Sem votos e sem apoio popular, a oposição comandada pela mídia e o tucanato paulista tenta encurralar Lula. Agora, não se usa a força militar, mas Judiciário e procuradores. MPF esconde nomes ligados ao PSDB que receberam dinheiro de Marcos Valério no Mensalão Mineiro, informa Fausto Macedo, no Estadão

Advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, faz uma revelação bombástica. Diz que entregou ao ex-procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, o mesmo que denunciou o PT, uma relação com nomes de 79 políticos que embolsaram recursos do mensalão tucano, de Eduardo Azeredo, "com valores recebidos e comprovantes". Indagado a respeito, o ex-procurador teve um surto de esquecimento. "Faz tanto tempo que saí de lá, quase quatro anos, que sinceramente não tenho lembrança", disse ele

Mensalao

Políticos são poupados no mensalão de MG, diz defesa

FAUSTO MACEDO – O ESTADO DE S PAULO

Na etapa derradeira do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, que abrange a fixação das penas aos 25 réus, e sob clima de forte tensão provocado pelo depoimento secreto de Marcos Valério Fernandes de Souza, seu advogado, o criminalista Marcelo Leonardo, acusou nesta terça-feira (6) o ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza de tratar “de forma diversa” dois fatos que teriam, em sua visão, a mesma origem e finalidade: o mensalão mineiro, que envolve tucanos, e o federal, que envolve petistas.

“No caso (do mensalão mineiro) ele (Antonio Fernando) não ofereceu denúncia contra os deputados que receberam valores por entender que participaram de caixa 2 eleitoral e o crime já estava prescrito”, disse Leonardo. “O procurador entendeu de maneira diversa a ação penal 470 (mensalão do governo Lula).”

Na ação penal que está sendo julgada pelo STF, Antonio Fernando denunciou 40 investigados, entre eles o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), o ex-presidente do PT, José Genoino, e o ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares. O ex-procurador não acolheu os argumentos das defesas, que alegavam crime eleitoral, e denunciou o núcleo político por corrupção ativa e quadrilha – crimes relacionados à compra de apoio parlamentar no Congresso Nacional.

A mesma crítica já havia sido feita pelo defensor de Valério em novembro de 2007, logo após Antonio Fernando apresentar a denúncia do mensalão mineiro. Leonardo afirmou que o então procurador-geral foi parcial ao analisar, em 1998, os fatos relacionados à campanha do ex-governador de Minas Eduardo Azeredo (PSDB) – atualmente deputado federal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

 

 

PGR esconde nomes ligados ao PSDB
Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador:

A revelação foi feita pelo advogado de Marcos Valério. Numa carta publicada pelo blog do jornalista Luis Nassif, o advogado Marcelo Leonardo informou:

“Quanto ao chamado “mensalão mineiro”, o andamento do caso está em fase bem mais adiantada do que se imagina. A etapa das investigações já foi concluída e nela Marcos Valério forneceu todas as informações , inclusive os nomes dos políticos ligados ao PSDB (deputados e ex-deputados) que receberam, em contas bancárias pessoais, recursos financeiros para custear as despesas do segundo turno da tentativa de reeleição do então Governador Eduardo Azeredo, em 1998, tendo entregue as cópias dos depósitos bancários realizados.

É importante saber que o ex-Procurador Geral da República, Dr. Antônio Fernando, ao oferecer denúncia no caso chamado de “mensalão mineiro” contra Eduardo Azeredo (hoje deputado federal), Clésio Andrade (hoje Senador) e outras quatorze pessoas, deixou de propor ação penal contra os deputados e ex-deputados que receberam os valores, porque entendeu, expressamente, que o fato seria apenas crime eleitoral (artigo 350 do Código Eleitoral – “caixa dois de campanha”), que já estava prescrito. Este entendimento não foi adotado no oferecimento da denúncia e no julgamento da AP 470.” (grifos do Escrevinhador)

A conclusão óbvia: a Procuradoria-Geral da República usou dois critérios diametralmente opostos para tratar casos similares. No “Mensalão” do PT, entendeu que o esquema de Valério foi usado para “compra de votos”. No “Mensalão” tucano, entendeu que se tratava de crime eleitoral. Isso quem diz é o advogado do principal réu das ações.

Mais que isso: Valério revelou à PGR nomes e contas bancárias de políticos que receberam recursos para bancar campanhas tucanas. Onde estão esses nomes? Por que nunca vieram à tona? Por que a PGR “desmembrou” o julgamento tucano, enquanto concentrou o julgamento petista no STF, e às vésperas das eleições. Todos nós sabemos as respostas. Mas agora é o advogado do réu mais importante quem deixa tudo às claras.

O advogado também falou sobre notícias publicadas neste fim-de-semana, em que fica clara a tentativa de envolver o presidente Lula no chamado “Mensalão”. Veja o que diz o advogado: “Se alguém “vazou” de forma seletiva, parcial e ilicitamente alguma providência jurídico-processual que está sujeita a sigilo, eu não tenho absolutamente nada a dizer, a confirmar ou não confirmar.”

Ou seja: a revista da marginal utilizou-se de “vazamentos seletivos”, segundo o advogado. Cachoeira está preso. Mas o estilo Cachoeira de jornalismo segue em alta. Vazamentos seletivos deixam de fora a imensa lista de políticos ligados ao PSDB. E trazem à baila o presidente Lula.

Oposição, Procuradoria Geral de República e parte da imprensa alinharam-se na tentativa de transformar o STF numa espécie de República do Galeão.

Nos anos 50, sem votos e sem apoio popular – mas com base na imprensa e em setores militares -, a UDN de Lacerda colocou Vargas na defensiva. A Aeronáutica abriu investigações sobre o atentado contra Lacerda e o assassinato do Major Rubens Vaz – supostamente, a mando de Vargas. As investigações corriam na Base do Galeão. Criou-se uma República paralela, que terminou com o suicídio de Vargas, em agosto de 54.

Sem votos e sem apoio popular, a oposição comandada pela mídia e o tucanato paulista em 2012, tenta encurralar Lula. Agora, não se usa a força militar, mas Judiciário e procuradores.

Vargas deu um tiro no peito – que adiou por dez anos o golpe udenista. Lula tem mais margem de manobra para reagir. Mas precisa ser rápido. O PT fugiu da batalha da mídia ao longo de dez anos. Mas a batalha da mídia chegou até o PT. Junto, vieram os procuradores e parte do Judiciário. Agora, não adianta fugir da batalha.

A direita não tem opção: ultrapassou todos os limites, cruzou o rubicão. Agora, só pode avançar. O alvo é Lula.

O PT também não tem opção: ou vai para a batalha, ou terá que lutar no campo e com as armas escolhidas pelos adversários. Esse é o cenário para 2013. Batalha campal, travestida de legalidade judicial. Um estilo de ataque já testado no Paraguai e em Honduras. Lá deu certo. Mas lá não havia Lula, movimentos sociais, sindicatos e partidos organizados.

———————–
Quem são os 79 de Valério, Dr. Antonio Fernando?

Advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, faz uma revelação bombástica. Diz que entregou ao ex-procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, o mesmo que denunciou o PT, uma relação com nomes de 79 políticos que embolsaram recursos do mensalão tucano, de Eduardo Azeredo, “com valores recebidos e comprovantes”. Indagado a respeito, o ex-procurador teve um surto de esquecimento. “Faz tanto tempo que saí de lá, quase quatro anos, que sinceramente não tenho lembrança”, disse ele

Brasil 247

A reportagem está no pé da página A4 do jornal Estado de São Paulo, mas seu conteúdo é explosivo. Um dia depois de revelar, por carta ao jornalista Luis Nassif, que Marcos Valério entregou à procuradoria-geral da República os nomes dos políticos beneficiados pelo chamado mensalão tucano, ocorrido em 1998, na tentativa frustrada de reeleição do governador Eduardo Azeredo, o advogado Marcelo Leonardo voltou ao tema. E colocou o ex-procurador-geral Antonio Fernando de Souza, o mesmo que denunciou o chamado mensalão petista, em maus lençóis.

No texto do jornalista Fausto Macedo, um dos mais experientes profissionais da imprensa brasileira, está dito textualmente por Marcelo Leonardo o que vai a seguir:

“Entreguei, na ocasião, a lista com os nomes de parlamentares e ex-parlamentares, 79 nomes ao todo, com valores recebidos e comprovantes. Mas ele (Antonio Fernando) entendeu que o crime estava prescrito porque os fatos se deram em 1998. O procurador considerou que, como crime eleitoral, já estava prescrito, e a pena é pequena”.

Ou seja: Marcos Valério entregou ao mesmo procurador que denunciou o mensalão petista, que está sendo julgado, o nome de 79 políticos beneficiados pelo mensalão tucano. Mais: entregou recibos e comprovantes de depósitos. Mas nada se fez a respeito.

Além de ouvir o advogado Marcelo Leonardo, Fausto Macedo também entrevisou o ex-procurador Antonio Fernando, que foi sucedido por Roberto Gurgel. “Faz tanto tempo que saí de lá, quase quatro anos, que sinceramente não tenho lembrança desse caso específico”, disse Antonio Fernando, num surto de esquecimento. “Tenho quase certeza de que não se tratou de crime eleitoral, mas acho que era a tal lista de Furnas sobre a qual havia dúvida de sua autenticidade”.

Não, Dr. Antonio Fernando. Na verdade, eram recibos de depósitos apresentados pelo próprio depositante, Marcos Valério. Para checar a autenticidade, bastaria buscar os registros bancários. Cabe, agora, à procuradoria-geral da República informar o que foi feito com as provas apresentadas por Marcos Valério contra 79 políticos beneficiados pelo mensalão tucano, que foi abastecido com recursos das estatais Copasa (R$ 1,5 milhão), Comig (R$ 1,5 milhão) e Bemge (R$ 500 mil).

11 Comentários

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 189.74.62.147 - Responder

    Os petralhas não se emendam querendo misturar a vilania deles com a de outros. A diferença, meus caros, esquerdotralhas, é que não haverá um batalhão de fascistoides espancando velhinhas, nem “intelequituais” para defender corruptos tucanos, como fazem os petralhas na defesa de seus “capos”, como Zé Genuíno e Zé Dirceu.

    • - IP 177.172.167.171 - Responder

      Jamais vou defender Genoíno e Zé Dirceu. Dois ditadores arrogantes e que levaram o PT para a direita. Mas um “João Ninguém”, não tem moral para agredir a esquerda desse jeito. Qualquer mensalão é crime. Mas os petistas teriam desviado um quinto do que roubaram esse povo da direita na Assembléia de MT em 4 anos. E até hoje estão soltos.
      Quero ver ele ter coragem de me atacar e mostrar seu nome e endereço. Mas o IP da máquina já me ajudará em eventual necessidade jurídica.

      • - IP 189.59.48.56 - Responder

        Esse é o PT.
        Ninguém pode divergir que logo é ameaçado.
        Esquerdóides que chafurdam nas tetas da Pátria.
        A resposta cuiabana foi dada nas urnas!

        Pare de ameaçar os outros eleitores.

      • - IP 189.59.48.56 - Responder

        Enock,

        O sigilo de quem acessa seu blog (IP) é fornecido a terceiros?!

        Isto é muito grave!

        Dê uma resposta a isto!

  2. - IP 201.88.97.74 - Responder

    NUNCA NA HISTÓRIA DESSE PAIS TEVE UM GOVERNO COMANDADO POR UMA QUADRILHA DE PESTISTAS QUE PAGAVA DEPUTADOS RECEBENDO UMA QUANTIA MENSAL PARA ESTAR A SERVIÇO DO REI LULA É ISSO QUE PRECISA SER ENTENDIDO POR ESSES PETISTAS,QUANDO UM DOS QUADRILHEIROS É PEGO DIZ EU JÁ FAZIA ISSO EM MINAS SÓ QUE EM MINAS ELE DIZ QUE FEZ SOMENTE NA CAMPANHA ELEITORAL DE 1998 DO AZEREDO QUE TAMBEM NÃO DEIXA DE SER CRIME MAS NÃO É CHOCANTE COMO O MENSALÃO DO GOVERNO FEDERAL DO PT DO LULA E COMPANHEIROS OU COMPARSAS?

    • - IP 177.172.167.171 - Responder

      Pois é sr. José Alves, já houve na história desse país falcatrua igual, quando FHC comprou a reeleição pagando 200 mil a cada deputado, via Sérjão. (Lembram do “aquele menino ali o Sérgio Moto?). Logo, comprar congressistas foi prática comum neste país. Só que naquele tempo de FHC tinha o Engavetador Geral da República (Brindeiro), que blindava o governo. Também a PF não tinha autonomia. Só quando Lula transformou este país em REPÚBLICA é que as falcatruas começaram a ser investigadas. E o STF, que está insatisfeito por questões de orçamento, esta agindo. Porém, rasgando a tradição do direito penal e da própria jurisprudência da suprema corte. Esse Ministros não são os heróis da pátria não. Se fossem, Maluf e Daniel Dantas não estavam soltos.

  3. - IP 201.49.159.68 - Responder

    Enock,
    Seu ptzinho está provando do próprio veneno, lembra-se de quando o FHC governava e o MPF, principalmente aquele procurador feioso, processavam tudo e todos, naquele tempo vocês adoravam o MPF e incentivavam até as ações totalmente despropositadas, agora aguenta “camarada cumpanheiro”.

    • - IP 177.172.167.171 - Responder

      Pois é Cadu, naquele tempo o STF engavetava tudo. O “feioso” era feio porque denunciava os bacanas. Agora que são os amigos do torneiro mecânico os denunciado, vão pedir prisão perpétua se puderem.

      • - IP 189.74.62.147 - Responder

        É moral a feiura do feioso, o torquemada do Planalto Central, aquele que destruiu a fita da conversa dele e seu colega com o Senador merecidamente denunciado e renunciado pela quebra do sigilo da voação no Senado, e assim não permitiu que se apurasse as denuncias de ilegalidades contidas no diálogo dos procuradores da República com o parlamentar.

        Tão feio moralmente é o homem que usou o cargo para incluir o CPF de um desafeto pessoal numa quebra de sigilo, mas depois disse que não foi intencional, mas apenas um equívoco (parece o Lullão dizendo que não sabia de nada). O engraçado é que depois que o PT assumiu o Poder, nunca mais se ouviu falar dele, é como se não houvesse mais falcatruas.

        É patético ver a defesa que fazem dos corruptos petralhas e a revolta deles por que ninguem ofende o STF para defender os outros corruptos. É um comportamento que, verdade seja dita, não é excluisividade da esquerdotralha, mas geralmente são eles que estão prontos a defenderem os seus corruptos, como se fossem santos.

      • - IP 189.73.210.13 - Responder

        Ademar,

        Usei a expressão feioso para não ofender os seguidores da praga do politicamente correto.
        Entretanto o camarada é feio mesmo independentemente de quem ele ataque.
        Será que você está querendo defender os petralhas utilizando o princípio da insignificância?
        Ou justificar os erros de uns pelos erros de outros?
        Que houve alguma coisa na votação da pec da reeleição tenho certeza. A diferença é que naquele caso ninguém mandou a mulher buscar dinheiro na boca do caixa, por exemplo.

  4. - IP 177.64.241.204 - Responder

    O mensalão veio a tona e chegou onde chegou por ser governo do PT. As elites anti-povo necessitavam segurar o crescimento do PT. Antes podia, agora não pode. Só não ve quem não quer.

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

doze − um =