O zelador do Condomínio Bonavita, localizado em área nobre da Capital, Haino Fábio Siqueira Pinheiro, em depoimento à Polícia, contou que foi acionado pelo porteiro, via rádio e, quando chegou à guarita do residencial, se deparou com o veículo do juiz Alexandre Delicato Pampana, umChevrolet Cruze cinza, atravessado na entrada da garagem, impedindo a passagem de moradores.
O veículo era usado pelo Alexandre Delicato Pampado, quando chegou ao prédio. O zelador disse que o juiz estava exaltado, gritando que não conversaria com ‘peão’, o chamando de ‘negão filho da p…”. O caso ocorreu no sábado (31).
Delicato queria entrar na torre E do condomínio, ainda em construção e foi impedido, por questões se segurança, pelo porteiro.
O RepórterMT teve acesso, nesta quarta (04) aos depoimentos do zelador e do síndico do condomínio. À Polícia zelador confirmou que o magistrado, com dedo em riste dizia ser juiz e que o carro só sairia do local guinchado, mas negou que o delegado o tenha agredido, confirmando apenas que o juiz fora imobilizado para que as chaves do carro fossem retiradas de seu bolso.
O síndico do Prédio, André Luis Baby disse que viu o magistrado preenchendo um cheque em cima do capô do Cruze e que, ao questionar se estaria comprando testemunha e argumentar o por quê de não autorizar sua entrada, o juiz teria se identificado como Alexandre, juiz de direito, que teria diito que lhe daria voz de prisão, o chamando em seguida de “síndico de merda”.
André afirmou ainda que viu quando o encarregado da obra questionou o juiz sobre o cheque ter fundos. Segundo ele o juiz teria dito: “Ô idiota, eu uso rolex e minha conta tem limite de R$ 100 mil”. O juiz encaminhou nota à redação contando que foi vítima de agressão.
O Juiz Alexandre Delicato encaminhou nota à redação afirmando que foi agredido de forma covarde. Disse que o incidente ocorreu devido a não autorização para o acesso ao apartamento de sua propriedade e que não houve distrato dirigido a qualquer funcionário do Condomínio, apesar da reconhecida tensão em que se encontrava. Na discussão ocorrida, na entrada do condomínio, os delegados chegaram ao local de forma agressiva e ele se apresentou como magistrado, mesmo assim não evitou as agressões físicas contra ele. A nota diz ainda que Alexandre lamenta profundamente a ocorrência, considerada por ele descabida entre quaisquer cidadãos, ainda mais entre autoridades públicas. Entretanto, ressalta que foi vítima de uma agressão covarde, o que será comprovado em processos competentes.
Confira abaixo, na íntegra, os depoimentos do zelador e do síndico do residencial.



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Após briga em prédio, delegado denuncia juiz ao CNJ por injúria racial
Representação foi protocolada ontem e cita testemunhas
GILSON NASSER
Do FOLHA MAX
O delegado de Polícia da distrital do bairro Vila Operária em Rondonópolis, Daniel Rozão Vendramel, protocolou no final da tarde desta terça-feira uma representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por injúria racial contra o juiz da comarca de Campo Verde, Alexandre Delicato Pampado. O documento foi encaminhado ao ministro Joaquim Barbosa, presidente do CNJ, que decidirá sobre o pedido proposto pelo delegado.
O delegado de Rondonópolis testemunhou uma briga entre Alexandre Delicato Pampado e o também delegado Gustavo Garcia Francisco. A confusão acabou em agressão, no último sábado, na entrada do condomínio Bonavitta, localizado ao lado do Shopping Pantanal, em Cuiabá.
Na representação, o delegado narra a situação do último sábado, quando o magistrado trancou a entrada do condomínio, atravessando o carro em frente ao portão. O motivo para a ação do magistrado foi o fato dele ter sido barrado pelo porteiro, por conta de não ter sua entrada autorizada.
Proprietário de um apartamento no condomínio, o juiz, que mora em Campo Novo do Parecis, está reformando o local. O zelador foi chamado pelo porteiro para tentar resolver o impasse e, neste momento, o juiz se exaltou e desferiu ofensas raciais contra o trabalhador, chamando-o de “(…) zelador de m…, como uma pessoa da sua cor consegue resolver as coisas”.
No momento da confusão, os delegados chegavam ao condomínio e se viram impedidos de entrar por conta do carro que estava atravessado em frente ao portão. Daniel e Gustavo alegam que tentaram resolver a situação de forma amistosa, mas o juiz não concordou, ocorrendo assim as agressões físicas. Daniel ainda tomou as chaves do carro do magistrado e retirou o veículo da entrada do condomínio.
Por conta das ofensas, o zelador H.F.S.P registrou ocorrência policial contra o juiz pelo crime de injúria racial. O boletim de ocorrência dele, assim como as declarações da testemunha A.L.B, foram anexados na representação no CNJ.
Caso a denúncia seja acatada, o CNJ pode determinar o afastamento do magistrado até o final das investigações. Ele ainda está sujeito a penas previstas na Leio Orgânica da Magistratura.
O magistrado reagiu e, denunciou os delegados na Corregedoria da Polícia Civil do Estado sob acusação de agressão. A disputa entre os delegados e o magistrado deve ter “fortes emoções”.



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