VANESSA MORENO: Habel Dy Anjos insere a música clássica na cultura cuiabana

Vanessa e Habel

Habel Dy Anjos insere a música clássica na cultura cuiabana

POR VANESSA MORENO/CULTURA POPULAR

 

 

Ao som do hino de Cuiabá em sua viola de cocho, o professor de música do Departamento de Artes da UFMT mostra um pouco do seu talento musical, preservando as raízes da cultura cuiabana, durante uma conversa na redação do jornal Diário de Cuiabá. Habel Dy Anjos recebeu vários títulos por seus relevantes serviços prestados à cultura mato-grossense.

Em seus trabalhos Habel gosta de promover encontros inusitados entre Beethoven, Mozart, Bach, Vivaldi e a sonoridade da viola de cocho, do mocho e do ganzá. Essa mistura já é sua marca registrada. “Nós não pegamos os nossos instrumentos e colocamos nas obras dos grandes, nós pegamos essas melodias e trouxemos para os nossos grandiosos instrumentos”, destaca Habel.

A ideia desta fusão de culturas surgiu no ano 2000, quando o apresentador do Globo Rural Nelson Araújo esteve em Mato Grosso fazendo um trabalho sobre o Pantanal. Na ocasião, houve um encontro entre um grupo de cururueiros e da Orquestra Sinfônica da UFMT no Véu de Noivas, em Chapada dos Guimarães. “Eu me lembro que enquanto os cururueiros estavam se preparando com seu cururu, a Orquestra veio com Vivaldi e nós fizemos essa mistura que ficou maravilhosa”, conta Habel relembrando o momento e transmitindo um pouco desta experiência em sua viola de cocho.

Habel Dy Anjos é natural de Uberaba e traz a música no sangue. O artista herdou o gosto pela profissão de seu pai Habel Santos Anjos, que era músico e possuía uma série de equipamentos e instrumentos musicais, que hoje fazem parte do Memorial de Anjos que Habel mantém em sua residência. “Eu fico encantado de ter essa profissão que eu não trocaria por qualquer uma outra”, declara Habel.

De Uberaba pra São Paulo, de São Paulo para Cuiabá. “De lá papai do céu mandou buscar e eu estou aqui há mais de 30 anos”. Habel, que queria conhecer o calor cuiabano, chegou aqui enquanto os termômetros marcavam 4º, clima atípico na região. Foi assim que descobriu que o verdadeiro calor cuiabano não se refere ao clima, mas sim sobre o nosso povo que o acolheu de maneira tão hospitaleira que despertou em si o desejo de nunca mais sair daqui. “Não sou de chapa mas vou ser de cruz, não fui registrado, mas vou morrer aqui”, afirma com plena certeza.

Ao longo desses mais de 30 anos na capital cuiabana, Habel documentou toda história do cururu e do siriri junto aos universitários da UFMT, além de inserir uma disciplina de estudo aos instrumentos dos nossos ancestrais no curso de música da Universidade, contribuindo fortemente para a preservação da cultura local. Segundo ele, seus trabalhos têm o objetivo de homenagear a sua cidade do coração, que para ele é um berço cultural construído ao longo desses 300 anos de história. “A nossa cultura é importante, porque a vida por si só não basta”. E o segredo para que a cultura possa evoluir cada vez mais é um só: “conviver com o outro, aceitar o outro, entender e compreender para que a coisa possa caminhar”, conclui Habel.

FONTE BLOGUE CULTURA POPULAR

http://culturapopular.blog.br/

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

7 − 4 =