VEREADOR DILEMÁRIO ALENCAR: Entra ano e sai ano, a mesma história se repete: os empresários elaboram uma planilha de custos e apresentam à Prefeitura que, por sua vez, faz os cálculos sobre o aumento da tarifa com base na planilha apresentada pelas empresas. Mas, cadê a planilha de lucros auferidos pelos empresários para ser auditada, bem como o apontamento de indicativos de investimentos em melhorias? Não existe. Um absurdo! Pois, assim, novamente os empresários poderão ser beneficiados com um aumento na tarifa que pode chegar a 22,60%, enquanto o índice da inflação medida pelo IPCA foi de 10,67%.

Dilemário Alencar, vereador e Mauro Mendes, prefeito de Cuiabá, Mato Grosso

Dilemário Alencar, vereador e Mauro Mendes, prefeito de Cuiabá, Mato Grosso

Tarifa de R$ 3,80 é abuso! Cadê a planilha de lucros?

Por Dilemário Alencar

Estudando a planilha do cálculo tarifário que a Associação Matogrossense dos Transportadores Urbanos (MTU) apresentou neste ano para a Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), que por sua vez, encaminhou para análise da Agência Municipal de Regulação de Serviços Delegados (Arsec), percebi que o valor da tarifa do transporte coletivo de Cuiabá pode aumentar mais uma vez em nossa cidade com base em uma planilha que contém apenas os custos operacionais indicados pelos empresários do setor, sem entanto, nela constar os lucros obtidos pelas empresas de ônibus e nem apontar indicativos do quanto foi aplicado em serviços de melhorias para os usuários do sistema.

Ou seja, entra ano e sai ano, a mesma história se repete: os empresários elaboram uma planilha de custos e apresentam ao poder público, que por sua vez, faz os cálculos sobre o aumento da tarifa com base na planilha apresentada pelas empresas.

Mas, cadê a planilha de lucros auferidos pelos empresários para ser auditada, bem como o apontamento de indicativos de investimentos em melhorias? Não existe. Um absurdo! Pois, assim, novamente os empresários poderão ser beneficiados com um aumento na tarifa que pode chegar a 22,60%, enquanto o índice da inflação medida pelo IPCA foi de 10,67%.

Recentemente, me reuni com a diretoria da Arsec, onde questionei a ausência da apresentação da planilha de lucros e que o novo aumento anunciado, de 22,60%, somado aos demais que ocorreram há menos de dois anos, fará com que a tarifa, neste período, tenha o estratosférico aumento de 41,04%. Lembrei, na ocasião, que em março de 2014, houve aumento de 7,69%, elevando a tarifa de R$ 2,60 para R$ 2,80 e, em janeiro de 2015, outro aumento no percentual de 10,75%, o que elevou a tarifa para o valor atual de R$ 3,10.

Penso que é um abuso aumentar a tarifa de ônibus para o valor de R$ 3,80 neste momento de crise, quando muitos trabalhadores estão sendo desempregados e, os que estão trabalhando não tiveram ganho real em seus salários. Caso prospere o percentual de aumento na tarifa de 22,60%, poderá este ser o maior registrado neste ano no Brasil, fazendo Cuiabá ter a tarifa mais cara entre as capitais brasileiras proporcionalmente à média percorrida em uma viagem ida/volta em um ônibus coletivo.

Vejam os dados: em Cuiabá a média percorrida de um ônibus coletivo é de 13,5 Km. Já em São Paulo  44,7 Km (percentual de aumento de 8,57% e tarifa de R$ 3,80); Rio de Janeiro 43,5 Km (percentual de aumento de 11,70% e tarifa de R$ 3,80); Belo Horizonte 41,3 Km (percentual de aumento de 8,24% e tarifa de R$ 3,70);  Curitiba 37,4 Km ( percentual de aumento de 12,10% e tarifa de R$ 3,70). Aponto também, que em cidades do porte de Cuiabá, como Campo Grande, o aumento foi 8,83%, tarifa de R$ 3,25 e, em Uberlândia, o aumento foi de 12,9%, tarifa  de R$ 3,50.

Não dá para entender o porquê de um disparate tão grande no aumento da tarifa de ônibus em Cuiabá, visto que os custos apontados pelos empresários de Cuiabá para justificar o pedido de aumento são praticamente os mesmos custos apontados pelos empresários de outras capitais, como salários de motoristas, combustível e manutenção das frotas.

Quanto ao item manutenção, parece piada. Pergunto: Que manutenção? Se os ônibus parecem mais carroças devido à constante falta de conservação. Em 2015, foram inúmeras noticias de ônibus que pegou fogo devido a problemas elétricos, soltaram rodas no trajeto e provocaram acidentes por falta de freios. Além disso, os usuários sofrem diariamente por usar ônibus sem ar condicionado, superlotados, sujos, com janelas quebradas, bancos soltos, constantes quebras durante o itinerário, chuvas que cai dentro dos ônibus

Dilemário Alencar é vereador pelo PTB em Cuiabá

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