VICENTE VUOLO: Agora que o vice-presidente da República, Michel Temer, vem a Cuiabá, nada mais justo que render-lhe homenagens pelo serviço prestado ao povo de Mato Grosso e pedir-lhe que continue a defender a Ferrovia Vicente Vuolo

 

Michel Temer, advogado e doutor em Direito, é o atual vice-presidente da República, pelo PMDB

Michel Temer, advogado e doutor em Direito, é o atual vice-presidente da República, pelo PMDB

TEMER REFORÇA FERROVIA

 Vicente Vuolo

 

 

                   No momento em que estamos às vésperas de receber o Vice-Presidente da República, Michel Temer, em Cuiabá, achei oportuno relembrar um marco importante e decisivo em relação a ferrovia para Mato Grosso.

                   É do conhecimento de todos que o maior obstáculo para a ferrovia chegar a Mato Grosso foi a construção da ponte rodo-ferroviária sobre o Rio Paraná entre Rubinéia (SP) e Aparecida do Taboado (MS). Isto porque, a ferrovia já estava funcionando de Santos – São Paulo – Rubinéia. Ou seja, até as barrancas do Rio Paraná. A travessia era feita por balsas, dificultando o transporte de cargas e passageiros. Isso sem contar, que tanto a MS-306 e a MT-100 não estavam pavimentadas. Lembro com carinho os momentos com o meu pai, minha mãe e o jornalista José Eduardo do Espírito Santo numa das balsas, conversando com caminhoneiros e outros transeuntes. Todos com grande expectativa pela construção da ponte.

                   Parecia uma missão impossível. Quando Euclides da Cunha escreveu em seu livro “Contrastes e Confrontos” a referida obra estava “mercê de uma ponte de 800 metros sobre o grande rio”. Com a construção da barragem de Ilha Solteira, a parte mais estreita passou a ser de 3.600 metros. E teria que ser rodo-ferroviária. Por defender a ponte, o Senador Vuolo foi chamado de “louco”, “doido varrido”… muitos consideravam, à época, um projeto utópico.

                   Após inúmeras reuniões, mobilizações nos três Estados São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a obra foi iniciada com o Governador Orestes Quércia e seqüenciada pelo Governador Luis Antonio Fleury. Quando coube ao Governo Federal – na época, o presidente era Fernando Henrique Cardoso – a contrapartida para a conclusão, as obras foram paralisadas, em 1995, inexplicavelmente.

                   Foi desencadeada uma grande mobilização nacional, liderada pelo senador Vuolo na tentativa de demover o governo federal da decisão de parar a obra. Foram realizadas audiências com o ministro dos Transportes, com o próprio Presidente FHC, encontro nas margens do Rio Paraná entre os três governadores, Mário Covas, Wilson Barbosa Martins e Dante de Oliveira, Manifesto de Vuolo “Paralisar a Ponte Rodo-ferroviária é Crime Doloso” que foi lido na íntegra do Plenário da Câmara dos Deputados pelo deputado Gilney Viana. Até que, foi criada uma Comissão Mista do Congresso Nacional formada pelos senadores Carlos Bezerra, Romeu Tuma, Ramez Tebet e deputados Moreira Franco, Edinho Araújo e Michel Temer (Presidente da Câmara dos Deputados) que visitou a obra e deu parecer favorável ao reinício imediato.

                   Em 1997, as obras foram retomadas. Representei o meu pai na solenidade. E o governador Mario Covas me designou para fazer a abertura do evento.

                   Para tentar bloquear a obra falava-se tudo, inventaram que a gigantesca obra viraria um elefante branco, e nesse momento foi decisiva a força política de Michel Temer. Com o seu prestígio de ter sido presidente da Câmara dos Deputados três vezes, e naquele período da história republicana, apontado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) como mais influente do Congresso Nacional, o seu apoio foi fundamental para o reinício das obras e o prolongamento dos trilhos até Rondonópolis, cerca de 200 quilômetros de Cuiabá.

                   Agora que o vice-presidente da República vem a Cuiabá, nada mais justo que render-lhe homenagens pelo serviço prestado ao povo de Mato Grosso e pedir-lhe que continue a defender a ferrovia, falta pouco, mas o apoio dele pode trazer os trilhos chegarem mais rápido.

vicente vuolo 

Vicente Vuolo é cientista político e analista legislativo no Senado Federal

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1 Comentário

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  1. - IP 186.231.10.2 - Responder

    Utilizei as balsas centenas de vezes, demorava certa de 40/50 minutos para atravessar o Rio Paraná. Hoje, com a ponte, a travessia não demora mais de 5 minutos. Essa ponte facilitou a vida de todo mundo, principalmente, do transporte de cargas.

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