Zé Pedro Taques deve agir para punir rápida e exemplarmente meliantes que usaram e abusaram de grampos ilegais em MT

Zaque, Taques e os grampos

POR ENOCK CAVALCANTI

 

Meus amigos, meus inimigos: estamos todos atolados no lodaçal dos grampos ilegais. O que mais interessa, nesse momento, senão saber quem foram os aloprados que montaram esta trama sinistra, à sombra da Polícia Militar e do Governo de Mato Grosso?

O supremo pacto de convivência entre todos nós é a Lei. O que acontece quando se percebe que não só os assaltantes e os traficantes de droga são aqueles que confrontam ousadamente a Legislação? O que acontece quando aparece uma suspeita de que criminosos estariam agindo também sob o manto do Poder Executivo Estadual?

É evidente que, alertado para o crime, o governador Zé Pedro Taques deve agir para punir rápida e exemplarmente esses meliantes que usaram e abusaram de grampos ilegais, impostos pela Justiça sob falsa alegação, justamente para espionarem autoridades públicas, advogados, jornalistas, servidores e, notadamente, militantes na Oposição.

O promotor Mauro Zaque diz que alertou o governador, no já longínquo ano de 2015, sobre a prática criminosa. Zé Pedro teria pedido um tempo para agir. O problema teria sido repassado pelo governante e pelo seu secretário José Arlindo ao Ministério Público. Só que o tempo passou e como não se falava em apuração nenhuma, Zaque diz que resolveu apelar, então, para o MPF.

O Governo do Estado dá a entender que existe uma situação de confronto entre os atuais governantes e o ex-secretário de Segurança Pública. Mauro Zaque foi chamado de fraudador pelo governador, diante de um bando de jornalistas, por causa de um protocolo de documento pretensamente duplicado junto à Casa Civil. Mas o protocolo, diz Zaque, é questão menos importante, acessória. O fundamental é saber quem é que corrompeu as investigações policiais do atual governo dentro da “barriga de aluguel” que teve um aval do Judiciário que o desembargador Ruy Ramos diz que foi resultado de uma indução ao erro.

O que a sociedade mato-grossense reclama, como já sintetizou o advogado Sebastião Carlos, é saber: 1) Se não foi Zé Pedro ou Paulo Taques, que autoridade solicitou esses grampos? 2) Que juiz deu a autorização? 3) Qual o propósito das escutas dos nomes incluídos na “barriga de aluguel”? 4) Quais pessoas ou órgãos tiveram delas conhecimento e receberam degravações? Elas chegaram ao gabinete do governador? 5) Qual o período abrangido? 6) Quantas e quais pessoas foram interceptadas? 7) Por que o Gaeco que, como se anuncia, havia sido comunicado pelo governador e pelo José Arlindo, não deu prosseguimento, em 2015, à investigação e ao encaminhamento das possíveis punições? 8) Que outras autoridades tiveram conhecimento dessa prática nefanda? 9) Sabendo-se que a ilegalidade era já conhecida desde 2015, porque somente agora foi revelada? Respondidas estas questões, que venham as punições, de forma implacável, no rigor da Lei.

ENOCK CAVALCANTI, jornalista e blogueiro, é editor de Cultura do Diário

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