o presidente do Sinpaig-MT, Antônio Wagner de Oliveira, e o dirigente do Sintep-MT e presidente regional da CUT – Central Única dos Trabalhadores, o professor Henrique Lopes, que, apesar de intensamente envolvidos na denúncia dos escândalos da OI e dos empréstimos consignados, não deram o devido respaldo político-partidário ao ex-governador José Pedro Taques que, paralelamente à sua atuação em defesa dos servidores públicos estaduais, se lançou de imediato no processo de reconstrução do PSB em Mato Grosso e da sua pré-candidatura a senador da República pelo Estado, em confronto direto com Mauro Mendes.

Antônio Wagner, em sua vacilação, ainda é visto como apoiador da candidatura a senadora da deputada estadual Janaina Riva (MDB) – herdeira de Zé Riva, ex- chefão da Assembleia Legislativa e já condenado e réu confesso, ao lado do ex-governador Silval Barbosa, despontando como responsável por um rombo nos cofres públicos que, de acordo com o MP-MT,  superou a casa dos 4 bilhões de reais.

Janaina também tem contra ela o fato de comandar uma das facções politicas do bolsonarismo golpista em Mato Grosso, na condição de aliada do senador Wellington Fagundes (PL). Ela também é responsável pela descaracterização politica do MDB mato-grossense, transformado em puxadinho da aliança política dos extremistas de direita em nosso Estado.

Henrique Lopes, por outro lado, apesar de comandar o sindicato que representa a maior categoria de servidores estaduais, que são os profissionais da Educação, tem se comportado com um evidente sectarismo em relação às demais categorias e sindicatos, trabalhando contra a representatividade da Federação dos Servidores Públicos, comandada pela sindicalista Carmen Machado, já que tem preferido se guiar caninamente pelos ditames do Partido dos Trabalhadores que, em Mato Grosso, se subordinou à orientação política de um setor do Agronegócio, comandada pelos ruralistas Blairo Maggi, Eraí Maggi e Carlos Fávaro que, curiosamente, também se alinham à direita com o governador Mauro Mendes já que as lideranças no Agro, repudiando a candidatura de José Pedro Taques, tem defendido abertamente uma espécie de frente ampla lulista pantaneira, trabalhando pela eleição de Mauro Mendes como senador numa ponta e pela eleição de Carlos Fávaro, na outra ponta. Dessa forma, o sindicalismo cutista aparece assim, em Mato Grosso, como mero marionete dos interesses dos grandes empresários do Agro que, em contrapartida, tratam também de compor a grande frente ampla política nacional que, comandada pelo velho sindicalista metalúrgico Luis Inácio Lula da Silva, aos trancos e barrancos, segue conduzindo a atual presidência da República do Brasil.

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Favorecida por toda esta confusão ideológica que tem marcado a política de Mato Grosso, onde o bolsonarismo extremista continua a dominar municípios importantes como Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Sinop, a candidatura a deputado federal de Rosenwal Rodrigues passa a ser apontada pela direção nacional do PSB como um fator de importante reposicionamento do Partido Socialista no Estado, já que, até recentemente, sob o comando do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi, o PSB aparecia como mais um dos marionetes  partidários que o governador Mauro Mendes administrava.

Com Rosenwal Rodrigues articulando em torno de sua candidatura a força do sindicalismo do serviço público, a expectativa do PSB é dar uma grande passo para se transformar em importante força política à esquerda dentro de Mato Grosso. Tanto que tem sido o próprio vice-presidente da República, o médico e ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin que, segundo as fontes deste blogue, tem conduzido as negociações que podem levar Rosenwal a trocar, ainda neste final de semana, o Partido Verde pelo PSB e passar a gerenciar um processo de fortalecimento da candidatura de José Pedro Taques a senador e de afirmação dos interesses classistas dos servidores públicos dentro de uma eleição em que, nos últimos anos, o que tem prevalecido tem sido a força da grana dos barões do Agro.

Esta possibilidade está sendo traçada nas negociações que marcam esta Sexta-Feira da Paixão em Mato Grosso e pode representar, até domingo, dia em que se comemora a Páscoa, com a ressurreição de Jesus Cristo, a própria ressurreição de uma política de esquerda em nosso Estado, juntamente com a articulação de um sindicalismo minimamente combativo. A menos, é claro, que a força disruptiva da grana do Agro vença mais uma vez.

 

 

Enock Cavalcanti, 72, é jornalista e editor do blogue PAGINA DO ENOCK, que se edita a partir de Cuiabá, Mato Grosso, desde o ano de 2009.

José Pedro Taques, Rosenwal Rodrigues e Geraldo Alckmin – juntos no PSB?

 

 

 

 

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