(65) 99638-6107

CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

Cidadania

SBPC: novo Código Florestal é ‘insustentável’

Publicados

Cidadania

SBPC: novo Código Florestal é ‘insustentável’

Estudo feito pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e pela Assol

Renata Camargo
CONGRESSO EM FOCO

O polêmico projeto de lei do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) que cria o novo Código Florestal é “cientificamente insustentável”. A conclusão é de cientistas da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Associação Brasileira de Ciência (ABC), que na semana passada apresentaram na Câmara os resultados preliminares de um estudo sobre o novo Código Florestal. O estudo completo será divulgado nas próximas semanas.

“O substitutivo do Aldo não tem sustentação no conhecimento científico disponível na atualidade. Ele não entrou no grande desafio atual que é produzir com alta tecnologia, respeitando mata ciliar, reserva legal, etc. O projeto de Aldo não aproveitou essa oportunidade de modificar o raciocínio da produção agrícola do Brasil. Cientificamente, ele é insustentável, sob pena não só de comprometer o meio ambiente, mas principalmente sob pena de consolidar uma agricultura de baixa tecnologia”, afirmou o professor Ricardo Rodrigues, do departamento de Ciências Biológicas, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP).

O relator da proposta do novo Código Florestal sustenta que seu texto se baseia em critérios técnicos e teve respaldo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Leia Também:  FERNANDO ASSUNÇÃO - Parabéns, pioneiros de Sinop, são 37 anos de fundação. Parabéns, jovens de Sinop, são novos anos de desafios.

Em um plenário lotado, cientistas criticaram mudanças previstas na proposta de Aldo Rebelo como o perdão a dívidas por desmatamentos ilegais, a redução de áreas de proteção permanente (APPs) na beira dos rios e a dispensa de reserva legal em propriedades com até quatro módulos rurais. Mas sugestões diretas para substituir os pontos polêmicos da proposta não foram apresentadas. Segundo Rodrigues, é preciso reconstruir um novo código “à luz da ciência” e, para isso, será preciso mais tempo. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), já anunciou que pretende incluir o projeto na pauta já no mês que vem.

Segundo a presidenta da SBPC, Helena Nader, o estudo teve participação de pesquisadores de diversas instituições, inclusive da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). “Fizemos um estudo aprofundado dos aspectos científicos e traremos a visão da ciência nos diferentes aspectos. Nós não estamos com partidos, não estamos polarizados, estamos trazendo para o debate o que tem a ciência hoje a contribuir para a melhoria de um código florestal”, afirmou.

Mais debate

As opiniões oficiais da academia brasileira aparecem no debate sobre as mudanças no Código Florestal no Congresso sete meses depois de a proposta de Aldo Rebelo ter sido aprovada na comissão especial da Câmara e anos depois de as discussões terem se intensificado no Congresso. Os cientistas querem a votação da proposta seja adiada para que o debate seja aprofundado.

Leia Também:  Alvo de processo na Corregedoria do TJ, juiza Wandinelma dos Santos foi vítima de equívoco do colunista Fernando Baracat. Mesmo depois de esclarecimento prestado por Baracat, corregedor Ornellas sustenta pedido de afastamento da juiza

“Um grande mérito do Aldo Rebelo dessa discussão é o fato de ter alertado para a necessidade de discutir o Código Florestal. Essa proposta conseguiu fazer a academia sentar e estudar. A gente agora deve passar por uma fase de colaboração e congraçamento, onde deixem de existir os dois extremos – ruralistas e ambientalistas – e se inclui o interesse da sociedade”, afirmou o engenheiro agrônomo Antonio Donato Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

O projeto de lei que modifica o Código Florestal está na pauta de votações do plenário da Câmara. Enquanto ambientalistas defendem mais discussões, parlamentares da bancada ruralista pressionam para acelerar a votação. Na tentativa de buscar consenso para a proposta, ruralistas têm tentando costurar com o governo um texto “conciliador”. Esse texto deve ser apresentado para a bancada ambientalista na “câmara de negociações”, que deve ser criada internamente na Câmara para buscar consenso para a votação do novo código.

 

COMENTE ABAIXO:

Propaganda
Clique para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe uma resposta

Cidadania

LUIZ CLÁUDIO: Devemos ouvir a população sobre VLT ou BRT

Publicados

em

Por

Luis

A troca do VLT pelo BRT

* Luiz Claudio

Em seu primeiro discurso, após receber o resultado da última eleição, o prefeito Emanuel Pinheiro deixou claro que a gestão do Município sempre estará disponível para debater todas as ações que melhorem a vida da população cuiabana. Acontece que, para que um debate realmente seja uma verdade, esse processo necessariamente deve cumprir etapas como argumentar, ouvir, analisar e, por fim, tomar uma decisão em conjunto.

Essas etapas, essenciais principalmente em assuntos que envolvem mais de 600 mil pessoas, até o presente momento, continuam sendo completamente negligenciadas pelo Governo do Estado de Mato Grosso. O recente caso da troca do Veículo Leve sobre Trilho (VLT) pelo Bus Rapid Transit (BRT) é um grande exemplo dessa dificuldade que a Prefeitura de Cuiabá tem encontrado quando se depara com demandas em que o Executivo estadual está envolvido.

Agora, depois de tomada uma decisão individualizada, se lembraram que existem as Prefeituras Municipais. Com convites para reuniões, as quais o Município não terá nenhuma voz, tentam criar um cenário para validar um discurso de decisão democrática que nunca existiu. Por meio da imprensa, acompanhamos declarações onde se é cobrada uma mudança de postura da Prefeitura de Cuiabá. Mas, qual é a postura que desejam da Capital? A de subserviência? Essa não terão!

Leia Também:  UM ALERTA A SILVAL E PAULO LESSA - Juiza Gleide Bispo manda interditar o Pomeri por apresentar instalações “precárias, insalubres, desprezíveis e inaceitáveis”. Apenas neste ano, três adolescentes já morreram nas dependências da instituição.

Defendemos sim um diálogo. No entanto, queremos que isso seja genuíno. Um diálogo em que as decisões que envolvam Cuiabá sejam tomadas em conjunto e não por meio da imposição. De que adianta convidar para um debate em que já existe uma decisão tomada? Isso não passa de um mero procedimento fantasioso, no qual a opinião do Município não possui qualquer valor.

Nem mesmo a própria população, que é quem utiliza de fato o transporte público, teve a oportunidade de ser ouvida. Isso não é democracia e muito menos demonstração de respeito com aqueles que depositaram nas urnas a confiança em uma gestão. Por conta dessa dificuldade de diálogo foi que o prefeito Emanuel Pinheiro criou Comitê de Análise Técnica para Definição do Modal de Transporte Público da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.

Queremos, de forma transparente, conhecer o projeto do BRT. Saber de maneira detalhada o custo da passagem, o valor do subsídio, tipo de combustível, e o destino da estrutura existente como os vagões do VLT e os trilhos já instalados em alguns pontos de Cuiabá e Várzea Grande.

Leia Também:  Saíto, Luis Alberto Warat e Robert Alexy: até onde pode chegar a necessária criatividade dos juízes?

Confiamos nesse grupo e temos a certeza de que ele dará um verdadeiro diagnóstico para sociedade. Mas, isso será feito com diálogo. Como deve ser! E é por isso que o próprio Governo do Estado também está convidado para participar das discussões, antes de qualquer parecer, antes de qualquer tomada de decisão. Como deve ser!

Assim, em respeito ao Estado Democrático de Direito, devemos ouvir a população que é quem realmente vai utilizar o modal a ser escolhido, evitando decisões autoritárias de um governo que pouco ou quase nada ouve a voz rouca das ruas.

* Luis Claudio é secretário Municipal de Governo em Cuiabá, MT

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

MATO GROSSO

POLÍCIA

Economia

BRASIL

MAIS LIDAS DA SEMANA