Sebastião Carlos, historiador, da esquerda independente, diz por que devemos cultuar o Marechal Rondon

Sebastião Carlos

Porque cultuar Rondon
Sebastião Carlos

Que, sendo, incompatíveis às vezes os interesses da Ordem com os do Progresso, cumpre tudo ser resolvido à luz do Amor.
Que a ordem material deve ser mantida, sobretudo, por causa das mulheres, a melhor parte de todas as pátrias e das crianças, as pátrias do futuro.
Que no estado de ansiedade atual, a solução é deixando o pensamento livre como a respiração, promover a Liga Religiosa,: convergindo todos para o Amor, o Bem Comum, postas de lado as divergências que ficarão em cada um como questões de foro íntimo, sem perturbar a esplêndida unidade – que é a verdadeira felicidade.
– Credo Positivista de Rondon

Cândido Mariano da Silva [Mimoso – Sto. Antônio de Leverger: 5/05/1865 – RJ: 19/01/1958] é uma das personalidades mais importantes da História brasileira. Digo melhor, trata-se de um ícone da Pátria. Está certamente num patamar de igual altitude que Tiradentes, Santos Dumont, Rui Barbosa, algum outro? Temos poucas e raras figuras de grande porte geracional, isto é, que possam servir de modelos para as gerações presentes e vindouras. Então não irei falar aqui sobre aquilo que muitos, dos poucos, que sobre ele falam repetem vezes ou outras.
Sobre o seu grande mérito de integrador dos ínvios sertões brasileiros, um novo bandeirante que foi, ou sobre o sertanista que ergueu a bandeira, ainda hoje esfarrapada e tisnada de sangue, de respeito aos nossos irmãos indígenas. Sobre o menino órfão que veio para Cuiabá [e só então é que adquiriu o sobrenome Rondon] e, impúbere ainda, foi para a Escola Militar no Rio de Janeiro e que, de simples Alferes, chegaria ao final de sua longa e árdua caminhada ao posto mais alto da carreira, por outorga unanime do Congresso Nacional [1955]. Não falarei sobre o primeiro brasileiro indicado ao Prêmio Nobel da Paz, [1957] e não por brasileiros, mas pelo Explorer’s Club, de Nova York, que reúne os cientistas mais importantes daquele país e que entre os signatários esteva nada menos que Einstein, o maior cientista do século, além de ex-presidentes dos EUA. Sobre o único patrício [e um dos raros personagens no mundo] que é homenageado com o nome de um Estado da federação, não irei aqui falar. Uma tão longa e profícua trajetória de quase um século de vida não pode caber num modesto artigo de circunstância.
Assim é que seja melhor falar, em mínimas palavras, sobre o homem que Claude Levy Strauss, um dos fundadores da Antropologia moderna, considerava ser o maior humanista do século que o grande antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro cognominou de “santo laico” e que, já na primeira década do século XX, o ex-Presidente Theodore Roosevelt afirmaria que a “obra ciclópica de Rondon nos Trópicos” estava entre os maiores feitos da humanidade. Então é para este homem, que morreu pobre de bens materiais e com a imensa fortuna representada pelo respeito e a gratidão de seus contemporâneos, que quero prestar esta singela lembrança. É que, num tempo deserto de posturas éticas, em que o bom senso, a racionalidade e o respeito humano vagam sem rumo e em que a vida pública parece ter se tornado no valhacouto aonde os aventureiros, demagogos e oportunistas das mais variadas espécies implantaram o seu domínio, urge que o exemplo de Cândido Mariano da Silva Rondon seja entronizado nos lares de homens e mulheres de bem como símbolo da dignidade pátria.
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Sebastião Carlos Gomes de Carvalho é historiador. Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso e do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. Publicou, dentre outros, “Perfis Matogrossenses”.

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