SOCIALISMO DO SÉCULO 21: Por que Hugo Chávez deve ser reeleito no próximo dia 7? A resposta está nos 2.131.332 venezuelanos que deixaram a pobreza durante seu governo. Quem afirma é o colunista da Folha de S. Paulo, Clóvis Rossi.

A mortalidade infantil diminuiu, a expectativa de vida aumentou, o número de universitários cresceu e as crianças venezuelanas estão indo à escola numa quantidade sem paralelo na história do país. Problemas? Muitos. Criminalidade alta, pobreza e desigualdade ainda elevadas. Mas atenção: os problemas antes, na Venezuela, eram muito maiores.

2.131.332 razões pró-Chávez

POR CLÓVIS ROSSI
FOLHA DE S PAULO

Grande redução da pobreza e programas sociais ajudam a explicar o favoritismo do presidente

Há exatamente 2.131.332 razões para acreditar que Hugo Chávez Frías tende a ser re-reeleito presidente da Venezuela no dia 7.

É o número de pessoas que deixaram a pobreza nos 13 anos de reinado desse militar de 58 anos, caudilho por excelência.

Quando Chávez ganhou sua primeira eleição, em 1998, a Venezuela tinha 11.212.273 pessoas em situação de pobreza, das quais 4.523.392 eram extremamente pobres.

Em 2011, os números caíram para 9.080.941 e 2.450.621.

Os que deixaram de ser pobres representam pouco mais de 10% de um eleitorado de quase 19 milhões. É natural que votem em um presidente que faz questão de vincular todas as benesses a ele próprio.

Há outros avanços sociais a respaldar o favoritismo de Chávez, mas ele tomou o cuidado de cobrir-se com uma campanha eleitoral que a oposição reconhece ser “livre”, mas não “justa”, para usar as palavrinhas mágicas com que a comunidade internacional carimba pleitos civilizados.

A presença de Chávez na mídia eletrônica, obviamente decisiva, é avassaladoramente superior a de Henrique Capriles, o opositor.

Limpeza eleitoral à parte, Stephen Johnson, do conservador Centro para Estudos Internacionais e Estratégicos dos EUA, aponta uma coleção de problemas para depois reconhecer que, “apesar de frequentes apagões, do racionamento de comida, do desaparecimento de muitos empregos no setor privado e da inflação, muitos venezuelanos acham que estão melhor hoje do que há uma década e meia”.

O opocionista Capriles promete a quadratura do círculo: resolver todos os problemas apontados por Johnson e, ainda por cima, manter os programas sociais.

Promessas que estão lhe dando sobrevida nas pesquisas: das três mais confiáveis (se é que pode haver confiabilidade em pesquisas em país tão polarizado), uma coloca-o em empate técnico com Chávez. As outras duas cravam Chávez, mas todas apontam crescimento de Capriles desde o início da campanha.

Chávez gosta tanto de se comparar com Lula que importou o marqueteiro do então presidente, João Santana, e o bordão “nunca antes neste país”.

A política social chavista tem de fato pontos de contato com as de Lula, mas há entre eles uma diferença fundamental: Chávez busca permanentemente a confrontação com as elites; Lula aposta sempre na conciliação, ainda que as ataque retoricamente.

Explica Jesse Chacón, ex-tenente que esteve preso com Chávez após o frustrado golpe de 1992 e figura eminente do chavismo: “A renda média dos 20% mais ricos não foi afetada nem seu estilo de vida, mas percebem que já não retêm o controle do Estado e da sociedade, o que lhes provoca medo e raiva” (declarações ao “site” brasileiro Opera Mundi).

No Brasil, a renda dos ricos não só não foi afetada como continua remunerada com juros siderais, o que lhes provoca o gozo com as políticas de Lula, que jogou no lixo, como “bravatas”, as antigas propostas esquerdistas do PT. Ao contrário de Chávez, que aposta seu “socialismo do século 21” nas urnas.

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