O melhor detergente é a luz do sol
Rosenwal Rodrigues, trocando PV pelo PSB, e afinado com Zé Pedro Taques, pode marcar força dos servidores nesta eleição que expõe luta de classes em MT
O melhor detergente é a luz do sol
O comando nacional do Partido Socialista Brasileiro – PSB parece que percebeu que a luta de classes pode vir a ser o grande mote na disputa eleitoral que se travará neste ano no Estado de Mato Grosso. Por isso trabalha ferozmente, nos prazos finais da janela partidária, para tirar o sindicalista Rosenwal Rodrigues do Partido Verde, onde ele está inscrito e programado para fazer mera escadinha para a candidatura da professora Rosa Neide (PT), para se transformar no puxador de votos de uma chapa de deputados federais do PSB, partido que pretende trabalhar para radicalizar o confronto entre patrões e trabalhadores nas eleições deste ano no Estado.
Comandando a luta salarial dos servidores do Poder Judiciário, no ano passado, Rosenwal conseguiu se expressar com uma radicalidade que faltou à maioria das lideranças sindicais mato-grossenses. Com coragem notável, o presidente do Sinjusmat – Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso, confrontou não apenas os magistrados que compõem a direção do Tribunal de Justiça mas também o chefe do Executivo, governador Mauro Mendes (União) e a maioria dos deputados estaduais que compõem a Assembleia Legislativa de Mato Grosso – três poderes que se uniram com violência inesperada, na ocasião, para barrar o pagamento da recomposição salarial que a categoria tem reclamado há vários anos.
Líder destacado de uma mobilização trabalhista exemplar, Rosenwal soube também se perfilar entre os mais explosivos aliados do ex-governador e ex-procurador da República José Pedro Taques, na denúncia da roubalheira de recursos públicos no chamado Escândalo da OI, onde apareceram como comprometidos não só o empresário e governador Mauro Mendes, como seus familiares e um número enorme de apaniguados que gravitam em seu entorno, a começar pelo deputado federal e chefe da Casa Civil Fábio Garcia. Formando a Facção Criminosa dos Bacanas, segundo Zé Pedro, eles teriam se aproveitado de uma negociação realizada nas sombras da gestão estadual, para pretensamente desviar nada menos que 308 milhões de reais dos cofres públicos – uma denuncia que Zé Pedro, com apoio ostensivo do plantel de sindicalistas coordenados por Rosenwal Rodrigues, fizeram viralizar a partir de campanhas irreverentes nas redes sociais, tocadas no ritmo do refrão em cuiabanês do “Panhou ou Não Panhou?”.
De imediato, Rosenwal parece ter percebido o boqueirão político que se abria à sua frente, notadamente devido às vacilações de outros sindicalistas, como o presidente do Sinpaig-MT, Antônio Wagner de Oliveira, e o dirigente do Sintep-MT e presidente regional da CUT – Central Única dos Trabalhadores, o professor Henrique Lopes, que, apesar de intensamente envolvidos na denúncia dos escândalos da OI e dos empréstimos consignados, não deram o devido respaldo político-partidário ao ex-governador José Pedro Taques que, paralelamente à sua atuação em defesa dos servidores públicos estaduais, se lançou de imediato no processo de reconstrução do PSB em Mato Grosso e da sua pré-candidatura a senador da República pelo Estado, em confronto direto com Mauro Mendes.
Antônio Wagner, em sua vacilação, ainda é visto como apoiador da candidatura a senadora da deputada estadual Janaina Riva (MDB) – herdeira de Zé Riva, ex- chefão da Assembleia Legislativa e já condenado e réu confesso, ao lado do ex-governador Silval Barbosa, despontando como responsável por um rombo nos cofres públicos que, de acordo com o MP-MT, superou a casa dos 4 bilhões de reais.
Janaina também tem contra ela o fato de comandar uma das facções politicas do bolsonarismo golpista em Mato Grosso, na condição de aliada do senador Wellington Fagundes (PL). Ela também é responsável pela descaracterização politica do MDB mato-grossense, transformado em puxadinho da aliança política dos extremistas de direita em nosso Estado.
Henrique Lopes, por outro lado, apesar de comandar o sindicato que representa a maior categoria de servidores estaduais, que são os profissionais da Educação, tem se comportado com um evidente sectarismo em relação às demais categorias e sindicatos, trabalhando contra a representatividade da Federação dos Servidores Públicos, comandada pela sindicalista Carmen Machado, já que tem preferido se guiar caninamente pelos ditames do Partido dos Trabalhadores que, em Mato Grosso, se subordinou à orientação política de um setor do Agronegócio, comandada pelos ruralistas Blairo Maggi, Eraí Maggi e Carlos Fávaro que, curiosamente, também se alinham à direita com o governador Mauro Mendes já que as lideranças no Agro, repudiando a candidatura de José Pedro Taques, tem defendido abertamente uma espécie de frente ampla lulista pantaneira, trabalhando pela eleição de Mauro Mendes como senador numa ponta e pela eleição de Carlos Fávaro, na outra ponta. Dessa forma, o sindicalismo cutista aparece assim, em Mato Grosso, como mero marionete dos interesses dos grandes empresários do Agro que, em contrapartida, tratam também de compor a grande frente ampla política nacional que, comandada pelo velho sindicalista metalúrgico Luis Inácio Lula da Silva, aos trancos e barrancos, segue conduzindo a atual presidência da República do Brasil.
Favorecida por toda esta confusão ideológica que tem marcado a política de Mato Grosso, onde o bolsonarismo extremista continua a dominar municípios importantes como Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Sinop, a candidatura a deputado federal de Rosenwal Rodrigues passa a ser apontada pela direção nacional do PSB como um fator de importante reposicionamento do Partido Socialista no Estado, já que, até recentemente, sob o comando do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi, o PSB aparecia como mais um dos marionetes partidários que o governador Mauro Mendes administrava.
Com Rosenwal Rodrigues articulando em torno de sua candidatura a força do sindicalismo do serviço público, a expectativa do PSB é dar uma grande passo para se transformar em importante força política à esquerda dentro de Mato Grosso. Tanto que tem sido o próprio vice-presidente da República, o médico e ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin que, segundo as fontes deste blogue, tem conduzido as negociações que podem levar Rosenwal a trocar, ainda neste final de semana, o Partido Verde pelo PSB e passar a gerenciar um processo de fortalecimento da candidatura de José Pedro Taques a senador e de afirmação dos interesses classistas dos servidores públicos dentro de uma eleição em que, nos últimos anos, o que tem prevalecido tem sido a força da grana dos barões do Agro.
Esta possibilidade está sendo traçada nas negociações que marcam esta Sexta-Feira da Paixão em Mato Grosso e pode representar, até domingo, dia em que se comemora a Páscoa, com a ressurreição de Jesus Cristo, a própria ressurreição de uma política de esquerda em nosso Estado, juntamente com a articulação de um sindicalismo minimamente combativo. A menos, é claro, que a força disruptiva da grana do Agro vença mais uma vez.
Enock Cavalcanti, 72, é jornalista e editor do blogue PAGINA DO ENOCK, que se edita a partir de Cuiabá, Mato Grosso, desde o ano de 2009.

José Pedro Taques, Rosenwal Rodrigues e Geraldo Alckmin – juntos no PSB?
O melhor detergente é a luz do sol
ELEIÇÕES 2026 – Sindicalistas querem detonar Mauro com mesma maldição com que Dante acabou detonado
O atual governador de Mato Grosso, o empresário Mauro Mendes, de viés bolsonarista, deve se afastar do governo, nos próximos dias, governo que será então entregue ao seu vice, o ruralista Otaviano Pivetta, outro bolsonarista, enquanto ele, MM, deve fazer campanha para senador da República, pelo União Brasil.
Sonhando com uma vida de delícias em Brasília, onde tantos se refestelam curtindo a “representação popular”, a esposa de Mauro, a socialite dona Virginia Mendes, se a saúde lhe permitir e não tiver novas recaídas, deve também disputar a eleição, buscando uma vaga de deputada federal. Ela e Mauro vão tentar montar um SER FAMILIA, versão Distrito Federal, bancado, sempre pelos recursos públicos.
Se os patriotários comprarem estas campanhas, Mauro e Virginia desfilarão por Brasilia, a partir de 2027, como um dos casais mais poderosos do Brasil, representando esse rico fazendão que o Agro mantém em Mato Grosso, exportando soja para alimentar porcos, vacas e galinhas da Ásia, da Europa e dos Estados Unidos. O fazendão MT também ceva, há alguns anos, alguns galinhos da política.
Contra esta pretensão do Mauro,todavia, já se ergueu o chamado Movimento Sindical Unificado de Mato Grosso, composto por sindicalistas que não rezam pela cartilha do governador e que já estão divulgando vídeos na grande rede da internet, condenando a candidatura do governador que alguns sindicalistas tratam de “governador Brucutu” – já que frustrou as demandas dos sindicatos, notadamente no que se refere ao pagamento de reajustes salariais às mais diversas categorias. Exceção dos membros da PGE e Sefaz que, segundo o Antônio Wagner, nadam de braçada.
A expectativa dos sindicalistas é fazer com que MM repita a performance macabra do então governador tucano Dante de Oliveira, que, no início da século 21, ao lado do seu então secretário e bate pau Antero Paes De Barros Neto, também passou à História como um governante que arrochou e prejudicou fortemente a vida e as carreiras dos servidores públicos de Mato Grosso. Só que acabou detonado.
Dante, o Mito mato-grossense, incensado por historiadores complacentes, governou Mato Grosso durante 8 anos, com forte apoio do governo #Sarney, e tentou depois se eleger senador mas acabou derrotado fragorosamente nas urnas, vindo a morrer alguns anos depois, em uma inesperada crise de diabetes. Dante que se sonhara até presidente da República, acabou como um cadáver precoce.
Quem conta a história de Dante, geralmente capricha na lembrança das Diretas Já, esquecendo-se que o antigo guerrilheiro do MR-8 – Movimento Revolucionário 8 de Outubro, uma vez alçado ao poder no fazendão de Mato Grosso, pulou pro lado da burguesia, e se empenhou em moldar o Estado para a explosão do Agro, reduzindo o tamanho da máquina pública, cortando milhares de empregos públicos, privatizando o banco estatal e uma série de empresas, para tornar mais leve, para os agroboys que viriam a seguir, a gestão do fazendão, voltada desde então, basicamente, para garantir e multiplicar a renda dos ruralistas, mesmo que à custa de afinar o “mato antes grosso” e avançar com a destruição do Meio Ambiente a níveis até então inimagináveis, tanto que hoje alguns cientistas já aventam até uma possível desertificação do Pantanal.
Sim, Dante foi um carrasco cruel dos servidores e abriu as porteiras para que o Agro transformasse MT no seu grande pasto de commodities e dólares. Nem nos Estados Unidos e na Europa se viu coisa igual.
Nesse ano de 2026, lembrando do que foi possível fazer contra o gestor malvadão tucano no ínício do século, servidores de Mato Grosso trabalham para que a maldição que se abateu sobre o antigo guerrilheiro Dante, convertido depois ao neoliberalismo, parceirão de Antero, levando-o até à morte, se abata também sobre Mauro Mendes. Curioso é que, este ano, Antero é um dos que também trabalham para detonar MM tal qual Dante foi detonado.
Evidentemente que o cenário não é tal e qual o cenário em que Dante acabou sendo levado ao fim. O próprio movimento sindical dito unificado não é tão unificado assim, com o principal dos sindicatos mato-grossenses, o Sintep, dos trabalhadores da Educação, se rebelando contra o comando da Federação dos Servidores Públicos, e se abraçando com um dos braços do Agro, que é aquele comandado pelo PSD do ruralista Carlos Fávaro, títere da familia Maggi, a mesma familia Maggi que também abençoa o Mauro Mendes. Dá pra entender? É bem Mato Grosso!
Por outro lado, e para surpresa geral, o candidato mais direto do bolsonarismo ao Governo de Mato Grosso, o senador transformista Wellington Fagundes, inverte a cartilha da direita e já fala em garantir para os servidores públicos todos aqueles direitos trabalhistas e sociais que Mauro Mendes lhes negou ao longo de 8 anos. “Eu vou pagar o atrasado do RGA e manter o pagamento do reajuste anualmente em dia”, garante Wellington que agora aparece em cena com cabelos espevitados à moda punk, como um inacreditável personagem dos comics do quadrinista Angeli.
Surgindo atabalhoadamente à direita, mas garantindo que está também à esquerda, a médica Natasha Slhessarenko – filha de Serys Slhessarenko, a professorinha que acabou senadora no lugar do natimorto Dante – ensaia uma guerrilha feminista contra o ruralista Otaviano Pivetta, tentando provar, sim, que Pivetta, mais que um produtor rural de sucesso, seria um espancador de mulheres.
As eleições se aproximam e flertando com os servidores, também surge o zumbi José Pedro Taques, escorraçado no passado como um gestor que também trabalhou fortemente, ao lado do seu primo Paulo Taques, pelo desmonte do serviço público – mas que agora tenta sua ressurreição, fazendo do combate à corrupção estatal, o mote de sua campanha, que mira a testa do governador Mauro Mendes e denuncia o uso da máquina pública para encher os cofres não só da família do próprio governador Mauro e seu filho Luizinho, como também de seus parceiros empresariais e apaniguados políticos, tais como o deputado federal e chefe da Casa Civil Fábio Garcia e seu pai, o Berinho Garcia.
A campanha eleitoral nem começou – e o deputado estadual Wilson Santos, um transformista que se comporta sempre como uma verdadeira metamorfose ambulante, já prevê que ela, a campanha, será marcada por muito sangue, suor e lágrimas.
Só me resta torcer para que neste altar de sacrifícios que tende a se transformar a disputa eleitoral, quem mesmo chore e esperneie seja o povo pobre deste Estado, ao qual sempre cabe, neste Mato Grosso, o papel de bode expiatório. Por piedade, ó Senhor dos Exércitos!
ENOCK CAVALCANTI, 72, é jornalista e editor do blogue PAGINA DO ENOCK, que se edita a partir de Cuiabá, Mato Grosso, desde o ano de 2009.

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