Saíto, sempre matutando sobre a condição humana, se defronta com falsos professores, falsos intelectuais, falsos escritores, falsos líderes

Saíto e seu pai, Gilson de Barros

Saíto e seu pai, Gilson de Barros

 

Ego que transcende

Por Gonçalo Antunes de Barros Neto – Saíto

 

Sondando cada jeito de ser, cada comportamento que nos atravessa os olhos, percebe-se que a natureza humana, ou mais modernamente a condição humana, está mais para a forma ideal platônica, do homem em si, imutável, que aquela proposta por Heráclito de que tudo está num estado de fluxo, mudança, e a guerra e a luta dos opostos é a condição eterna do universo.

Parmênides parece sair vitorioso ao pregar a realidade única, indivisível e homogênea. A condição humana não se sujeita às mudanças quando se revela em essência, e assim o é quanto ao pensamento. Afinal, qual a diferença entre existir no mundo e existir na mente?

Uma determinada mentira pode existir na mente, mas é realidade no mundo? O mentiroso sabe que mente e aquilo que mente só se revela a ele, nada mais, que tem o seu domínio e está fora da realidade. É como mentir conhecer algo, havendo contradição na própria hipótese, pois, há incompatibilidade entre mentir e conhecer – quem conhece, sabe.

O que chama a atenção neste mundo são a imutabilidade da condição humana e seus conceitos ideais negativos (Platão e a noção de conceitos ideais abstratos), como inveja, injustiça, maldade e especialmente a mentira. A mentira nos ronda e assemelha à falsidade, mas sempre será ilusão, sendo notória a existência de falsos professores, falsos intelectuais, falsos escritores, falsos líderes – ‘enrolam’ e ‘obscurecem’ a realidade em que se inserem, precisamente na mente de quem assim os tem-.

Às vezes cuida-se de pessoa dedicada, disciplinada e trabalhadora, mas sem o ‘toque’ da genialidade, própria dos grandes. Somente estes podem ostentar filodoxia. Precisamos mudar o padrão de julgamento.

E esse ser que pensa que sabe, reflete o conjunto que se apresenta como essência, um todo falsamente construído e que se revela na alteridade; por isso que, ao defrontar-se com a genialidade (pensamento e ideal), tenta não ser reconhecido, projetando a consciência em desilusões e tristezas. Aqui precisa ser tratado, humanamente tratado.

Vale a lição de Hannah Arendt (A Vida do Espírito), ‘… Podemos concluir que nossos padrões comuns de julgamento, tão firmemente enraizados em pressupostos e preconceitos metafísicos – segundo os quais o essencial encontra-se sob a superfície e a superfície é o superficial -, estão errados; e a nossa convicção corrente de que o que está dentro de nós, nossa vida interior, é mais relevante para o que nós somos do que o que aparece exteriormente não passa de uma ilusão; mas quando tentamos consertar essas falácias, verificamos que nossa linguagem, ou menos nossa terminologia, é falha’.

Precisam, sim, ser tratados; eles que de sua falsidade acadêmica e questionável erudição existem como gênios de si próprios. Impossível transformar a realidade.

De Santo Agostinho: ‘As emoções são gloriosas quando permanecem nas profundezas, mas não quando vêm à luz e pretendem tornar-se essência e governar’.

É por aí…

 

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO, o Saíto, é magistrado e professor em Cuiabá.  (email: [email protected]).

 

 

 

 

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1 Comentário

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  1. - IP 201.49.164.75 - Responder

    Gilson de Barros foi o maior político da história de Mato Grosso. Não pela quantidade de cargos alcançados, mas por seu valor moral e liderança popular.

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