Pignati cobra incentivo à produção de alimentos orgânicos

Os produtores que optam em não usar qualquer tipo de fertilizante nas suas plantações que não seja natural, enfrentam obstáculos como dificuldade para se obter financiamento e juros elevados, afirmou o professor Wanderlei Pignati, do Instituto de Saúde coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Falta de incentivos encarece alimentos orgânicos, diz professor

Por Michely Figueiredo
PNB ON LINE

A falta de incentivos e subsídios para a produção de alimentos sem o uso de agrotóxicos encarece os orgânicos e impede uma maior expansão do setor. Enquanto que para os pesticidas os agricultores são isentos de pagar impostos, como justificativa para aumentar a produção, os produtores que optam em não usar qualquer tipo de fertilizante nas suas plantações que não seja natural, enfrentam obstáculos como dificuldade para se obter financiamento e juros elevados, afirmou o professor Wanderlei Pignati, do Instituto de Saúde coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Há dez anos coordenando e pesquisando a utilização de agrotóxicos em Mato Grosso, Pignati ressaltou em entrevista à Rádio CBN – AM 590, na manhã desta terça-feira (21), que o Estado, atualmente, além de ser o maior consumidor de pesticidas do mundo, utiliza, pelo menos, 22 fertilizantes que são proibidos em vários lugares, como na União Européia.

“Para se ter uma ideia, o Endosulflan, que é um tipo de inseticida, é proibido na União Européia desde 1985. No Brasil, ele passará a ser proibido somente a partir do próximo ano”, observou Pignati.

As consequências do uso exagerado dos agrotóxicos podem ser melhor notadas no meio ambiente, com a extinção de várias espécies de insetos e peixes, por exemplo, além dos prejuízos causados à saúde das pessoas.

Os malefícios ao corpo, de acordo com o professor, podem ser divididos em intoxicações agudas e crônicas. As primeiras dizem respeito às pessoas que acabam contaminadas – e em alguns casos até mortas – por trabalharem diretamente com pesticidas ou por morarem nas proximidades das lavouras onde são despejados os agrotóxicos .

Já as intoxicações crônicas são aquelas causadas ao longo dos anos, pela ingestão de alimentos contaminados, ainda que em pequenas doses. Como resultado disso, tem-se o aparecimento de câncer, bebês com má formação genética e distúrbios endócrinos e neurológicos.

“Não estou dizendo que a única causa de má formação genética ou do aparecimento de câncer, por exemplo, são os agrotóxicos, e sim que eles são uma dessas causas, se não for a principal. Estudos de mestrado e doutorado comprovam que nas regiões que mais se usa pesticidas, são aquelas que possuem uma incidência maior dessas doenças”, pontuou Pignati.

No ano passado, uma pesquisa coordenada pelo professor constatou que, em Lucas do Rio Verde, o leite materno de boa parte das gestantes da cidade estava contaminado com substâncias de pesticidas.

Na avaliação de Pignati, para contornar o problema, primeiramente os produtores deveriam tomar consciência de que os prejuízos para o meio ambiente e para a saúde são maiores do que os ganhos com o aumento da produtividade. Segundo, fazer cumprir as leis que disciplinam o uso de agrotóxicos. Não é permitida a aplicação terrestre se não houver uma distância mínima de 300 metros das lavouras aos mananciais, vilas e comunidades. Para a aplicação aérea, essa distância aumenta para 500 metros.

“São poucas as fazendas que obedecem à legislação, falta fiscalização”, afirmou o professor.

Para finalizar, Pignati ressaltou que é preciso fazer uma transição, a médio prazo, do atual modelo de produção para o agroecológico, que não utiliza produtos químicos nas plantações e que, atualmente, é a principal tendência na agricultura européia.

2 Comentários

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 177.68.118.58 - Responder

    Gostei muito das informações desse texto.

  2. - IP 177.68.118.58 - Responder

    Vou explicar aos meus alunos, Grata!

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

10 + 13 =