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VEJA O VÍDEO – Campanha do tucano José Serra já está no ar


Eleições 2012
Serra usa experiência como trunfo sobre Haddad

Em evento para oficializar sua candidatura, ele disse ser seu sonho administrar São Paulo. Aloysio Nunes chamou candidato do PT de urso adestrado
Carolina Freitas – VEJA ON LINE

O candidato à Prefeitura de São Paulo José Serra durante convenção do PSDB (Nelson Antoine/Fotoarena)
A coligação formada por PSDB, PSD, DEM, PR e PV oficializou neste domingo a candidatura do tucano José Serra a prefeito de São Paulo. Em evento para 3 000 pessoas em um ginásio na zona sul da capital, Serra apresentou os anos de experiência – na vida e na política – como seu grande trunfo sobre o adversário Fernando Haddad, do PT. Serra completou 70 anos. Haddad tem 49. A campanha do PT tem usado a pouca idade de seu candidato para vender a ideia de que ele simboliza o novo para São Paulo. “O tempo não desgasta os que plantam sonhos no coração das pessoas. Experiência é virtude”, afirmou Serra. “Não estou aqui para experimentar, para tentar fazer, mas para levar São Paulo para frente.”

O candidato tucano centrou suas críticas na ex-prefeita da cidade Marta Suplicy, do PT, e evitou referências diretas a seu oponente desta eleição. Serra rememorou em discurso de 40 minutos a situação em que encontrou a prefeitura quando sucedeu Marta, em 2005. Falou do caixa vazio, da fila de credores, das escolas de lata e do turno da fome nas escolas da capital. “Substituímos o gogó por melhorias efetivas. Trabalhamos duro para recuperar São Paulo e pusemos as finanças em ordem”, disse o tucano. “Nesta campanha vocês vão ouvir os adversários falarem mal de São Paulo, gente que sequer a conhece, que fez pouco ou nada por ela. Eles não passarão.”

Coube aos senadores tucanos Aloysio Nunes e Alvaro Dias desferir ataques frontais a Haddad. O governador Geraldo Alckmin engrossou o coro. “São Paulo não é a terra da rendição, é a terra da resistência; não é a terra do mandonismo, é a terra da liberdade; São Paulo não é a terra de candidato tirado do bolso de colete, São Paulo é a terra do povo. E Serra é o candidato do povo”, afirmou o governador.

Alvaro Dias classificou como uma “lambança” a atuação do candidato petista no comando do Ministério da Educação. “Haddad deixa um legado de mentira, falsificação e incompetência na educação brasileira”, disse o líder do PSDB no Senado. Aloysio comparou o adversário a um animal que cumpre as ordens de seu mestre. “A democracia, que está no nome do PSDB, é o que nos diferencia do partido que comanda o governo federal. Lá as pessoas são obrigadas a obedecer a vontade do dono do partido. Ele impôs um candidato oficial que desfila por aí como um urso adestrado, levado pela coleira.”

Sonho de ser prefeito – Depois de dizer em março que o sonho de ser presidente da República estava adormecido – ele já concorreu duas vezes ao cargo –, Serra foi taxativo neste domingo: “Meu sonho é voltar a ser prefeito da cidade que eu amo. Eu me preparei a vida toda para servir ao povo, seja em qual trincheira for.” O tucano sabe que enfrentará durante a campanha a desconfiança sobre sua permanência, se eleito, na cadeira de prefeito até o fim do mandato. Ele nega a possibilidade de deixar a prefeitura para se candidatar a presidente em 2014.

Serra evocou a importância do trabalho em parceria entre a prefeitura e o governo do estado. Haddad vem tentando vender a imagem de que sua eleição será melhor para São Paulo porque ele é do mesmo partido da presidente Dilma Rousseff. “São Paulo tem duas prefeituras, a municipal e a estadual. O governador é o prefeito grande. O que pode haver de melhor para São Paulo do que o entrosamento total entre governador e prefeito, entre Alckmin e eu?”, disse. “O governo federal arrecada 143 bilhões de reais na cidade de São Paulo e devolve a ela menos de 2 bilhões de reais. Só um prefeito independente pode pressionar para ampliar essa devolução.”

Script rígido – Serra deixou o encontro sem falar com ninguém, em meio a um tumulto entre seguranças, militantes e jornalistas. A justificativa oficial dos assessores do tucano é que declarações de uma entrevista coletiva desviariam o foco do que foi dito no discurso. Na prática, Serra opta por sair sem falar para evitar ser alvo de perguntas sobre assuntos delicados, como o nome de seu vice, ainda indefinido, ou rusgas internas do PSDB. A estratégia teve um efeito colateral: militantes que atravessaram a cidade para ver Serra de perto saíram da convenção frustrados com o script rígido, que não abriu espaço para (e até mesmo pareceu temer) um contato mais espontâneo com o candidato.

Sem vice – O nome do vice de Serra na corrida pela prefeitura segue indefinido, mesmo após a convenção deste domingo. Os mais cotados para o posto são o ex-secretário estadual da Cultura Andrea Matarazzo, do PSDB, e o ex-secretário municipal da Educação Alexandre Schneider, do PSD. Ambos são próximos a Serra e têm bom relacionamento também com o prefeito Gilberto Kassab, aliado de primeira hora do ex-governador.

O discurso oficial dos postulantes é de tranquilidade. “Eu não trabalho por hipótese. Obviamente todo mundo gosta de trabalhar em São Paulo. O período em que trabalhei na prefeitura foi um dos mais gratificantes da minha vida pública”, disse Matarazzo. “A candidatura ganha quando você soma pessoas com competência, seja do partido que for.” Schneider seguiu a mesma linha: “Nosso partido está com Serra independentemente de qualquer coisa.”

Nos bastidores, no entanto, há disputa acirrada. Um tucano influente diz que o clima no comando da campanha é de “assembleia permanente”. Apesar das negociações entre dirigentes dos partidos aliados, a palavra final sobre o vice será de Serra. Kassab tem trabalhado para emplacar Schneider enquanto lideranças do PSDB tentam fortalecer a ideia de uma chapa puro sangue, com Matarazzo. Nenhum dos postulantes foi chamado ainda para conversar sobre o assunto com Serra. Pelo calendário da Justiça Eleitoral, a decisão precisa ser tomada até o próximo sábado.

Estão no páreo também o ex-secretário estadual de Desenvolvimento Social Rodrigo Garcia, do DEM, e o ex-secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente Eduardo Jorge, do PV. Desidratados pela migração de seus principais nomes para o PSD, os democratas têm pouco poder de barganha para contrariar Kassab dentro da coligação. Desde a fundação do DEM, tanto o presidente do partido na cidade, Alexandre de Moraes, quanto Garcia romperam relações com o prefeito. Eduardo Jorge, por sua vez, enfrenta uma investigação do Ministério Público por recebimento de propina quando era secretário do Meio Ambiente. Apesar de ele negar as acusações, o PV sabe que candidato nenhum quer um vice sob suspeita.



Categorias:Jogo do Poder

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