SOCIOLÓGO EMIR SADER: Ao observar o lugar do PT na história (recente) do Brasil, certamente ele é vitorioso. Nenhum partido tem o apoio político que o PT tem.O PT é mais forte do que nunca, tem mais voto do que nunca. Vai eleger pela quarta vez o presidente da República. Neste ano de 2014, com Dilma, o PT enfrentará a sua mais fácil eleição, devido à redistribuição de renda e aos resultados dos programas sociais que mudaram o País

 Para Emir Sader (que pode assumir como senador, caso aconteça a eleição de Lindbergh Farias, no Rio), o Partido dos Trabalhadores deu certo, mas não pela via original. "Muita gente fala "tenho saudade do PT". Tenho certeza que o povo brasileiro não tem saudade. Não que aquele PT fosse ruim, mas nas condições de conservadorismo, retrocessos e derrotas, ele não teria ganho, não teria conseguido fazer a política social que faz, não teria conseguido fazer política internacional que faz. Lula foi um genial arquiteto. Conseguiu construir uma política, inclusive de alianças para viabilizar as transformações que o povo usufrui"


Para Emir Sader (que pode assumir como senador, caso aconteça a eleição de Lindbergh Farias, no Rio), o Partido dos Trabalhadores deu certo, mas não pela via original. “Muita gente fala “tenho saudade do PT”. Tenho certeza que o povo brasileiro não tem saudade. Não que aquele PT fosse ruim, mas nas condições de conservadorismo, retrocessos e derrotas, ele não teria ganho, não teria conseguido fazer a política social que faz, não teria conseguido fazer política internacional que faz. Lula foi um genial arquiteto. Conseguiu construir uma política, inclusive de alianças para viabilizar as transformações que o povo usufrui”

ENTREVISTA

Emir Sader: “PT enfrentará a sua mais fácil eleição”

Sociólogo afirma que mudanças sociais reelegerão Dilma e que pesquisas revelam que discurso de Eduardo nação convence o Páis

por Ayrton Maciel, do Jornal do Commércio, de Pernambuco
 
 Um dos ideólogos e pensadores mais fieis ao PT,  filiado desde 1984, o sociólogo e cientista político  Emir Sader, 70, professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) está convicto da reeleição da presidente Dilma Rousseff, e diz que o PT enfrentará “a sua mais fácil eleição”, devido à redistribuição de renda e os resultados dos programas sociais que mudaram o País. Emir aponta no discurso de Eduardo Campos (PSB) e de Aécio Neves (PSDB-MG) um “desencontro” com a realidade do Brasil. Afirma, ainda, que Eduardo “não é o novo”  e que perdeu a chance de ser o candidato de Lula em  2018. O sociólogo – que abriu o 5º Congresso Latino-Americano de Juízes do Trabalho, em Porto de Galinhas – admite que o PT paga o custo de ter perdido o debate político sobre o mensalão, o que lhe custou uma de suas duas grandes bandeiras: a da ética na política. A outra é a da justiça social. Primeiro suplente do senador Lindbergh Farias (PT-RJ), pré-candidato a governador do Rio, assumirá o Senado caso o petista seja eleito em outubro.

JC – Diante de uma crise mundial,  ameaça de inflação e PIB pequeno, o que justifica o otimismo exagerado?
EMIR –
 O Brasil sofreu a ditadura militar, a crise da dívida (externa, quitada no governo Lula) e com governos neoliberais. São três retrocessos brutais que a América Latina, em geral, sofreu. A região foi penaliza pelas mudanças no mundo, e o Brasil em particular. O resgate disso é formidável. É a auto-estima dos brasileiros, o prestígio do Brasil no Exterior, o  Estado que estava desfeito, ainda mais em um mundo recessivo, num mundo conservador. Em outras circunstâncias, um crise (mundial) como esta nos teria levado a uma recessão estúpida. Nós baixamos o nível de crescimento, mas por quê? Porque nós temos integração regional, intercâmbio de relações com vizinho, intercâmbio Sul-Sul, com a China em particular, e o mercado interno de consumo popular. Como diz o Lula, o pobre não é problema, é solução. Você distribui renda e ele consome, você depende menos da demanda do centro do capitalismo (Estados Unidos, Japão, Europa). Então, tem que valorizar isso, que só foi possível pelo grau de democracia existente. Hoje, há uma maioria progressista no Brasil, que elegeu Lula, reelegeu Lula, elegeu e vai reeleger Dilma, graças às políticas sociais. Temos que ter uma continuidade política que não é uma manobra do Estado, é o prestígio social de políticas que não foram feitas anteriormente. É estabilidade política. O Brasil não é um país de risco econômico, mesmo baixando o ritmo de crescimento.

JC – Há risco à estabilidade do país, quando nas redes sociais a direita faz convocação para reeditar a Marcha da Família de 1964?
EMIR –
 Isso é bobagem. Golpe militar é outra coisa. Tem que ter uma crise profunda do Estado, crise profunda da economia, crise social, não é assim que se faz. Faz-se o jogo deles (nas mídias), começando a divulgar isso desproporcionalmente. A Dilma tem todas as chances de se reeleger no primeiro turno, porque tem uma maioria política e social no Brasil que não é nem o susto do primeiro governo Lula. Há uma estimativa de que é uma eleição previsível, que até se ganhasse a oposição, não iria fazer coisa muito diferente.

JC – A novidade da eleição 2014 é um ex-aliado, Eduardo Campos (PSB), unido a Marina Silva – ex-petista – para enfrentar Dilma. Pode ser o diferencial?
EMIR –
 É a eleição mais fácil que o PT tem, ajudado por uma oposição equivocada. Os tucanos fazem a parte deles. O Eduardo está disputando votos com o Aécio (Neves, PSDB-MG). Criticando tanto a Dilma, que tem 40 e tantos por cento dos votos, ele está tentando conquistar os votos da Dilma que estão consolidados. Imagine com o tempo de televisão que tem a Dilma para divulgar as ações do governo, vai ser avassalador. E ele está disputando votos com o Aécio, pela aliança e por falar as mesmas coisas que o Aécio fala.  A hora da candidatura dele está errada, o programa está errado, o tom tá errado e os aliados estão errados. Ele vai se escangalhar. Vai perder no Nordeste, e talvez perca em Pernambuco se Lula fizer uma campanha forte. Se ele quiser se lançar daqui a quatro anos, pode ser. Não perde nada, é um governador do Nordeste desconhecido que vai ser (com a campanha) conhecido, mas não tem nenhuma chance de competir.

JC – A avaliação e a candidatura do PSB são, então, apenas eleitoral?
EMIR –
 É uma ambição pessoal. Ele poderia até ser o candidato do Lula, eventualmente,  com quatro anos mais (em 2018), mas não se conteve na ansiedade ou por outro motivo, não sei porquê, e se lança, mas dá a impressão que ele está num círculo fechado sem saber o sentimento do País. Ele fala coisas desencontradas. Ele eleva o tom com coisas em relação à presidente Dilma, e aí sai o nível de criação de empregos no Brasil que não tem nada que ver com o que ele fala. Ele está desencontrado do País. Ele fala o que seria conveniente. O País tinha que estar muito mal para ele se dar bem.

JC – O discurso sobre nova política, novas práticas, não é novo no País. Houve com Getúlio Vargas (1930),  Jânio Quadros (1960) e Fernando Collor de Mello (1989). Ele substitui o discurso da reforma política. Em circunstâncias históricas diferentes, retorna quando há crise econômica, política ou questionamento ético ao governo. Este é um discurso padrão?
EMIR –
 Este é o discurso da Marina (Silva, Rede Solidariedade), que Eduardo assumiu. Ele não tem nada de nova política. Que governo o PSB fez aqui? Com quem ele se aliou em Pernambuco? A Marina poderia sintonizar com as manifestações de ruas do ano passado, é a única candidata que cresceu no prestígio. Não tanto, mas cresceu, e que poderia representar isso (que Eduardo fala). É a única que falaria para os jovens e teria um certo diálogo. O Aécio (Neves) também fala que é preciso renovar o País. É porque cada um acha que é o mais novo possível. Esse discurso não aparece tanto, porque se aparecesse ele não estaria, mesmo com o apoio da Marina, tão baixo nas pesquisas. Nem a prática política nem a imagem (de Eduardo) correspondem ao discurso. Pode ser até que ele tenha algumas ideias, mas a imagem dele na sociedade não tem nada a ver com política nova.

JC – O nascimento do PT teve duas vertentes: a intelectual e a sindicalista. Em 33 anos, houve perda de quadros intelectuais e distanciamento das propostas e princípios iniciais. Isso tem a ver com a perda de quadros intelectuais que orientavam o partido?
EMIR –
 O PT deu certo. Não pela via original. Muita gente fala “tenho saudade do PT”. Tenho certeza que o povo brasileiro não tem saudade. Não que aquele PT fosse ruim, mas nas condições de conservadorismo, retrocessos e derrotas, ele não teria ganho (o poder), não teria conseguido fazer a política social que faz, não teria conseguido fazer política internacional que faz. Lula foi um genial arquiteto. Conseguiu construir uma política, inclusive de alianças para viabilizar as transformações que o povo usufrui. A militância (petista) diz, “Ah, eu gostaria de voltar…”, só que aquele PT estaria na oposição até hoje,  e  o povo estaria na mesma situação miserável de antes.

JC – Mas, a imagem do PT também mudou. Não é a mesma do principio.
EMIR – 
A avaliação de um partido não é só a da sua vida interna. É a sua interação com o conjunto do País. Tem muita coisa a ser mudada no PT e o PT, como partido, pagou um preço injusto pela crise de 2005 (o mensalão). A imagem do PT foi prá baixo e a imagem do Lula foi para cima. Com justiça, pela política social que ele fez. Na verdade, o governo (petista) também tem um prestígio tal que o partido fica muito à sombra dele.

JC – O PT precisa, então, ser repensado pelos petistas?
EMIR –
 O problema do PT é (responder á indagação): qual é o papel de um partido político de esquerda, hoje? Os partidos de direita perderam função. É a mídia que desempenha o papel de direção política da oposição. Na esquerda, qual é o papel? Não dá para organizar 1,5 milhão de pessoas (número de filiados). Aí, fica uma democracia interminável. Tem que ter um partido que dê orientação, que dê formação, mas quem tem que organizar é o povo. São momentos sociais. Tem que repensar essas coisas. Agora, não há sentimento negativo em relação ao PT. É preciso refletir, mas no marco político geral do País. Não é voltando para dentro de si mesmo. Ao observar o lugar do PT na história (recente) do Brasil, certamente ele é vitorioso. Nenhum partido tem o apoio político que ele tem. Então, é preciso ampliar o marco da reflexão sobre a situação do PT.

JC – A indefinição ideológica não favorece a surgimento de crises internas no PT?
EMIR –
 O PT é mais forte do que nunca, tem mais voto do que nunca. Vai eleger pela quarta vez o presidente da República. O PT não tem definição (ideológica, na esquerda), porque a esquerda, em escala mundial, está numa crise de identidade. O socialismo do século 20 desembocou numa derrota. Era totalmente artificial achar que a esquerda latino-americana está preparando o socialismo do século 21. O que é que se ache da Venezuela, não agora, mas em um período melhor, não era socialismo. É nacionalismo. É objetivo de futuro. Então, não está redefinido o que é socialismo. Hoje, o PT é frontalmente anti-neoliberal. Alguns setores querem ser anti-capitalistas, outros, não. É uma discussão ainda a se fazer. O Lula resolveu, empiricamente: aonde tinha resistência, recuava; aonde tinha fragilidade, avançava. É um processo do qual tem-se feito um balanço até para saber se hoje dá para ser só anti-neoliberal ou se tem que ser anti-capitalista.

JC – Então, o PT vive numa contradição interna?
EMIR –
  O Brasil está doente de capitalismo. O incentivo à especulação financeira é inerente a esse grande capital que está aí. O forte elemento recessivo que vem de fora e que está dentro, resiste a distribuir renda, a reciclar o sistema para produzir para a massa da população. É estrutural, e não só a taxa de juros. Dá para com esse grande capital privado que está aí continuar com a democratização do País ou o Estado tem que ter uma intervenção muito mais significativa para redirecionar a posição? Até agora, foi redirecionado para a redistribuição de renda. Mas, há uma resistência forte. Hoje, o hegemônico no mundo não é o capital automobilístico é o financeiro, na modalidade especulativa. Quer ganhar dinheiro assim, porque ganha mais que o produtivo, tem liquidez total, paga menos imposto e tem poder de pressão mais forte. Quebrar a hegemonia do capital financeiro é possível só no modelo redistributivo atual? Esse é um dos três problemas hoje pendentes: o capital especulativo, o peso do agronegócio e o peso do monopólio das comunicações. São três pendências que têm que ser resolvidas para se avançar na democratização.

JC – O PT chegará, então, a um momento em que vai se encontrar diante de si mesmo, quando então terá de se definir? Não será agora?
EMIR –
 Faz parte da indefinição da esquerda em escala mundial. Deveria ser (agora), mas  as transformações estruturais da sociedade brasileira ainda não foram feitas. As relações de poder, a democratização da terra e do crédito, são elementos estruturais de reforma que não foram ainda feitas. Então, tem que se ter uma reflexão muito mais profunda do que aquela coisa empírica de distribuir renda e criar uma nova demanda, redirecionar a produção. Isso chegou a um certo limite, relativamente. Mas, tem que ter essa discussão mais profunda, sim, que não é só ideológica sobre o socialismo ou não. É sobre a sociedade brasileira, sobre o que é possível e necessário fazer. Provavelmente a direita vai ter uma derrota grande. Nunca os tucanos vão estar reduzidos a uma proporção tão pequena, e a mídia também, porque ela está empenhada pró-oposição. Estão desencontrados do sentimento do povo brasileiro. Vai-se abrir espaço para uma avanço maior nas transformações da democratização do País.

JC – Uma das principais bandeiras do PT era a o combate à corrupção. Com o episódio do mensalão, em 2005, desde então essa bandeira saiu das campanhas eleitorais do partido. O PT vai conseguir, mais à frente, superar isso e resgatar essa bandeira?
EMIR –
 O que quer que tenha acontecido, factualmente, e evidentemente não foi o enriquecimento dos que participaram, foi uma formidável operação de marketing  político. A criação do imaginário do mensalão, na cabeça das pessoas ficou como: chegavam os políticos com a mala vazia, no Palácio do Planalto, subiam para uma sala, enchiam de dinheiro e iam embora. Ficou isso. O PT perdeu esse debate lá atrás. Ou porque não tinha outra versão a dar ou porque a que tinha não possuía meios para isso. Todos os desenlaces posteriores, inclusive as condenações, são resultantes da perda daquele debate. Os juízes (ministros do STF) não são canalhas. Eles não queriam passar para a sociedade a ideia de que são coniventes com a corrupção, porque ficou (a imagem) que era corrupção. Se era enriquecimento pessoal ou não, houve desvio de recursos. Punido com as normas legais, houve desvio, evidentemente. E isso afetou o PT. O partido tinha duas marcas: a justiça social e a ética na política. A campanha de 94 (Lula versus FHC) foi exatamente isso. Esse foi um tema que o PT perdeu. O PT passou a reiterar a outra perna da história, que é a política social. O PT não pode falar (mais) sobre ética na política sem prestar contas disso. Em termos de marketing e imagem pública, ele perdeu o debate. O que resgatou o PT foram as políticas sociais. Se imaginava que Lula seria derrotado pelo mensalão e não foi, porque as política sociais começaram a funcionar. Até o PT mudou a sua base social. Não é mais aquela base de classe média e sindicalista. É muito mais o povão das grandes periferias das cidades do centro-sul e do Nordeste. É resultado das políticas sociais do governo.

JC – E o PMDB, a presidente Dilma vai conseguir controlar a ânsia por cargos?
EMIR – 
Uma candidata que 85% dizem que vai ser reeleita, alguém acha que o PMDB vai ficar fora dessa parada? Não vai ficar. Está disputando para ter mais espaço dentro do governo. É o partido mais governista da história do País. A Dilma sabe que se desgasta no Congresso, mas cada vez que ela resiste e pega pesado (com o PMDB) ela ganha apoio popular. Está nas pesquisas. É um jogo de equilíbrio.

JC – Se o PMDB abandonasse o governo, Dilma e o PT aceitariam Eduardo como vice?
EMIR –
 Não, o PT está rompido com Eduardo. Se o PT resistia, é porque ele de vice estaria em condições privilegiadas para preparar a sucessão depois, embora vários setores do PT estavam sensíveis à ideia de alternância (em 2018). E seria com ele (Eduardo). Acho que ele jogou fora. Se o Lula e a Dilma estivessem convencidos disso, era um nome fortíssimo. Agora, não. Além do mais, seria excluir o PMDB, que uma parte dele foi muito fiel ao governo. Infelizmente, a esquerda fica mais enfraquecida para ter maioria no Congresso, vai depender mais do PMDB, porque o PSB se desgarrou. Ganhando a Dilma, o PSB vai ser o quê? Governo, oficialmente? Depois do nível de vocabulário que estão veiculando? A esquerda vai ficar dividida.

 

Categorias:Jogo do Poder

4 Comentários

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  1. - IP 189.74.58.112 - Responder

    Sociólogo oficial.

  2. - IP 200.193.207.55 - Responder

    esse cidadão é a mãe diná porque esta contado cegamente que a dilma vai ser eleita espere quem decide é o povo ainda não colocaram os candidatos espere um pouco mãe diná inclusive podem levar uma taca no rio de janeiro.primeiro é preciso combinar com o povo estamos tão revoltados que é melhor esperar.

  3. - IP 177.221.96.140 - Responder

    Um lugar no Banco dos Réus da ação penal do mensalão o PT já conseguiu e não se comportou com dignidade, nem seus líderes condenados estão tendo a dignidade de cumprirem a pena como manda a lei, ou seja, sem regalias.

  4. - IP 177.5.233.128 - Responder

    Pode até ser fácil mesmo , afinal com O MAIOR PROGRAMA OFICIAL DE COMPRA DE VOTO DO MUNDO ( o bolsa familia e bolsa casa melhor ou coisa assim) ,junto com a PROPAGANDA PARTIDÁRIA ILEGAL E EXTEMPORÂNEA que o BANCO DO BRASIL , A CAIXA ECONOMICA , A PETROBRÁS ( in memorian) e outras empresas publicas , criminosamente apresentam um paraíso artificial a cada dez minutos em 4 canais de TV , isso somando-se a 40% de analfabetos funcionais que portam titulo eleitoral nesse infausto país , até um poste se elege.
    Sociólogo cego.
    Bah!

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