PREFEITURA SANEAMENTO

“Vai dar Dilma” , Delfim Neto acredita. “Os números mostram que a vida melhorou, e muito, para mais de 80% da população desde que Lula tomou posse. Como ninguém sobe na vida individualmente, o processo de ascensão foi de massa, mexeu no país inteiro. Isso criou a perspectiva de que, com o PT, o Brasil está no caminho certo e continuará a melhorar, apesar das confusões e tropeços”

Vai dar Dilma, diz Delfim

Como ele previu outras vitórias, é o caso de prestar atenção à profecia, mas quais são as ‘grandes linhas’ que levariam à reeleição?

 

Mario Sergio Conti, em O GLOBOdelfim neto1

O ex-ministro Delfim Netto é daqueles que acreditam ser mais seguro prever o passado do que o futuro. Foi contrariando a birra com especulações, portanto, que deu uma de pitonisa: “Mantidas as grandes linhas de hoje, Dilma será reeleita”. Como ele previu a vitória de Collor, Fernando Henrique e Lula, é o caso de prestar atenção à profecia. Mas quais são as “grandes linhas” que levariam à reeleição?

“Não é só a economia”, disse Delfim na semana passada no seu escritório, um casarão cinquentenário no Pacaembu, bairro do dinheiro velho paulistano, equivalente carioca ao alto do Jardim Botânico. “Os números mostram que a vida melhorou, e muito, para mais de 80% da população desde que Lula tomou posse. Como ninguém sobe na vida individualmente, o processo de ascensão foi de massa, mexeu no país inteiro. Isso criou a perspectiva de que, com o PT, o Brasil está no caminho certo e continuará a melhorar, apesar das confusões e tropeços. O que chamo de ‘grandes linhas’ é essa percepção realista do passado e otimista quanto ao futuro.”

Uma disparada da inflação, no raciocínio linear, enrolaria as linhas da eleição de outubro como um filhote de gato. “Mas absolutamente ninguém, e muito menos eu, prevê um aumento súbito e dramático da carestia”, afirmou. “Até porque nossos números são sólidos e a situação internacional é calma”. Ele reconheceu que o grande empresariado e uma parte significativa do mundo político não compartilham a sua avaliação: “Os empresários, que ganharam muito dinheiro nos últimos anos, acham que a Dilma quer controlar o lucro deles, o que é um erro de percepção e uma tentativa de lhe arrancar compromissos”. A força da burguesia, contudo, é exercida primordialmente por meio da grande imprensa — “e a massa de gente que elegerá o próximo presidente não lê jornais nem revistas”.

Delfim almoçara na semana anterior com Luiz Inácio Lula da Silva. Conheceram-se em 1987, quando se tornaram deputados. “Hoje somos amigos, nos respeitamos”, disse, “e às vezes almoçamos no Instituto Lula; ele manda vir um filé de frango de um restaurante da vizinhança e conversamos sobre o Brasil”. O último frango com o ex-presidente lhe ratificou o que já achava. “Lula não será candidato”, afirmou. “Ele me garantiu, olhou no meu olho e argumentou que a sua candidatura não seria boa nem para ele nem para o Brasil”. Impassível, qual um Buda do Pacaembu, Delfim escutou o argumento axiomático — e nem por isso falso — de que o PT não irá para o matadouro com Dilma podendo ganhar uma boiada com Lula. Sem sequer suspirar, rematou: “Acredito no que ele me disse”.

Antes de prosseguir na análise especulatória, fez um pit-stop para tomar uma xicrinha de café de coador e falar de candidatos de oposição: “Não vejo futuro no Aécio. No Eduardo Campos, sim; mas não agora, em outubro”. Mencionou com desdém políticos tidos por jovens (pelos seus marqueteiros) e bem apessoados (quando confrontados a um Edison Lobão). Como manda a tradição entre oriundi calabreses, zunzuns, boatos, mexericos, rumores e maledicências foram trocados às mancheias, acompanhados de juras de silêncio eterno fora do circuito da Ndrangheta. Delfim encerrou o recreio com o augúrio: “Todos terão que se haver com a Troika”. Ma che cazzo è questa Troika? “É aquela integrada por champanhe, cocaína e starlets”, respondeu, “e já arrostou uma penca de políticos promissores”. (Não disse starlets, mas, em se tratando de um jornal de família, fiquemos em companhia delas).

Avançando pesadamente pelo pântano do imponderável, Delfim limitou a duas palavras os percalços da presidenta na reeleição: Copa e Petrobras. “Meu sobrinho contou que conseguiu comprar ingresso, por mais de mil reais, para um jogo no Itaquerão”, relatou. “Ele também disse que irão botar telões fora do estádio. Muito que bem. Mas, se a seleção perder, pode não sobrar um telão”. Admitiu não ter entendido o que se passou em junho passado. “Acho que houve uma exasperação coletiva”, arriscou. “Todos se deram conta de que é possível fazer coisas úteis com o que o país tem: hospitais no lugar de estádios. Não acho que a exasperação tenha terminado”.

Quem diz corrupção diz Petrobras? Delfim respondeu que não sabe. Supunha que os negócios da estatal na África eram explosivos, mas a bomba estourou em Pasadena. “Qualquer levantamento de opinião pública mostrará que a Petrobras é considerada um patrimônio nacional, e administrá-la mal obviamente tem custos”, disse. Mas, como Dilma não tem envolvimento com as roubalheiras (“boto minha mão no fogo por ela”) e as denúncias seriam investigadas por um Congresso de pouca credibilidade, Delfim não vê como elas abalariam a campanha re-eleitoral. “Vai dar Dilma”, vaticinou.

 

Categorias:Nação brasileira

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