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SAÍTO: Manoel de Barros, poeta cuiabano, estará sempre conosco

Saíto avalia que as pérolas que por cá cantou o poeta pantaneiro Manoel de Barros, nos são caras e preciosas, imorredouras como os aguapés a cobrir a imensidão do Pantanal.

Saíto avalia que as pérolas que por cá cantou o poeta pantaneiro Manoel de Barros, nos são caras e preciosas, imorredouras como os aguapés a cobrir a imensidão do Pantanal.

Manoel de Barros

Por Gonçalo Antunes de Barros Neto – SAITO

 

Morto não está Manoel de Barros. Apenas se tornou materialmente transparente, apesar de que a transparência e a autenticidade ser a sua marca. Morre quem deixou na terra a melodia de seu cântico na música de seus versos? Cora, em versos, vaticina que não. Não mesmo, o afirmo, vive na sua intuição e sensibilidade, inquietação dos que nasceram para a história.

Morre quem assim suspirou? – ‘A poesia está guardada nas palavras – é tudo o que eu sei./Meu fado é o de não saber quase tudo./Sobre o nada eu tenho profundidades./Não tenho conexões com a realidade./Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro./Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas)./Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil./Fiquei emocionado./Sou fraco para elogios’-.

A imbecilidade é elogio aos que sabem que nada sabem, ou quase nada de tudo. A finitude é o destino da soberba e o manejo das palavras a solidão da sabedoria. Aquele que inspira dá o galardão aos de transpiração eloquente. Nada é por acaso, nem a existência do que não se vê e vive na metafísica dos sentimentos, é combatente heroico do existencialismo pagão.

Se um caudilho se mata para entrar para a história, que dizer daquele que honrou seus versos para renascer em ciclo eterno? Manoel de Barros é singular, e nesta não soou tímido, mas gazeteiro. Barulhento e intrépido em pântano silencioso. O vi, apertei-lhe a mão, aqui, em terra cuiabana, em largo sorriso e papo generoso, e, agora, o saúdo em memória da passada de degrau, ou melhor, de grau. Os mestres são ascendentes.

Quem já passou por esta vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos do que eu. A vida só se dá pra quem se deu, pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu (Vinicius). Os gigantes se doam, a causa lhes pertence. Por poema canta-se um texto escrito em linhas chamadas versos, que sensibiliza, dramatiza, resume em emoções um ‘eu’ interagente. Manoel de Barros não se esquivou, enfrentou as palavras como elas se apresentavam em seu imaginário. Rascunhou e refez para a compreensão e deleite de seus leitores. Doou-se.

O poeta cuiabano estará sempre conosco, dele não abrimos mão. Saiba, poeta pantaneiro, que o seu sentir, as pérolas que por cá cantou, nos são caras e preciosas, imorredouras como os aguapés a cobrir a imensidão do Pantanal. Renovamos a fé, defrontamos o abismo, contigo nos salvamos, a crueza dos néscios não achibantarão os escolhidos da utopia que sabe sonhar. Deus o abençoe, sempre e sempre. É por aí…

 

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO – SAÍTO é professor universitário, magistrado, membro fundador da Associação Poetas Del Mundo em Mato Grosso, cronista e escreve aos domingos em A Gazeta (email: [email protected]).

3 Comentários

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  1. - IP 191.179.149.171 - Responder

    zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzemocionante que até dormi zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz dormi de nome..opa acordei…..zzzzzzzzzzzzz agora desmaiei.zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

  2. - IP 177.41.89.142 - Responder

    Digno de Manoel de Barros…

  3. - IP 191.33.160.211 - Responder

    quando o poeta manoel morreu, minha filha me mostrou uma poesia dele que, segundo ela, a deixou encucaca. Dizia assim:

    “Tratado geral das grandezas do ínfimo

    A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.
    Meu fado é o de não saber quase tudo.
    Sobre o nada eu tenho profundidades.
    Não tenho conexões com a realidade.
    Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
    Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
    Fiquei emocionado.
    Sou fraco para elogios.”

    Eu disse assim para minha filha: importante é o eco que esses poemas provocam nas cavernas de nosso coração. minha filha continuou olhando pra mim com aquele ar de quem gostaria de entender o mundo e a poesia.

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