SILVAL E CACHOEIRA – “Não conheço este homem”

“Não houve pagamento, é mentira”, diz Silval

DO DIÁRIO DE CUIABÁ

Em entrevista por telefone no sábado à tarde, o governador Silval Barbosa (PMDB) negou que tenha se encontrado algum dia com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

“Isso daí é pura especulação. Não conheço este homem, nunca conversei com ele. Não existe nenhuma conversa minha com ele em todo o inquérito da Polícia Federal”, disse o governador.

A respeito da Construtora Rio Tocantins (CRT), Silval Barbosa garantiu que o governo nunca fez qualquer pagamento à empreiteira. “Temos aqui o programa MT Integrado, que vai levar asfalto para 44 cidades. Várias empresas do Brasil inteiro participaram de concorrências públicas para estas obras. E várias venceram em determinado trecho. Esta empreiteira ganhou a concorrência no trecho de Santa Terezinha à BR-158”, explicou o governador. “Mas não nem contrato, nem ordem de serviço”.

O governador, no entanto, negou que a CRT tenha recebido dinheiro do governo em 2011, por conta de uma obra para a Secretaria Estadual de Transporte e Pavimentação Urbana (Setpu). “Não houve este pagamento, é mentira”.

Informado de que o pagamento constava no Fiplan (Sistema Integrado de Planejamento, Contabilidade e Finanças do governo do Estado), Silval disse não ter conhecimento.

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MT fez pagamentos a empresa citada

Publicação nacional detalha como o bicheiro Carlinhos Cachoeira tentou estender seus negócios para Mato Grosso

A Construtora Rio Tocantins (CRT) recebeu do governo de Mato Grosso R$ 2.177.600 no ano passado

DO DIÁRIO DE CUIABÁ

Ligada ao bicheiro Carlinhos Cachoeira, conforme reportagem deste final de semana da revista Época, a Construtora Rio Tocantins (CRT) recebeu do governo de Mato Grosso R$ 2.177.600 no ano passado. O pagamento se refere a obras em rodovias realizadas para a Secretaria Estadual de Transporte e Pavimentação Urbana.

De acordo com a reportagem, Cachoeira encontrou na CRT uma forma de expandir seus negócios pelo Centro-oeste sem se utilizar da construtora Delta.

A empreiteira também assinou dois contratos com a Secretaria Estadual de Segurança Pública, totalizando dois empenhos de cerca de R$ 150 mil. Estes pagamentos, no entanto, acabaram não sendo efetuados.

A revista garante que o governador Silval Barbosa (PMDB) teria se encontrado com Cachoeira em um jantar na casa do senador Demóstenes Torres (sem partido), um político com estreitas ligações com o bicheiro.

O Diário teve acesso, com exclusividade, a interceptações telefônicas em que o grupo de Cachoeira tenta marcar um encontro com Silval.

No dia 17 de março do ano passado, a Polícia Federal interceptou um diálogo entre Cachoeira e Demóstenes.

“É o seguinte: aquele caso lá do Mato Grosso… eu tinha esquecido de retomar. O rapaz… é… topa fazer o jantar na casa do advogado lá. O ex-procurador. Entendeu? O dia que o governador quiser”, diz Demóstenes. “Tá. Eu vou marcar lá”, responde Cachoeira.

Em uma segunda gravação, no dia 21 de junho do mesmo ano, Carlinhos e Demóstenes voltam a comentar sobre encontros com governadores. Eles falam de uma terceira pessoa que estaria tentando falar com o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

“Ele tá doido pra jantar com o Marconi, tudo, e o Marconi num marca, do mesmo jeito que tava doido para jantar com o Silval”, diz Demóstenes.

Assim como o Diário revelou ainda em abril, a revista Época atesta que um dos objetivos do grupo de Cachoeira era ter o controle da Loteria Estadual de Mato Grosso (Lemat), que foi reativada por uma lei da Assembleia Legislativa. A lei permite que empresas privadas controlem o jogo.

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Tentar ligar o Silval ao Cachoeira é forçar a barra”, diz Rayel

O secretário de Estado de Comunicação, Carlos Rayel, minimizou o conteúdo publicado na edição desta semana da Revista Época, que cita dois contratos de empreiteiras ligadas ao bicheiro Carlinhos Cachoeira com o governo de Mato Grosso.

Em reportagem intitulada “Negócios que não param de jorrar”, a revista mostra que o contraventor usou a Construtora Rio Tocantins (CTR) para fazer negócios em Mato Grosso e em outros Estados (leia AQUI). Além disso, a Construtora Delta, ligada ao bicheiro, possui contratos

Segundo Carlos Rayel, não há nada de “misterioso” na reportagem da revista.

“O governador está absolutamente tranquilo, porque não há nada de errado. O contrato com a CTR foi feito após um processo licitatório que seguiu os trâmites legais. O serviço foi feito, medido e pago”, afirmou.

Ele explicou que a Construtora Rio Tocantins venceu uma licitação, em 2010, para desobstruir uma estrada de acesso ao município de São José do Xingu, que estava “ilhado” em função das fortes chuvas na época.

O valor do contrato foi de R$ 1,3 milhão.

“É lenda”

“Foi tudo legal e transparente. Ninguém escolheu essa empreiteira (a CTR). Foi uma licitação como todas as outras, com concorrentes, com análise de preços e os trâmites necessários”, disse.

“A empresa fez o serviço e ele foi pago. Depois disso, não houve mais nenhum contrato com o governo. Esse de locação de veículos, citado pela revista, sequer foi contratado. A CTR venceu uma licitação, mas o governo não assinou o contrato. Portanto, não houve locação de um único veículo sequer. Aliás, não teve locação e nem vai ter”, disse Rayel.

O secretário disse que o governador está “traquilo” em relação ao noticiário.

“Tentar ligar o Carlinhos Cachoeira ao governador Silval Barbosa é ‘forçar a barra’. Uma suposta ligação entre ambos não passa de ‘lenda’, de papo furado. Silval nunca teve nada com esse pessoal”, disse.

Delta

Em relação ao contrato de locação de veículos com a Construtora Delta, recentemente prorrogado por mais seis meses pela Secretaria de Estado de Segurança Pública, Rayel reafirmou que o governador Silval Barbosa determinou uma auditoria “rigorosa” pela Auditoria Geral do Estado e solicitou o mesmo do Tribunal de Contas do Estado.

“Se houver algum tipo de problema, de irregularidade, o contrato será cancelado. É importante ressaltar que esses contratos, como todos os outros, são públicos e estão à disposição de quem tiver interesse em conhecê-los”, disse.(MidiaNews)

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Um “nada” de 70 milhões.
por ADRIANA VANDONI

O secretário de Comunicação de Mato Grosso, Carlos Rayel – herança deixada por Orestes Quércia para o PMDB de Mato Grosso, disse em um site do estado que a matéria da Revista Época é “fantasiosa” e “não passa de um monte de nada”.

Sobre o possível encontro entre Silval Barbosa e Claudio Abreu em Brasília, Rayel disse que “o repórter da Época que entrou em contato nem sequer sabia a data em que teria acontecido o tal encontro”, numa tentativa pouco profissional e até infantil, de desqualificar o jornalista da Época.

Procurado ontem, sexta-feira, pelo repórter da Época, Rayel confirmou a Ata de Registro de Preços de…30 carros. O que não é verdade. Conforme documento já publicado aqui, são 900 carros para serem fornecidos durante um ano. Também se pode ver pelas imagens da Ata de Registro de Preços que no dia 1º de março de 2012, foi feito o segundo termo de aditamento.

Em entrevista a outro site, o secretário Rayel afirmou que o contrato que ele disse não existir, “foi suspenso”. O que também não é verdade. Não consta no Diário Oficial do estado cancelamento da Ata de Registro de Preços. Para ser “nada”, como disse Rayel, R$ 70 milhões é muito caro.

FONTE PROSA E POLITICA

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Negócios que não param de jorrar
O bicheiro Carlinhos Cachoeira tinha outra empreiteira para fazer negócios e procurava oportunidades de explorar jogos em Mato Grosso e no Paraná

ANDREI MEIRELES, MURILO RAMOS E LEONEL ROCHA
DA REVISTA EPOCA

Todos sabem que o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, começou a vida no ramo de jogos ilegais. Com a ajuda de políticos e policiais e o uso de recursos do submundo, Cachoeira se tornou um homem próspero, com negócios nos ramos farmacêutico e da construção civil. Seu braço nessa área era a construtora Delta. A extensa investigação da Polícia Federal na Operação Monte Carlo mostra, à exaustão, quanto Cachoeira se empenhava para conseguir negócios para a empreiteira. Mas, como bom empresário, Cachoeira procurava diversificar seus negócios. Cachoeira usou a Construtora Rio Tocantins (CRT) para fazer negócios em Mato Grosso e em outros Estados da região. Assim como aconteceu com a Delta, os negócios da CRT ex-pandiram-se consideravelmente nos últimos anos.

A história da CRT se parece muito com a da Delta. No caso da Delta, o elo inicial de Cachoeira era o diretor da empresa para o Centro-Oeste, Cláudio Abreu. Os dois são sócios em outras empresas. Nos bastidores, Cachoeira trabalhava pela Delta. A CRT está registrada em nome do empresário Rossine Aires Guimarães. Fazendeiro no Tocantins, dono de um rebanho estimado em cerca de 80 mil cabeças de gado, Rossine é um homem discreto. De acordo com a investigação da Polícia Federal, Rossine é sócio de Cachoeira e de Cláudio Abreu em outras empresas e empreendimentos no Tocantins, no Distrito Federal e em Mato Grosso. Em conversas gravadas pela PF, Carlinhos Cachoeira afirma que usará a CRT como alternativa à Delta em negócios com administrações públicas. Até 2010, a CRT não tinha nenhum contrato com o governo de Mato Grosso. Depois da posse do governador Silval Barbosa (PMDB), a CRT melhorou de vida. Primeiro foi contratada, sem licitação, para executar serviços emergenciais numa rodovia estadual não pavimentada. Em agosto do ano passado, a empreiteira conseguiu um contrato para alugar 900 carros para o governo de Mato Grosso por um ano, por R$ 70 milhões. O governo de Mato Grosso diz que o contrato foi cancelado depois que o escândalo Cachoeira eclodiu.

A CRT foi contratada pelo governo de Mato Grosso por meio de um instrumento burocrático chamado de Ata de Registro de Preços. Funciona assim: a empresa participa de uma concorrência pública para ser a dona da ata. Mas, depois, tudo fica menos burocrático. Com a ata, a empresa pode ser contratada, sem concorrência, por qualquer órgão público em todo o país. Além de ter a turma de Cachoeira por trás, a estratégia da CRT é semelhante à seguida pela Delta. ÉPOCA revelou, na semana passada, que a Delta obteve três contratos para aluguel de carros para o mesmo governo de Mato Grosso. Os compromissos somam cerca de R$ 20 milhões. Nesse caso, nem houve concorrência. Para isso, o governo de Mato Grosso aderiu a uma ata, obtida pela Delta em 2009 com o governo de Goiás, onde Cachoeira era forte. Em abril, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás elevou o pagamento anual para aluguel dos carros de R$ 37,5 milhões para R$ 49 milhões e aumentou o prazo por mais um ano.

Os bastidores desse negócio estão num diálogo gravado pela Polícia Federal e obtido por ÉPOCA. Em 16 de abril de 2011, Cachoeira conta a Cláudio Abreu que o procurador Ronald Bicca lhe dissera que impediu o secretário de Segurança de promover uma licitação para a compra de carros. Cachoeira e Abreu comemoram a decisão. Ela beneficiou a Delta, que continuou a alugar os carros para a frota da Secretaria de Segurança. Um mês depois dessa conversa, a Delta Construção pediu – e conseguiu – o reajuste dos preços. O aval para o reajuste, o valor e a prorrogação do contrato por um ano foram definidos por Ronald Bicca, então procurador-geral de Goiás. Bicca foi afastado do cargo depois de ser citado em conversas gravadas entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres.
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Demóstenes ficou conhecido no Senado pelos jantares regados a bons vinhos. ÉPOCA já mostrou gravações da Polícia Federal em que Demóstenes e Cachoeira trocavam impressões e conhecimentos sobre vinhos. De acordo com políticos, num desses jantares na casa de Demóstenes, no ano passado, o governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, encontrou Cláudio Abreu. A aproximação fazia sentido. Escutas telefônicas mostram que, entre os interesses da turma de Cachoeira em Mato Grosso, estava o controle da Loteria Estadual (Lemat), fechada desde o final da década de 1980. Em outubro do ano passado, Barbosa assinou um decreto para reativar a loteria. Em dezembro, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso aprovou uma emenda que autoriza a exploração da loteria por empresas privadas. O autor da proposta foi o presidente da Assembleia, deputado José Geraldo Riva (PSD), um político envolvido em vários escândalos, que responde a mais de 100 processos por improbidade administrativa. Estava marcada para a semana passada a audiência pública sobre a loteria. Com a Operação Monte Carlo, o governador Silval Barbosa suspendeu a audiência. Desde o final de março, ÉPOCA tenta obter respostas de Barbosa, sobre a proximidade de sua administração com a turma de Cachoeira. Na semana passada, Barbosa se limitou a dizer que nunca esteve com Cachoeira.

Mais de 10 mil dias seguidos seriam necessários para uma pessoa ouvir todos os diálogos captados pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo. Poucas horas de atenção aos áudios seriam necessárias para essa mesma pessoa perceber que o sucesso da quadrilha dependia da colaboração de servidores públicos e políticos. Na semana passada, em sessão secreta da CPMI do Cachoeira, no Senado, o delegado federal Matheus Mella Rodrigues, responsável pela Monte Carlo, listou 81 pessoas, muitas delas políticos, que mantinham contatos com integrantes da organização criminosa ou seriam cortejados por eles. Entre os listados está o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB). Em 23 de agosto de 2011, Lenine Araújo, um dos principais colaboradores de Cachoeira, e Miguel Marrula (DEM), ex-vereador de Anápolis, em Goiás, falam da pretensão de Cachoeira de expandir sua atuação no Paraná. “Meu primo é muito… do vice-governador de lá, sabe? E quer levar o Carlinhos Cachoeira para conhecer o Beto Richa, lá, e a gente pode aproveitar alguma coisa nisso, você concorda?”, diz Marrula a Araújo. “Ele (Richa) é da família nossa. Você pensa num caboclo que gosta de um jogo…” Durante audiência na CPI, ficou claro que o primo a quem Marrula se refere é Amin Hannouche (PP), prefeito de Cornélio Procópio, no Paraná. Amin tem pretensões de ser o candidato a vice-governador de Beto Richa na eleição de 2014.

Marrula diz que, apesar de pequeno, o grupo ligado ao primo é forte. “Está com a faca e o queijo na mão porque o pessoal de lá, o secretário de Segurança, nós que colocamos…é gente da minha casa. É gente do meu primo”, afirma. O secretário de Segurança do Paraná, Reinaldo Almeida César Sobrinho, seria o personagem da conversa entre Marrula e Araújo. Sobrinho foi presidente da Associação de Delegados Federais e assessor do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). O delegado Sobrinho afirmou a ÉPOCA que não conhece Marrula nem Cachoeira. Disse, ainda, que conheceu o prefeito de Cornélio Procópio meses depois de ter assumido a Secretaria de Segurança e nega interferência dele em sua nomeação. Ao jornal Gazeta do Povo, Amin confirmou ser primo de Miguel Marrula, mas negou relações com Cachoeira.
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Locação de carros – a nova vedete da corrupção
POR ADRIANA VANDONI

A Polícia Federal vai abrir um capítulo para investigar Mato Grosso e as ligações com a quadrilha do bicheiro Cachoeira. Constam em um farto material, ainda não divulgado, conversas entre autoridades do estado com pessoas ligadas ao bicheiro. Além de interceptações telefônicas, a PF teria feito imagens de encontros entre políticos estaduais e integrantes do esquema.

Conforme revelou a Época (no post abaixo), o governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, se encontrou com Claudio Abreu, ex-diretor da Delta para o centro oeste, e Rossine Aires Guimarães, dono da construtora Rio Tocantins – a CRT, num jantar na casa do ainda senador Demóstenes Torres em Brasília.

Na pauta, obras da copa 2014, Lemat e VLT.

A construtora Rio Tocantins – CRT, até 2010 não possuía nenhum contrato com o governo estadual. Em 2011 ele recebeu da Secretaria de Transporte R$ 2.177.600,61, com dispensa de licitação (à esquerda).

Em agosto de 2011, a Secretaria de Administração publicou Ata de Registro de Preços – registro formal de preços para futuras aquisições de bens ou serviços -, para locação de carros da Construtora Rio Tocantins. Isso mesmo, assim como a Delta, a CRT também aluga carros. Na Ata de Registro de Preços n° 046/2011 constam 900 veículos para a Secretária de Segurança Pública – SESP, por coincidência a mesma secretaria para a qual a Delta também presta serviço de locação.

Assim como já aconteceu com obras públicas e suas medições de fachada, e com contratos de publicidade – de difícil fiscalização, tudo indica que a locação de carros seja a nova modalidade escolhida para desviar dinheiro público.

Neste ano a Rio Tocantins foi habilitada para participar de diversas licitações de obras da Copa, que ainda não aconteceram. Mas estamos no aguardo só observando.

PS: Carlos Rayel (secretário de comunicação), o senhor foi  procurado por um repórter e afirmou que a ata de registro de preços da CRT era para locação de apenas 30 carros. Como podemos ver na imagem do documento, sua conta está um tanto quanto errada. São 900 carros. Feio isso.

FONTE PROSA E POLITICA

Categorias:Jogo do Poder

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