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Maior prostibulo a céu aberto de Mato Grosso, em Várzea Grande, oferece sexo 24 horas por dia. 60 prostitutas ficam expostas ao sol, ou à sombra de pequenas árvores, na porta dos motéis ou nos bares à espera dos clientes.

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Sexo disponível 24 horas por dia

por Regina Botelho
CIRCUITO MATO GROSSO

Em plena luz do dia, sobre um forte calor de 40º graus, lá estão elas vendendo seus corpos em vários pontos, no bairro Jardim Potiguares em Várzea Grande, na região do Zero KM que é dominada por motéis e boates mais antigos do município.

Há mais de 30 anos, a localidade é conhecida como zona de prostituição e do tráfico de drogas.

Em média, diariamente 60 prostitutas ficam expostas ao sol, ou à sombra de pequenas árvores, na porta dos motéis ou nos bares à espera dos clientes.

A reportagem do Jornal Circuito Mato Grosso foi in loco conferir como é a vida, o cotidiano e ouvir as histórias da profissão mais antiga do mundo.

O dia começa logo cedo para a jovem Lilian (todos os nomes citados nesta matéria são fictícios), 22 anos, mãe de um filho de quatro anos. Está no ‘ramo’ há quatros. Ela batalha como profissional do sexo para sustentar o filho e as despesas de casas.

Um programa simples custa, em média, R$ 50 reais e dura cerca de 20 minutos. Já uma diversão completa sai por R$ 150. Os clientes pertencem à classe média e alta e 90% são homens casados. 

Na década de 70, a região só recebia motoristas como clientes de travestis, mas hoje por lá é fácil encontrar clientes como empresários, políticos, médicos, advogados e outras profissões. Garotas e os travestis hoje não se misturam para defender o “pão de cada dia”. Onde tem mulheres não tem travestis para evitar brigas. “Ficamos durante o dia e, à noite, os travestis dominam a região”, revela Fernanda, 19 anos.

Leia Também:  PRENDERAM UM CRITICO FEROZ DA CORRUPÇÃO - Todo mundo quer entender: como Pedro Lima, que escrevia tanto contra a corrupção, agora está preso, acusado de envolvimento com esquema que pode ter surrupiado 3 bilhões dos cofres do Estado?

Lúcia, 24 anos, conta que a vida das profissionais não é fácil e o principal risco é a própria vida.

Sob a sombra de uma árvore ela diz como aborda seus clientes. “Quando os carros param eu vou até a janela e me debruço sobre o motorista, exponho meus seios siliconados e ofereço o pacote e digo meu preço”.

Segundo Lívia, 28 anos, seu salário chega a R$ 3 mil mensais e atende em média ao dia cinco clientes e em muitas vezes recebe gorjetas. “Se o motel custa R$ 20 ou R$ 40 alguns clientes fixos pagam R$ 100 reais, recebo pelo programa e me deixam o troco”, revela.

A reportagem percebeu que todas as garotas de programas entrevistadas “trabalham no ramo”, para garantir o sustento familiar e em muitos casos, pais e mãe das meninas não sabem que o dinheiro que chega aos lares é oriundo da prostituição. Embora o preço cobrado seja R$ 50, algumas admitiram que já atenderam a clientes por R$ 30.

Maria Lívia, 26 anos, diz que a maioria dos clientes que buscam a diversão se enquadra na faixa etária acima dos 30 anos e possuem curso superior completo. “Casais nos procuram aqui e cobro R$ 200 e R$ 250. Uma boa parte quer sexo anal. Muitos dizem que se for uma relação básica, prefere buscar a esposa”.

Durante o período que a reportagem avaliou o local, uma média de dez carros estacionou e abordou as garotas. Eles faziam pesquisas de preços e escolhiam a sua preferida e um motel próximo para entrar.

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O horário de trabalho é das 7 às 17 horas e impreterivelmente elas precisam deixar a região antes do anoitecer, antes de os travestis chegarem.  Na região existe ainda a entrega delivery de drogas: vários mototaxistas com “aviõezinhos” na garupa comercializam entorpecentes sem a menor cerimônia.

Jaqueline, grávida de quatro meses e dois anos no ramo, saiu de casa aos dez anos de idade após ser violentada sexualmente pelo próprio pai e foi viver nas ruas. Segundo relatos dela, quem vive das ruas tem dois destinos para serem vividos. O primeiro é rejeitar as drogas, a prostituição e as amizades destrutivas; o outro, é a morte. Com um semblante arrependido, se lembra de quando decidiu optar pelo primeiro e se tornou viciada em drogas e profissional do sexo. “O vício veio primeiro e depois, para mantê-lo, fui apresentada pelas ‘amigas’ a uma maneira fácil de conseguir dinheiro para comprar drogas que foi a prostituição.

“Tenho nojo da minha vida. Por várias vezes tentei sair das ruas. Minha dignidade é zero e não sou feliz. Apesar de não usar drogas, parte do meu dinheiro utilizo para comprar novas roupas, assessórios, lingeries, sapatos e perfume. Olhar no espelho e saber que você vai transar com um homem desconhecido não é uma tarefa fácil; é  muito humilhante”, finaliza Renata 29.
 

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LUIZ CLÁUDIO: Devemos ouvir a população sobre VLT ou BRT

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A troca do VLT pelo BRT

* Luiz Claudio

Em seu primeiro discurso, após receber o resultado da última eleição, o prefeito Emanuel Pinheiro deixou claro que a gestão do Município sempre estará disponível para debater todas as ações que melhorem a vida da população cuiabana. Acontece que, para que um debate realmente seja uma verdade, esse processo necessariamente deve cumprir etapas como argumentar, ouvir, analisar e, por fim, tomar uma decisão em conjunto.

Essas etapas, essenciais principalmente em assuntos que envolvem mais de 600 mil pessoas, até o presente momento, continuam sendo completamente negligenciadas pelo Governo do Estado de Mato Grosso. O recente caso da troca do Veículo Leve sobre Trilho (VLT) pelo Bus Rapid Transit (BRT) é um grande exemplo dessa dificuldade que a Prefeitura de Cuiabá tem encontrado quando se depara com demandas em que o Executivo estadual está envolvido.

Agora, depois de tomada uma decisão individualizada, se lembraram que existem as Prefeituras Municipais. Com convites para reuniões, as quais o Município não terá nenhuma voz, tentam criar um cenário para validar um discurso de decisão democrática que nunca existiu. Por meio da imprensa, acompanhamos declarações onde se é cobrada uma mudança de postura da Prefeitura de Cuiabá. Mas, qual é a postura que desejam da Capital? A de subserviência? Essa não terão!

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Defendemos sim um diálogo. No entanto, queremos que isso seja genuíno. Um diálogo em que as decisões que envolvam Cuiabá sejam tomadas em conjunto e não por meio da imposição. De que adianta convidar para um debate em que já existe uma decisão tomada? Isso não passa de um mero procedimento fantasioso, no qual a opinião do Município não possui qualquer valor.

Nem mesmo a própria população, que é quem utiliza de fato o transporte público, teve a oportunidade de ser ouvida. Isso não é democracia e muito menos demonstração de respeito com aqueles que depositaram nas urnas a confiança em uma gestão. Por conta dessa dificuldade de diálogo foi que o prefeito Emanuel Pinheiro criou Comitê de Análise Técnica para Definição do Modal de Transporte Público da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.

Queremos, de forma transparente, conhecer o projeto do BRT. Saber de maneira detalhada o custo da passagem, o valor do subsídio, tipo de combustível, e o destino da estrutura existente como os vagões do VLT e os trilhos já instalados em alguns pontos de Cuiabá e Várzea Grande.

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Confiamos nesse grupo e temos a certeza de que ele dará um verdadeiro diagnóstico para sociedade. Mas, isso será feito com diálogo. Como deve ser! E é por isso que o próprio Governo do Estado também está convidado para participar das discussões, antes de qualquer parecer, antes de qualquer tomada de decisão. Como deve ser!

Assim, em respeito ao Estado Democrático de Direito, devemos ouvir a população que é quem realmente vai utilizar o modal a ser escolhido, evitando decisões autoritárias de um governo que pouco ou quase nada ouve a voz rouca das ruas.

* Luis Claudio é secretário Municipal de Governo em Cuiabá, MT

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