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VEXAME NO TJ-MT: Em meio a guerra de egos, Sakamoto e Alberto Ferreira não julgam HC e Faiad continua submetido a banho gelado na prisão

A surpreendente politização dos julgamentos dos chamados “crimes da quadrilha do Silval” está transformando o Tribunal de Justiça de Mato Grosso em uma espécie de Casa da Mãe Joana.
O habeas corpus impetrado em favor do paciente o advogado Francisco Faiad não foi julgado até agora porque os desembargadores Pedro Sakamoto e Alberto Ferreira resolveram entrar numa guerra de egos e ficar jogando de um para cima do outro a responsabilidade de decidir a questão que desponta como uma espécie de batata quente, já que grande maioria dos operadores do Direito, em nosso Estado, identificam o forte viés político que atravessa todos estes julgamentos.
Uma questão interna corpore que, de repente, vai eternizando uma possível e grave injustiça cometida a partir da ordem de prisão exarada pela juíza Selma Arruda que, acatando pedido formulado pela promotora Ana Cristina Bardusco, resolvera segregar o Dr. Faiad da sociedade, entre outras coisas, simplesmente pelo fato de ser advogado, aspecto escabroso destacado no HC pelos advogados Valber Melo e Ulisses Rabaneda e também em manifestações públicas que nos chegaram dos conceituados advogados Renato Gomes Nery, João Cunha, Marcos Dantas, Leonardo Campos e André Stumpf.
Enquanto Sakamoto e Ferreira duelam em torno das filigranas do regimento interno do TJ, nestes dias e noites de chuva fria e persistente, o respeitado e acatado ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, o Dr. Faiad, segue submetido à tortura dos banhos gelados no Centro de Custódia de Cuiabá, além do constrangimento dos espaços diminutos para sua acomodação, e também as dificuldades impostas por sua condição de diabético, fortemente dependente de insulina. Seria bom saber do conforto a que a juíza Selma Arruda e a promotora Ana Cristina Bardusco se entregam, na hora dos seus banhos e do seu desjejum.
Os vexames e humilhações a que está submetido o Dr. Faiad, pelo que se vê, são consequência direta do vexame que nos impõe, a todos nós, o Judiciário de Mato Grosso presidido pelo desembargador Rui Ramos, tendo como corregedora de Justiça a desembargadora Maria Aparecida Ribeiro e como chefe do MP o procurador Mauro Curvo.
Ó tempora, ó mores, ó Mato Grosso!

(Enock Cavalcanti, jornalista, blogueiro e advogado)

PS: Divulgo aqui o alerta que remete o advogado João Cunha (e por que tantos se calam?):

A JURISDIÇÃO COMO ATIVIDADE INDECLINÁVEL, A SER EXERCIDA PELO JUIZ NATURAL
A atividade jurisdicional é “indeclinável”, e somente pode ser exercida, caso a caso, pelo juiz natural.

De conformidade com o princípio do juiz natural, a demanda deverá ser sempre formulada perante um julgador cuja competência foi abstratamente fixada, em geral por regra legal prévia.

Taxativamente proibidos que são, pela Lei Maior (art. 5, XXXVII), os juízos e Tribunais de exceção, a jurisdição somente pode ser exercida por pessoa legalmente investida no poder de julgar, como integrante de algum dos órgãos do Poder Judiciário, previstos no art. 92 da Constituição Federal.

A sentença proferida por quem não for juiz (por exemplo, por juiz temporário, cujo prazo de nomeação já se tenha esgotado; ou por juiz já aposentado) é inexistente como ato judiciário.

Os juízes exercem jurisdição na medida de sua competência e mediante contraditório regular, obedecidos os ritos, formas e garantias previstos na lei processual.

A lei assegura, como já referido, a imparcialidade no exercício da jurisdição, quer atribuindo garantias aos magistrados (vitaliciedade, inamovibilidade, irredutibilidade de vencimentos), quer estipulando as hipóteses em que o juiz não deve julgar porque impedido ou suspeito (CPC, arts. 134 a 137).

Sendo indeclinável a jurisdição, não poderá o juiz delegar suas atribuições ou eximir-se de julgar, salvante, como dito, os casos de incompetência, impedimento e suspeição.

 

 

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BATATA QUENTE

Sakamoto remete HC de Faiad a Alberto, que devolve a Sakamoto; pleno deve definir relator

Midianews
Sakamoto remete HC de Faiad a Alberto, que devolve a Sakamoto; pleno deve definir relatorDesembargador Alberto Ferreira de Souza, do TJ-MT, que devolveu novamente HC a Pedro Sakamoto

ALEXANDRE APRÁALEXANDRE APRÁJornalista, editor do blog Isso É Notícia

O desembargador Alberto Ferreira de Souza devolveu, mais uma vez, o Habeas Corpus impetrado pela defesa do advogado Francisco Faiad, preso na Operação Sodoma, ao desembargador Pedro Sakamoto.

A disputa pela não-relatoria se dá pelo entendimento de quem é o relator prevento do caso na 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT).

No início da tarde, Sakamoto havia devolvido o HC alegando que a relatoria deveria ficar com o desembargador Alberto Ferreira.

Mas, no início da noite desta sexta, Alberto devolveu o HC a Sakamoto.

Na avaliação do desembargador, caso o desembargador Pedro Sakamoto entenda que não é o relator natural do HC deve suscitar conflito de competência e remeter o caso ao pleno do TJ, conforme prevê o regimento interno.

FONTE ISSOÉNOTICIA

Alberto Ferreira devolve mais uma vez para Pedro Sakamoto o HC de Faiad by Enock Cavalcanti on Scribd


Pedro Sakamoto, desembargador

OPERAÇÃO SODOMA

Sakamoto recusa HC e Faiad segue preso no CCC

Rafael Costa, repórter do Gazeta Digital

 

O desembargador Pedro Sakamoto se recusou a julgar o pedido de liberdade do ex-secretário de Estado de Administração, Francisco Faiad, preso preventivamente pela Polícia Civil na quinta fase da Operação Sodoma na terça-feira(14)

O magistrado entendeu que cabe ao desembargador Alberto Ferreira de Souza analisá-lo, pois é o relator prevento dos pedidos de habeas corpus protocolado pelos acusados de corrupção na Operação Sodoma da Polícia Civil.

Em síntese, tenho que os princípios do juiz natural da causa, da segurança jurídica e da celeridade processual determinam o respeito à prevenção do Exmo. Des. Alberto Ferreira de Souza para conhecer de todos os processos e recursos oriundos da “Operação Sodoma”, justificou.Sakamoto alegou que é necessário preservar o princípio do juiz natural.

O magistrado ainda ressaltou precedentes do Tribunal de Justiça em remeter o pedido de liberdade em habeas corpus ao relator provendo, pois o mesmo ocorreu na Operação Abadom relacionada ao tráfico de drogas.

A quinta fase da Operação Sodoma da Polícia Civil foi deflagrada na terça-feira (14) e está relacionada a investigação de fraudes em licitação, desvio de dinheiro público e pagamento de propinas, realizados pelos representantes da empresa Marmeleiro Auto Posto LTDA e Saga Comércio Serviço Tecnológico e Informática LTDA, em favorecimento à organização criminosa comandada pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

Os mandados de prisão foram cumpridos contra os investigados: Valdisio Juliano Viriato, Francisco Anis Faiad, Silval da Cunha Barbosa, Sílvio Cesar Corrêa Araújo, Jose Jesus Nunes Cordeiro. Entre os conduzidos coercitiva para interrogatórios estão: Wilson Luiz Soares, Mario Balbino Lemes Junior, Rafael Yamada Torres, Marcel Souza de Cursi, Valdecir Cardoso de Almeida.

Os suspeitos são investigados em fraudes à licitação, corrupção, peculato e organização criminosa em contratos celebrados entre as empresas Marmeleiro Auto Posto LTDA e Saga Comércio Serviço Tecnológico e Informática LTDA, nos anos de 2011 a 2014, com o Governo do Estado de Mato Grosso.

De acordo com a Polícia Civil, as empresas foram utilizadas pela organização criminosa, investigada na operação Sodoma, para desvios de recursos públicos e recebimento de vantagens indevidas, utilizando-se de duas importantes secretarias, a antiga Secretaria de Administração (Sad) e a Secretaria de Transporte e Pavimentação Urbana (Septu), antiga Secretaria de Infraestrutura (Sinfra).

As duas empresas, juntas, receberam aproximadamente R$ 300 milhões, entre os anos 2011 a 2014, do Estado de Mato Grosso, em licitações fraudadas. Com o dinheiro desviado efetuaram pagamento de propinas em benefício da organização criminosa no montante estimado em mais de R$ 7 milhões.

Íntegra da decisão:

Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de Francisco Anis Faiad, apontando como autoridade coatora a Dra. Selma Rosane Santos Arruda, Juíza de Direito da Sétima Vara Criminal da Comarca de Cuiabá/MT, que, no curso da denominada “Operação Sodoma”, decretou a prisão preventiva do ora paciente.

Conquanto o Excelentíssimo Desembargador Rondon Bassil Dower Filho tenha invocado a aplicabilidade do artigo 80, § 6º, do Regimento Interno deste sodalício, para, em face do desfecho do HC n. 143.911/2016, determinar a redistribuição do feito a este magistrado (p. 686), entendo que o eminente Desembargador Alberto Ferreira de Souza preserva a honrosa condição de relator prevento para os processos e recursos afetos à mencionada “operação”.

A aludida norma regimental dispõe que, “vencido o Relator, a prevenção recairá no Desembargador ou Juiz designado para lavrar o acórdão”.

No julgamento do HC n. 143.911/2016, impetrado em favor de Arnaldo Alves de Souza Neto, preso com a deflagração da 4ª fase da “Operação Sodoma”, Sua Excelência, na qualidade de relator daquele writ, votou pela denegação da ordem. Em seguida, inaugurei divergência para determinar a substituição da custódia por outras medidas cautelares – dentre elas a fiança –, no que fui acompanhado pelo 2º Vogal convocado, o Exmo. Des. Orlando de Almeida Perri.

Destarte, pela primeira (e, até o momento, única) vez desde que começaram a aportar nesta Corte os habeas corpus oriundos da “Operação Sodoma”, um voto divergente, de minha lavra, prevaleceu sobre o voto do ilustre relator, Des. Alberto Ferreira de Souza.

Com efeito, fiquei “vencido” em várias outras ocasiões relacionadas ao caso em tela, a exemplo do HC n. 129584/2015, HC n. 42061/2016, HC n. 48285/2016, HC n. 49754/2016, HC n. 49802/2016 e HC n. 65794/2016.

Assim, tenho que a simplista regra contida no art. 80, § 6º, do RI-TJMT é de inviável aplicação no vertente caso, porquanto a magnitude da persecutio criminis em curso e a multiplicidade de investigados e de réus tem ensejado a impetração de dúzias de habeas corpus perante este Tribunal, cada um recebendo solução jurisdicional própria – de acordo com as particularidades fático-processuais de cada paciente –, não sendo possível antever se, em eventuais julgamentos vindouros, os votos deste ou daquele magistrado que prevalecerão, mormente porque a composição do colegiado nas respectivas sessões seria uma verdadeira incógnita, ante o impedimento manifestado pelo Exmo. Des. Rondon Bassil Dower Filho.

Nesse cenário, a se conferir eficácia extensiva ao mencionado dispositivo regimental, deparar-nos-íamos com situação de absoluta instabilidade e insegurança quanto à definição da relatoria desses processos, uma vez que bastaria que o relator ficasse “vencido” em um julgamento para que todos os demais feitos fossem distribuídos ao vogal “vencedor”, e assim por diante.

Em síntese, tenho que os princípios do juiz natural da causa, da segurança jurídica e da celeridade processual determinam o respeito à prevenção do Exmo. Des. Alberto Ferreira de Souza para conhecer de todos os processos e recursos oriundos da “Operação Sodoma”.

Convém salientar que solução idêntica foi adotada nos procedimentos afetos à “Operação Abadom”, nos quais, originariamente, atuei como relator, ficando “vencido” no julgamento do HC n. 108.069/2013, no qual prevaleceu o voto do Exmo. Des. Marcos Machado, que, todavia, entendeu que a prevenção para as demais ações mandamentais recairia sobre este magistrado, in verbis:

“Trata-se de Habeas Corpus impetrado em favor de MARCIO SEVERO ARRIAL com a finalidade de que “sejam estendidos ao Paciente os efeitos da decisão que deferiu pedido liminar em favor de JOÃO BOSCO RIBEIRO BARROS E GLÁUCIA CRISTINA MOURA ALT nos autos do habeas corpus nº 157044/2013 (protocolado no Plantão Judiciário do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso), nos termos do artigo 580 do Código de Processo Penal”.

A e. Des.ª Maria Aparecida Ribeiro deferiu o pedido liminar para suspender “a audiência de instrução e julgamento designada para os dias 07, 08 e 09 de janeiro de 2014, às 09h e 30 min, nos autos de ação penal (Código 353139)”.

Pois bem.

Estes autos foram encaminhados a este órgão jurisdicional, por prevenção (RITJMT, arts. 23, § 2º, c/c 80, § 1º).

Todavia, este magistrado funcionou como redator designado apenas para lavratura dos acórdãos proferidos no julgamento do HC nº 108069/2013 e HC nº 108838/2013, impetrados em favor de João Bosco Ribeiro Barros e Gláucia Cristina Moura Alt, circunstância que justificaria a adoção do art. 80, § 6º, do RITJMT em relação a esses pacientes, muito embora a divergência sobre aplicação de medidas cautelares alternativas à prisão não se mostra capaz para alterar a competência do relator originário, s.m.j.

Outrossim, a relatoria para impetração ao paciente MARCIO SEVERO ARRIAL incumbe-se ao e. Des. Pedro Sakamoto (HC nº 109676/2013 – julgada em 06.11.2013).

Com essas considerações, determino a redistribuição deste HC ao e. Des. Pedro Sakamoto” (despacho proferido no HC n. 158579/2013).

Em caso análogo, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região assim decidiu: CONFLITO DE COMPETÊNCIA. PREVENÇÃO DO RELATOR: PRIMEIRO FEITO DISTRIBUIDO. REGIMENTO INTERNO. HIPÓTESE NA QUAL O RELATOR PREVENTO RESTA VENCIDO. LAVRATURA DE ACÓRDÃO POR OUTRO JULGADOR. ALCANCE DA PREVISÃO REGIMENTAL DA INVERSÃO DA PREVENÇÃO.

1. Em sintonia com preceito regimental, “a distribuição de mandado de segurança, de medida cautelar, de habeas corpus e de recurso cível ou criminal torna preventa a competência do relator e do órgão julgador para todos os recursos posteriores, tanto na ação quanto na execução, referentes ao mesmo processo.”…”Vencido o relator, a prevenção referir-se-á ao desembargador federal designado para lavrar o acórdão.” (RI – TRF.1, art. 163, caput e § 2º.)

2. A inversão regimental da prevenção do relator originário, acima referida, modificando a sua competência absoluta já firmada, limita-se estritamente ao caso no qual, tendo restado vencido, é designado outro julgador pela lavrar o acórdão, pois, do contrário, em cada sessão de julgamento de uma turma haveria a possibilidade real, em face das naturais divergências de entendimentos, de inversão, até por mais de uma vez, da competência firmada pela prevenção, num autêntico tumulto regimental de todo contra-indicado na perspectiva do princípio da efetividade do processo.

3. Conflito julgado improcedente. Declaração da competência do suscitante. (TRF1, Conflito de Competência n. 56245 MT 2007.01.00.056245-7, Rel. Des. Olindo Menezes, Corte Especial, julgado em 3.7.2008, publicado no DJF1 em 4.8.2008)

Peço vênia para transcrever trecho do voto do Des. Olindo Menezes no julgamento citado, por ilustrar raciocínio plenamente harmônico com o ora perfilhado:

“(…) a realização de operações policiais – documentadas em Inquéritos Policiais – encerra, a mais das vezes, a tomada de uma série de medidas constritivas, no campo da liberdade ou do patrimônio dos investigados. A insurgência contra tais medidas se materializa na forma de habeas corpus, apelações, recursos criminais e até mandados de segurança, como no presente caso.

O relator para o primeiro desses remédios processuais – seja recurso, seja ação autônoma de impugnação, seja sucedâneo recursal – ficará prevento para o processamento dos demais. Essa é a regra geral estabelecida pelo art. 163 do Regimento, que, aliás, consubstancia desdobramento do teor do art. 82 do Código de Processo Penal, segundo o qual “se, não obstante a conexão ou continência, forem instaurados processos diferentes, a autoridade da jurisdição prevalecente deverá avocar os processos que corram perante os outros juízes, salvo se já estiverem com sentença definitiva”.

Firmada a competência do Relator, resta saber se ocorre ou não modificação dessa competência, de forma universal, pelo fato de ter ficado vencido em um caso, com a lavratura do acórdão por outro julgador, ao que respondo negativamente. A modificação a que se refere o regimento, embora possa, na sua literalidade, comportar interpretação diversa, diz respeito somente ao feito no qual ficou vencido o relator, não se estendendo aos demais casos enlaçados pela prevenção.

Esse interpretação, por outro lado, tem respaldo na conjugação do art. 3º do Código de Processo Penal – a admitir a aplicação analógica do Código de Processo Civil – com o art. 87 deste último, que estabelece: “Art. 87 – Determina-se a competência no momento em que a ação é proposta. São irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem o órgão judiciário ou alterarem a competência em razão da matéria ou da hierarquia”.

Vige na teoria geral do direito processual a regra da imodificabilidade da competência absoluta, como o é aquela firmada em razão da prevenção, já que extraída da existência de conexão. O Código de Processo Civil, aqui invocado subsidiariamente, é explícito ao admitir apenas duas exceções a essa regra geral: quando houver supressão do órgão judiciário ou quando houver alteração da norma jurídica que rege a competência absoluta. O caso presente, se a letra do regimento não fosse suficiente para a solução do conflito, não se enquadraria em nenhuma das duas exceções delineadas.

Na verdade, os feitos incidentes extraídos de forma individualizada a partir do processo principal (Inquérito Policial) devem, em razão mesmo da conexão que os une, determinar a distribuição por prevenção a um Relator, no caso o Des. Federal Mário César Ribeiro. O fato de ter ficado vencido em um dos feitos incidentes – habeas corpus – não tem o condão de alterar a competência absoluta já firmada pela prevenção.

Não fora assim, a competência para processar os feitos oriundos de um mesmo Inquérito Policial poderia ser alterada a cada sessão de julgamento da Turma, a depender do resultado das ordens de habeas corpus impetradas, pois, se é verdade que o Relator originário ficara vencido em um desses feitos, poderá não o ser em outros da mesma extração. A regra de interpretação a respeito da competência absoluta não pode levar a uma maleabilidade desse jaez, porque o próprio princípio constitucional que rege a matéria – princípio do juiz natural – restaria comprometido em face das sucessivas modificações na relatoria dos feitos oriundos de uma mesma investigação policial.

Cumpre ressaltar, por oportuno, que o Des. Federal Mário César Ribeiro foi relator de diversos feitos tirados do mesmo Inquérito Policial ainda no ano de 2007 – HC de nºs 2007.01.00.039299-0, 2007.01.00.039417-4, 2007.01.00.039411-2, 2007.01.00.039412 e 2007.01.00.021701-9 –, não sendo mesmo recomendável, a essa altura, a modificação da competência firmado pela prevenção pelo simples fato de ter ficado vencido em um desses habeas corpus. A competência absoluta estava definitivamente firmada, não podendo ser alterada fora da moldura legal previsto do art. 87 do Código de Processo Civil” (destaquei).

Ex positis, em homenagem aos aludidos princípios, devolvo os autos a fim de que se proceda à redistribuição do writ ao eminente Des. Alberto Ferreira de Souza.

De resto, a despeito das frequentes (mas salutares!) divergências verificadas no colegiado, cumpre-me registrar o brilhantismo com que Sua Excelência tem atuado na relatoria nos feitos em comento.

Cuiabá, 17 de fevereiro de 2017.

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Presidente de tribunal da OAB diz que juíza “atacou a advocacia”

Argumentos da juíza deixaram membros OAB “estarrecidos”

Hugo Dias/HiperNotícias

André Stumpf: “Ela não foi muito feliz nessa fundamentação”

ANDRÉ FAUST
DO MIDIA NEWS

O presidente do Tribunal de Defesa das Prerrogativas (TDP) da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso, André Stumpf Jacob Gonçalves, disse que a juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado de Cuiabá, “atacou a advocacia” ao fundamentar a decisão que mandou prender preventivamente o advogado e ex-secretário de Estado Francisco Faiad.

 

Faiad, que foi presidente da OAB-MT por duas vezes, é acusado de participar de um esquema de cobrança de propina durante o período em que comandou a Secretaria de Administração, na gestão Silval Barbosa (PMDB). Ele foi preso nesta terça-feira (14) durante a 5ª fase da Operação Sodoma.

 

Para André Gonçalves, os fatos investigados na operação não tem qualquer relação com a função de Faiad como advogado. Logo, quando a juíza fundamentou a prisão preventiva afirmando que Faiad era advogado criminalista de alguns “figurões”, segundo Gonçalves, ela acabou por “criminalizar” a conduta de Faiad como profissional da advocacia.

 

O presidente do Conselho me telefonou, perguntando a forma e demonstrou indignação pelas razões que se encontram alicerçadas no fundamento dela [Selma Arruda]

O presidente do Tribunal de Defesa da OAB também disse que um procedimento interno para apurar o fato já foi aberto e que estuda requerer contra a juíza “um desagravo público e representações no Conselho Nacional de Justiça e na Corregedoria do Tribunal de Justiça de Mato Grosso”.

 

“Ela fez um ataque à classe de advocacia. Ela não foi muito feliz nessa fundamentação”, disse Gonçalves.

 

André Gonçalves também afirmou que o Conselho Federal da OAB está a par do caso e que as razões apresentadas pela juíza em sua argumentação deixou o próprio presidente nacional da OAB, Cláudio Lamachia, “estarrecido”.

“O presidente do Conselho me telefonou, perguntando a forma e demonstrou indignação pelas razões que se encontram alicerçadas no fundamento dela [Selma Arruda]”, contou.

 

Segundo ele, o presidente nacional da OAB virá para Mato Grosso em maio e, caso seja aprovado o desagravo público, é possível que Lamachia esteja presente para a ação.

 

Prisão preventiva

 

Ao decretar a prisão preventiva de Franciso Faiad, a juíza Selma Arruda observou que há “perigo iminente” de que ele utilize seus contatos sociais e políticos e de sua condição de advogado criminalista de “outros figurões” envolvidos em esquema de corrupção – a exemplo do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) – para acobertar provas, destruir documentos, aliciar testemunhas e “outras ações que poderão modificar o estado real das coisas, e com isso, alterar o resultado da instrução processual”

 

Marcus Mesquita/MidiaNews

Selma Arruda 080916

A juíza Selma Arruda, que foi alvo de críticas do presidente do Tribunal de Prerrogativas

Além disso, a juíza alertou para a suposta periculosidade de Faiad e da organização criminosa que ele é acusado de compor e afirmou que o mesmo poderia utilizar usa prerrogativa de advogado para “obter acesso em autos sigilosos”, com o objetivo de dificultar as investigações

 

Pedido de liberdade

 

Os advogados de Faiad, por sua vez, impetraram, nesta quarta-feira (15) um habeas corpus no Tribunal de Justiça de Mato Grosso para tentar a liberdade do ex-secretário.

 

Segundo os advogados, os crimes imputados a Faiad guardam relação com a função que ele deixou de exercer em 2013, “não havendo assim qualquer contemporaneidade no decreto prisional datado de mais de quatro anos após deixar a função de secretário”.

 

“Ninguém pode ser preso baseado apenas na palavra unilateral de um colaborador (delator), que ainda não passou pelo crivo do contraditório. Faiad é um profissional respeitado, advogado militante, podendo ser visto todos os dias nas lides forenses, de forma que é totalmente infundado o argumento de que se trata de alta periculosidade”, afirmaram.

FONTE MIDIA NEWS

Valber Melo e Ulisses Rabaneda pedem a Sakomoto liberdade para Francisco Faiad by Enock Cavalcanti on Scribd

Juíza Selma Arruda manda prender advogado Francisco Faiad et alli by Enock Cavalcanti on Scribd

1 Comentário

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  1. - IP 177.41.87.173 - Responder

    A cana e o choro são democráticos. Se nada houvesse contra o Faial, com certeza não estaria preso.A indignação do Enock,causa espanto.Ha algo de podre no reino.

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