Vicente Vuolo acompanhou reunião do Parlamento Latinoamericano, o Parlatino, em Aruba, que debateu rumos para a Eficiência Energética. “Ouvindo as ponderações, transportei-me para Mato Grosso. O Atlas Solarimétrico do Brasil informa que Mato Grosso tem uma média de insolação diária que ultrapassa 6 horas. Mais que suficiente para que a geração de energia, por meio de placas fotovoltaicas instaladas nos telhados das universidades, das casas, das empresas, seja suficiente para que a conta de luz caia a próximo de zero na maioria dos casos”

Reunião do Parlatino

Reunião do Parlatino

Mar… e… Sol

Vicente Vuolo
Escrever sobre o mar e sol, ainda mais do Caribe, é inspirador para qualquer articulista. Mas, o encanto das pessoas pode perfeitamente superar essa maravilha natural. Foi o que aconteceu na última reunião do Parlamento Latinoamericano – Parlatino, realizado na cidade de Oranjestad, em Aruba.

A deputada Marissol Lopez, representante do Parlamento Arubiano, roubou a cena. A presidente do Parlatino daquela colônia holandesa conduziu com brilhantismo os trabalhos do Parlamento Latinoamericano, tendo desenhado em todos os presentes o retrato da dedicação, espírito público e amor pela natureza. Segundo Marissol, todos os países americanos têm que se engajar em defesa do meio ambiente e energias renováveis. Aruba vem priorizando esse setor. Hoje, o aeroporto da cidade é autossuficiente com os painéis fotovoltaicos. As iluminações das ruas recebem energia solar. E a água que vem do mar, durante o processo de dessaninalização gera energia para abastecer a ilha.

Se Marissol encantou por sua beleza, pela forma de defender a pátria, ostentada nas cores da bandeira do seu país: o branco da areia límpida; o azul do mar cristalino; o amarelo do sol irradiante o ano todo; e o vermelho da estrela solitária simbolizando o sangue derramado. Se ela defendeu maior integração entre os povos, já que os problemas são comuns. Nós, também, temos que nos orgulhar do Parlatino brasileiro.

O Parlatino brasileiro está cada vez mais verde e solidário com a preservação das nossas riquezas naturais. Os quatro senadores do país ergueram a bandeira do desenvolvimento sustentável nas Américas. E não é de hoje! O senador Antonio Anastasia, quando governador de Minas Gerais, executou no município de Extrema um projeto que tem protegido nascentes para garantir o estoque da água, o que o levou a receber o prêmio da ONU de melhores práticas ambientais no planeta, com seu Programa Conservador das Águas. O senador Roberto Rocha é o presidente da Frente Parlamentar da “Rota das Emoções”, que liga o Maranhão ao Piauí e Ceará num dos roteiros mais paradisíacos do mundo. O senador Roberto Requião tem relevantes serviços prestados aos irmãos latinos. Ele é o autor de um projeto inovador – quando governador do Paraná – de um intercâmbio educacional Paraná-Paraguai onde centenas de estudantes paraguaios estudaram em Colégios Agrícolas do interior do Estado. Como declarou Antônio Fernando da Cruz de Mello, Cônsul-Geral do Brasil em Cidade de Leste, em uma das solenidades de assinatura de convênios entre o governo do Paraná e governos de Estados do Paraguai, o atendimento aos estudantes paraguaios é inédito: “Pela primeira vez um Estado brasileiro disponibiliza bolsas de estudo a pessoas carentes que poderão ser catalisadores de desenvolvimento e multiplicadores desta ação que trará a médio prazo um impacto expressivo naquele país”, disse.

Completando a representação brasileira, tivemos o senador Hélio José (DF), engenheiro eletricista de formação, que apresentou um projeto de lei muito elogiado, para estimular o desenvolvimento e a aplicação de energias limpas e sustentáveis no continente. Ele é grande defensor de um projeto de integração energética na América Latina sobre energias renováveis. Na discussão do projeto do senador Hélio José (Lei Marco da Energia Renovável) a iniciativa foi apoiada por todos e ele acabou despontando como uma liderança na área. Ouvindo suas ponderações, transportei-me para Mato Grosso. O Atlas Solarimétrico do Brasil (Editora Universitária da UFPE, 2000), informa que Mato Grosso tem uma média de insolação diária que ultrapassa 6 horas. Mais que suficiente para que a geração de energia, por meio de placas fotovoltaicas instaladas nos telhados das universidades, das casas, das empresas, seja suficiente para que a conta de luz caia a próximo de zero na maioria dos casos. Um empurrão e tanto na economia doméstica. Quantos empresários não poderiam, com isso, aumentar seus investimentos e gerar mais empregos?

Em um momento que o país passa por dificuldades econômicas e apresenta redução nas oportunidades de emprego, tratar das energias renováveis é uma boa medida, tanto de economia (redução na conta de luz), quanto no investimento agregado (que produz novos empregos).

É hora de debatermos isso. Um gesto requisitado pelo Planeta, que precisará reduzir as emissões de carbono, que aumenta o efeito estufa. Um gesto requisitado pelas famílias, que precisam reduzir os custos da conta de luz. E também uma necessidade das empresas, que precisam direcionar seus recursos para novos investimentos.

 

vicente-vuolo-economista-18-03-10
VICENTE VUOLO é economista, cientista político e analista legislativo do Senado Federal.
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