Terá Jusci Rondon estrutura para impedir que a AE caia no colo de Alexandre César e do PR?

Eu, Enock, titular desta Página do E, recebi da militante petista Jusci Rondon, o seguinte e-mail:

Caro Enock,

Não é verdade que não conseguimos conviver com as pessoas do grupo do Lúdio…Isso é uma assertiva sua…Na verdade, a tese de candidatura própria foi nossa, da AE…Continuo achando que devemos seguir nesse caminho! Quanto á sua afirmação de que dissemos que o candidato tem de garantir-se você deveria dar nome aos bois…e não atribuir à AE como coletivo. No mais, é óbvio que para um projeto político de importância como disputar a prefeitura de Cuiabá é preciso mais que boa vontade, propostas e disposição!!! Enfim, caro jornalista, o desafio é de quem propõe a candidatura de reencantar todos e mostrar firmeza no seu projeto…Assim conseguiremos unidade para a disputa!!!

Abraços,
Jusci Rondon
Sempre nas trincheiras de lutas que valem a pena!!!

Evidentemente que se trata de um comentário, de uma das principais lideranças da AE, ao comentário que publiquei no dia 30 de maio, nos seguintes termos:

Militante do PT que sou, observo as coisas. Meu olhar é limitado. Por mais que converse, não sei de tudo. Sei que a decisão da militância, nas prévias, foi muito forte. A candidatura de Portocarrero saiu consagrada das urnas petistas. Pelo regimento eleitoral, ele é o candidato. Cabe à plenária do próximo dia 8 de junho referendar o que a votação direta dos filiados já determinou.

O clima interno dentro do PT de Cuiabá, todavia, não é de unidade. Há divisões no PT e isto é natural, faz parte do processo político. À direita, os aliados de Alexandre César lutam abertamente para que o PT se coligue com o PR, aceitando o indicado pela Botina para ser o candidato a prefeito, restando a Portocarrero ser o vice. A turma do Lúdio argumenta que o candidato deve ser Portocarrero se houver uma forte unidade interna e uma divisão de responsabilidades entre as diferentes correntes e entre as diferentes figuras públicas para a sustentação da candidatura própria – se não for assim, é possível se pensar num recuo tático. A turma da Utopia fala que resiste com Portocarrero até o fim, confiando que ele deve ser o nome defendido pelo PT para a prefeitura no primeiro turno, qualquer que seja a coligação que venha a ser formada, mas é acusada pelos militantes da AE de vacilar na sustentação da candidatura própria. A turma da AE não consegue conviver bem com a presença dos adeptos de Lúdio Cabral na sustentação da candidatura de Portocarrero, tenta se apresentar como radicais na defesa da candidatura própria, mas quando colocados sob pressão, dizem que não vão sustentar o candidato se ele mesmo “não se garantir”.

Esse é mais ou menos o clima dentro do PT. Não sei se sou o melhor cronista para contar esta história. Tento mas vejo, é claro, as coisas a partir de uma lente que tem seu comprometimento ideológico. Para mim, a candidatura de Portocarrero deve ser sustentada a ferro e fogo e levada às urnas, para a disputa no primeiro turno. O PT, para se reafirmar como partido em Cuiabá, depois de contaminado pela turma do mensalão, que também montou em Cuiabá, em 2002, uma campanha mais rica do que aquela que o partido podia justificar, precisa ter uma candidatura forte e precisa mostrar que tem um militância que continuar a zelar pelos seus clássicos ideais de autonomia e independência de classe. Depois da desorientação que já se viu em Várzea Grande, nova subordinação eleitoral em Cuiabá virá mergulhar o partido numa desgaste irrecuperável. Quer dizer, acho que o PT ainda pode resistir como um partido de quadros quando uma grande maioria já dá como definido que o PT é um partido meramente eleitoral.

Espero que Portocarrero tenha compreendido, a esta altura do campeonato, que sua missão não é só lutar contra adversários eleitorais. É lutar contra adversários do PT, gente de dentro e de fora que tenta esvaziar o partido da radicalidade burguesa que o transformou em arma vital de resistência dos trabalhadores brasileiros e de nosso povo pobre contra a subalternização que lhe vem sendo imposta, há anos e anos, pelos exploradores do andar de cima.
Além da disputa eleitoral, trava-se, também, uma confusa luta de idéias. Confusa justamente porque o partido não tem clareza sobre todas as idéias que congrega.

Isso eu escrevia no dia 30. Do dia 30 para cá, as articulações avançaram, o cenário sofreu mudanças dentro do PT e outras lideranças da AE infelizmente – dou nome aos bois na nota "Movimentações da AE ameaçam candidatura propria do PT" – parecem preferir marchar ao lado de Alexandre César e seu grupo, que advogam a submissão do PT ao projeto eleitoral do PR, do que terçar forças na defesa da decisão da militância petista, que foi a candidatura de Portocarrero. Como o posicionamento da AE, alardeado pela própria AE no Olhar Direto, só se consolidará de fato no encontro do dia 8, minha expectativa é que militantes como Jusci Rondon possam influenciar aquele grupo e fazer com que retorne ao aprisco petista mais autêntico – e à defesa da candidatura de Portocarrero, que é a candidatura própria do PT.

Terá Jusci Rondon estrutura suficiente para impedir que a AE caia no colo de Alexandre César e do PR? Fica aqui a minha expectativa. Entendo que será muito triste para o PT ver a AE rasgar suas bandeiras e assumir que também pratica o discurso meramente retórico, da boca pra fora, falando que defende candidatura própria, queimando outras pretensas correntes que estariam vendendo o PT, enquanto ela mesmo, a AE, estaria articulando fortemente contra a candidatura de Portocarrero.

 

 

 

 

Categorias:Cidadania

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

9 + cinco =