VELHA POLÍTICA – Bezerra, o cacique aparentemente imortal, aposta na força da TV para que PT e PMDB cresçam em Cuiabá e Rondonópolis

BEZERRA FAZ SEU COMERCIAL: "Todos os cargos que disputei foram por convocação do partido. Já deixei eleição ganha para entrar em eleição perdida, porque o partido pediu. Então, eu não sou preso a cargo, a posto, eu quero servir ao povo de Mato Grosso, a comunidade civil do partido e fazer política pública de qualidade. Isso é o que eu quero fazer e é o que eu sempre fiz na minha vida."

Na política de Mato Grosso e do Brasil, ele, aparentemente, é um gato de sete fôlegos. Muitas já proclamaram seu enterro mas Carlos Bezerra se mantém vivo e atuante, como o grande cacique do PMDB em nosso Estado, mantendo-se a si mesmo como deputado federal e à sua esposa Teté como deputada estadual. Por trás de sua força, uma grande influência sobre o eleitorado de perfil mais tradicional, aquele que se guia pelo pretenso carisma dos velhos coronéis. Vejam que quando a repórter lhe pergunta sobre os projetos de interesse para o País que Bezerra aprovou lá em Brasília, como senador ou como deputado federal, o velho parlamentar se diz vítima de um “branco”. O mesmo “branco” que, certamente, faz o eleitorado de Mato Grosso insistir na eleição deste notável representante da “velha política”. Confira o noticiário. (EC)

Bezerra aposta no horário eleitoral

Deputado federal acredita que espaço no rádio e na TV e “alinhamento” com os governos estadual e federal vão alavancar PT e PMDB em Cuiabá e Rondonópolis

Nome: Carlos Gomes Bezerra
Idade: 71
Natural: Chapada dos Guimarães
Estado civil: Casado

KAMILA ARRUDA
DO DIÁRIO DE CUIABÁ

Considerado a principal liderança do PMDB em Mato Grosso, o deputado federal Carlos Bezerra – licenciado desde o início de julho – aposta no deferimento da candidatura do vice na chapa encabeçada pelo vereador Lúdio Cabral (PT), Francisco Faiad (PMDB), e descarta a possibilidade de uma possível indicação do ex-vereador Totó Parente (PMDB) para o cargo.

Segundo ele, o pedido de indeferimento do registro de candidatura de Faiad é uma tentativa da coligação adversária de tirar o advogado da disputa. Além disso, o parlamentar acredita que, após terça-feira (21), quando começa o horário gratuito na televisão e no rádio, Lúdio irá subir nas pesquisas, o que deve provocar um segundo turno na Capital.

Em Rondonópolis, por sua vez, Bezerra afirma que o clima está mais tranquilo. De acordo com ele, Ananias Filho (PR) é bem aceito pela população.

O peemedebista também discorre sobre o caso do Mensalão, a dificuldade da presidente Dilma Rousseff (PT) em negociar com a classe grevista, bem como a recente privatização das ferrovias e rodovias do país.

Bezerra também critica a burocracia da Câmara Federal que trava o andamento dos projetos. Segundo ele, devido às mensagens do Executivo, a pauta do Legislativo vive constantemente trancada.

Diário de Cuiabá – Qual o clima das eleições em Cuiabá?

Deputado Carlos Bezerra – Acho que ela vai realmente dinamizar a partir do dia 21, que é quando começa o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão. Mas, pelo que estou vendo, pelo número de candidatos que tem e também pelo que já apontam as pesquisas, eu acredito que vai ter segundo turno. E acredito também que a nossa chapa vai estar no segundo turno. E aí é outra eleição, é outra realidade. Nós levamos uma vantagem porque, nas pesquisas que fizemos, duas ou três pesquisas qualitativas, indicam que o povo quer votar em quem tem apoio do governo estadual e do governo federal. E ninguém capitaliza isso melhor do que o nosso candidato, o vereador de dois mandatos Lúdio Cabral, que tem o apoio da presidente Dilma Rousseff e também do governador do Estado, Silval Barbosa, que está fazendo uma revolução em Cuiabá. São obras e mais obras que vão modernizar Cuiabá. A Capital não via isso há muito tempo, vai ser a maior obra da história do município de Cuiabá.

Diário – Caso a impugnação do advogado Francisco Faiad se concretize, qual seria a segunda opção do PMDB? O ex-vereador Totó Parente pode ressurgir?

Bezerra – Não, porque esta impugnação não tem nenhum fundamento jurídico. É uma aberração. Acho que foram açodados em fazer esta postulação sem fundamento algum. Isso é desespero e nós vamos ganhar com certeza. Por isso, não se pensa em trocar de forma nenhuma, Faiad vai ser o vice.

Diário – Em Rondonópolis, o PMDB está apoiando a reeleição de Ananias Filho (PR), no entanto, a disputa parece estar bem acirrada por conta do alto índice de aceitação do também candidato deputado estadual Percival Muniz (PPS). Qual a estratégia que será usada pela coligação para vencer o pleito de outubro?

Bezerra – Alto índice não quer dizer nada, ainda mais em um município como o de Rondonópolis. Um município que tem o povo mais politizado do Estado. Temos lá também duas pesquisas qualitativas. Uma feita por uma empresa de Minas Gerais, considerada uma das melhores empresas do Brasil, e a outra feita por uma de Cuiabá. As duas dão o mesmo rumo, o mesmo caminho. Em Rondonópolis, o povo não quer aventura. Eles estão preocupados em ter um governo que seja competente, e que tenha apoio do governo estadual e do governo federal. O candidato Ananias Filho (PR) assumiu a prefeitura recentemente, mas já está com uma imagem positiva, muito positiva, como um bom administrador. A pesquisa diz que, em um mês, ele fez muito mais do que o outro prefeito que ficou por três anos [Zé do Pátio, PMDB]. Lógico que a candidatura dele a prefeito surgiu recentemente, mas ele ainda vai crescer e, quando começar o horário eleitoral no rádio e na televisão, tenho certeza que ele vai disparar. Rondonópolis é muito politizada, e o que diz a pesquisa hoje, amanhã pode ser completamente diferente. Nós temos tudo para ganhar as eleições. São 13 partidos, a coligação está bem unificada, não há divergências. A vice é do PMDB, uma ótima candidata, com uma inserção social muito grande, e estou tranquilo com relação ao resultado. O marketing vai ser feito em cima do que foi constatado nas pesquisas, então, não tem erro, será a vitória no dia 7 de outubro.

Diário – Apesar de ainda estar nas vésperas das eleições municipais, diversas articulações ocorrem para o pleito de 2014. Até o momento, dois nomes – José Riva e Pedro Taques – vêm sendo cotados para disputar o governo do Estado. O senhor poderia ser o terceiro?

Bezerra – Isso depende do meu partido. Nós temos um compromisso interno com o PMDB, com o governador Silval, meu e de toda a Executiva de começar a discutir isso após as eleições municipais. Vamos esperar para ver o resultado das eleições municipais, aí nós vamos começar esta discussão. Tem nomes cotados para o Senado e para o governo, mas o PMDB deve disputar o governo, se não disputar o governo disputa o Senado. Vamos discutir isso a partir das eleições. Com relação aos nomes, nós vamos discutir isso internamente. No PMDB, graças a Deus, não há ganância, fobia, está todo mundo desprendido. Quem for convocado pelo partido, vai disputar pelo partido, não há individualismo.

Diário – Ao encerrar o mandato, qual será seu futuro político?

Bezerra – Meu futuro também depende do meu partido e também será discutido depois das eleições municipais. Eu sempre atuei na política desprendidamente, nunca tive vidrado em um cargo. Todos os cargos que disputei foram por convocação do partido. Já deixei eleição ganha para entrar em eleição perdida, porque o partido pediu. Então, eu não sou preso a cargo, a posto, eu quero servir ao povo de Mato Grosso, a comunidade civil do partido e fazer política pública de qualidade. Isso é o que eu quero fazer e é o que eu sempre fiz na minha vida.

Diário – O PMDB está diretamente ligado a presidente da República Dilma Rousseff pelo vice, Michel Temer. O que está havendo na União que dificulta a negociação com a classe grevista no país?

Bezerra – O Partido dos Trabalhadores está sendo vítima de uma coisa que eles mesmos criaram no governo Lula. Ele fez uma negociação equivocada com os servidores, deu para uns e não deu para outros. Isso gera indignação. Então, a reinvindicação de várias categorias é correta, é justa. E eu acho que isso tem que ser corrigido. Não é possível que um engenheiro que está em um lugar, ganhe três vezes mais que um outro que está em outro lugar. Que um advogado de um lugar ganhe quatro, cinco vezes mais que outro que reside em outro lugar. Isso é muito injusto porque é a mesma profissão, ambos fazem o mesmo trabalho. Eu fui prefeito por dois mandatos, fui governador do Estado, fiz planos de cargos e salários no município e no Estado, e tratei todo mundo igual. O que deu para um, deu para todo mundo. Isso é como uma família. Você tem sete filhos, você privilegia três filhos e larga o resto abandonado, isso com certeza vai gera um clima de revolta entre eles. Então, isso é muito ruim e terá que ser corrigido. Já começou no governo do PT uma valorização do servidor público, o que é muito importante, porque o poder público do Brasil estava acabado. Fizeram-se alguns concursos, colocou gente em alguns órgãos, mas ainda é pouco. Muita coisa ainda tem que ser feita para melhorar o serviço público no Brasil, para termos um serviço público de qualidade.

Diário – O senhor não acredita que está havendo uma incoerência no discurso do candidato Lúdio Cabral, tendo em vista que ele sempre se posicionou contrário a qualquer tipo de privatização e, agora, apoia a presidente Dilma tem concedido a inciativa privada diversos serviços públicos?

Bezerra – Não há incoerência. Acontece que esta questão de Cuiabá esta na Justiça e quem vai decidir é a Justiça, não é nem a prefeitura. Eu penso igual ao Lúdio. Água, educação, saúde e saneamento básico deve ser competência do município, e tem que ser fornecido ao cidadão sem pensar em lucro. Agora, o que o Lúdio está garantindo para a população de Cuiabá, é que ela vai ter água tratada dentro de casa. O que está aí agora foi o que eu fiz quando eu fui governador, há 20 anos atrás. Quando eu assumi o governo do Estado, Cuiabá não tinha água tratada em nenhuma casa. Eu refiz a estação velha, que na época não funcionava e fiz mais duas estações, a do Tijucal e a do Parque Cuiabá. Fizeram o bairro do Distrito Industrial e do Parque Cuiabá que não tinha água, então, fiz mais uma estação lá. Depois que sai do governo, deixei Cuiabá com 100% de água tratada, e o esgotamento sanitário em 25 bairros. E hoje a única estação de esgoto que Cuiabá tem fui eu que fiz, de lá para cá não fizeram mais nada. Não se investiu em saneamento. Agora que o governo Silval voltou a investir em saneamento, mas aqui já temos um grande problema porque privatizaram. Perdeu-se aí R$ 300 milhões de recursos públicos que deveriam ser investidos aqui. Eu acho que, no mínimo, deviam ter investido esses R$ 300 milhões, porque valorizaria a companhia, para poder vender depois, mas houve um açodamento de fazer isso a toque de caixa e fizeram. Agora, Cuiabá continua com o drama, sem água e com uma conta caríssima. Reclamações de gente que pagava R$ 20 e agora está pagando mais de R$ 100. A conta foi lá para cima, e é aí que está o problema, é avidez de lucro. Pagou-se muito e agora tem que tirar. Do couro sai a correia e é o povo que vai pagar.

Diário – O senhor acredita que o Supremo Tribunal Federal (STF) pode determinar a prisão dos réus do mensalão?

Bezerra – A prisão não, porque a maioria dos envolvidos são réus primários. Sobre a condenação, eu não conheço o processo, mas acredito que o Supremo irá decidir em cima de provas técnicas. O Supremo não vai se deixar levar por coisas fantasiosas. Eu acho que quem tiver provas técnicas contra a sua pessoa no processo será condenado. Agora, quem não tiver será absolvido. Acredito que nem todo mundo será condenado.

Diário – A União está liberando diversos recursos, contudo, grande parte deles são através de abertura de crédito. O senhor acredita que esta havendo uma redução nos investimentos a fundo perdido?

Bezerra – Os recursos a fundo perdido realmente a União tem contido. Não tem liberado. O que é uma pena porque são esses recursos que chegam aos Estados e nos municípios. A capacidade de endividamento dos Estados e municípios também está exaurida e a União fica com a maior parte do recurso arrecadado, 70%. Isso é um equívoco. Nós precisamos de um presidente da República que faça reforma tributária no país, que faça com que a maior parte dos recursos fique com os municípios, depois com os Estados e a menor fatia com a União. Mas o que está ocorrendo aqui no Brasil é o inverso. Os municípios, que é onde o povo vive, é onde são executados os projetos e demais coisas, onde o prefeito é cobrado. Então, esta forma de se administrar esta errada.

Diário – Quantos projetos do senhor já foram aprovados na Câmara Federal?

Bezerra – Recentemente, foi aprovada a emenda constitucional das empregadas domésticas. A relatora foi a deputada Benedita da Silva, do Rio de Janeiro. E tem outros vários projetos lá que de cabeça não sei lhe passar, mas lhe garanto que sou um dos deputados que mais apresentou projetos na Câmara Federal.

Diário – E porque é tão difícil aprovar um projeto na Câmara?

Bezerra – Realmente a tramitação é bem difícil, porque a pauta geralmente vive trancada, a prioridade são as medidas provisórias do governo. Nós precisamos acabar com este negócio de medida provisória. A pauta vive constantemente trancada porque elas passam na frente, e isso precisa ser modificado.

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