ZÉ PEDRO TAQUES CONTRA WANDERSON NUNES DE SIQUEIRA: Eleição para comando da Associação dos Oficiais da PM em MT ganha contornos políticos.A cúpula dos majores e tenentes ressaltam que o governador Pedro Taques se movimentou para eleger simpatizantes de seu projeto político em outras instituições como a Aprosoja e a OAB. Porém, saiu derrotado em ambas. O presidente da Associação dos Subtenentes e Sargentos, Luciano Esteves, afirma que todos os militares da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros estão com as atenções voltadas para a eleição da ASSOF. “Primeiro por causa das conquistas recentes da categoria. E segundo por causa do aparato do governo na eleição que está nítido. Já houve interferência do governo em outras entidades de classe e não seria diferente agora”.

Zé Pedro Taques, governador, no comando do Corpo de Bombeiros e Wanderson Nunes de Siqueira, presidente da Assof, apoiado por todas as associações de militares

Zé Pedro Taques, governador, no comando do Corpo de Bombeiros e Wanderson Nunes de Siqueira, presidente da Assof, apoiado por todas as associações de militares

INTERFERÊNCIA

Eleição em associação da PM em MT ganha contornos políticos

Pleito será realizado no dia 22 de julho e mobiliza 560 oficiais da PM e Bombeiros

RAFAEL COSTA
DO FOLHAMAX

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Gabriel Leal e Wanderson Nunes

A eleição para a presidência da Associação dos Oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso (ASSOF-MT) a ser realizada no dia 22 de julho tem mobilizado a categoria e ganhado até repercussão política. Nos últimos anos, a ASSOF liderou manifestações de policiais militares e participou ativamente de movimentos em favor dos servidores públicos.

Por isso, a presidência da associação, que em outras épocas não tinha concorrência, passou a ganhar uma importância dentro e fora da Polícia Militar. A expectativa é de que a eleição do dia 22 de julho mobilize oficiais da Polícia Militar de todo o Estado e mesmo as associações dos praças que, em tese, não teriam nada a ver com a eleição da ASSOF, também já estão se movimentando em busca de apoio para as chapas que defendem.

No total, serão 560 votantes que são oficiais de tenente a coronel, consideradas patentes elevadas da corporação. O atual presidente e candidato à reeleição é o tenente-coronel Wanderson Nunes de Siqueira, que adotou postura de independência em relação ao Governo do Estado.

Ainda na gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), o tenente-coronel foi o responsável pela mobilização da categoria em defesa de reajuste salarial que implicou até em ameaça de aquartelamento para pressionar o Executivo. Posteriormente, na gestão do governador Pedro Taques (PSDB), manteve-se independente e foi responsável em liderar protestos de policiais militares diante da proposta que tentou limitar o direito dos militares de receber uma gratificação para custear a alimentação em serviço. Recentemente, foi uma das vozes ativas do Fórum Sindical na luta pelo pagamento integral da RGA (Revisão Geral Anual) de 11,28%.

Na atual disputa, o tenente-coronel Wanderson Siqueira afirma que sua prioridade é a continuidade do trabalho de valorização do oficial da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, e elenca o que considera de conquistas obtidas em sua gestão. “Em nossa gestão conseguimos o maior aumento salarial da história da PM e dos Bombeiros e destravar a promoção dos oficiais que passou a ter critérios objetivos. Conseguimos ainda inaugurar nossa sede social em Cuiabá”, disse.

Questionado a respeito de alguma interferência política, o tenente-coronel afirma que os comentários são frequentes, mas diz não acreditar nisso. “Tem um boato correndo na instituição de que o governo, por meio do deputado Pery Taborelli e outras pessoas próximas, estaria fazendo ingerência pela mudança da associação. Não consigo imaginar um governo se preocupando com uma entidade de classe, ainda que sejamos uma categoria expressiva. É até natural que o Taborelli, por ser da base do governo, tenha feito campanha explícita para outra chapa, pois ali tem membros que fazem ou fizeram parte do governo por meio de assessorias e cargos de confiança”, afirmou.

No entanto, são frequentes os comentários na categoria militar de que o Executivo acompanha de perto a disputa interna da ASSOF. A cúpula dos majores e tenentes ressaltam que o governador Pedro Taques se movimentou para eleger simpatizantes de seu projeto político em outras instituições como a Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso) e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Porém, saiu derrotada em ambas.

O presidente da Associação dos Subtenentes e Sargentos, Luciano Esteves, afirma que todos os militares da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros estão com as atenções voltadas para a eleição da ASSOF.

“Primeiro por causa das conquistas recentes da categoria. E segundo por causa do aparato do governo na eleição que está nítido. Já houve interferência do governo em outras entidades de classe e não seria diferente agora”.

RENOVAÇÃO

O candidato da chapa 20, denominada Integração, major Gabriel Leal, afirma que suas propostas são pautadas pela valorização dos oficiais da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, com o foco em questões centrais. “A primeira é a defesa intransigente dos oficiais para serem beneficiados com aquilo que é assegurado pelo estatuto e atualmente é negligenciado. Em segundo, uma gestão transparente e com a participação dos associados nas decisões administrativas. Em terceiro, garantir uma assessoria jurídica integral aos PMs, sem necessidade de cobrança de percentual”, disse.

Questionado a respeito de alguma conotação política na disputa, o major Gabriel Leal afirma veementemente que não vê tal movimentação e atribui tais comentários a questões inerentes à disputa. “Ninguém tem rabo preso com governo. Todos querem uma gestão independente. Esse é mais um argumento de disputa do que de um fato. Sou um candidato jovem e busco renovar a instituição. Esse argumento de que somos uma chapa governista não condiz com a realidade. Temos o apoio daqueles que colaboram com os oficiais”, ressalta.

O major Gabriel Leal é considerado um dos quadros mais qualificados da Polícia Militar de Mato Grosso, sendo reconhecidamente doutor em educação pela Universidade de São Paulo (USP). Com discurso pacífico, o major reconhece avanços na gestão do tenente-coronel Wanderson Nunes de Siqueira e atribui sua participação na disputa a um desejo de renovação. “Eu me coloco à disposição, contribuindo com uma chapa nova e que agrega à categoria, para lutar pelo que entendemos de melhor. Não existe vencedor ou perdedor nesta disputa. Quem ganha no final de todo esse processo é a associação”, ressalta.

 

FONTE FOLHA MAX

Categorias:Cidadania

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