PREFEITURA SANEAMENTO

SAÍTO, especulando quanto aos limites e possibilidades do conhecimento humano, nos apresenta ao pensamento do alemão Gottfried Wilhelm Leibniz que gostava de misturar física com filosofia e tratou das monadas, elementos que apontava como básicos e que comporiam todas as coisas

Leibniz e Saíto

Leibniz e Saíto

Ilusão de cores

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO – SAÍTO

A máxima aristotélica-escolástica ‘nada tem no entendimento que não haja estado antes nos sentidos’ significa que a experiência é condição prévia para a possibilidade de conhecer. Portanto, se conhece pelos sentidos.
Os racionalistas, ao contrário, entendem que há ideias inatas, nascidas com a pessoa independentemente de qualquer tipo de experiência.
Quem está com a razão? Para a pretensão deste artigo, não importa. Pensemos somente na intensidade. Explico.
A pessoa nasce com certo instinto de sobrevivência, quer viver. Essa mesma pessoa, por diversos acontecimentos ou mesmo por predisposição, pode vir a ter ideias suicidas. Parece haver um paradoxo, sabe que pela natureza de que se reveste, matar-se não é correto, e, ao mesmo tempo, aceita a possibilidade.
O que realmente importa nisso: quem sairá vencedor?
Se abstrairmos o mundo sensível, a experiência, cultura, religiosidade etc., temos uma incógnita, equação não resolvida, e aí seria o acaso, sem qualquer explicação aparente.
Contudo, essa pessoa, por ensinamento ou mesmo religiosidade, tem dois dilemas: se obriga ou não. O seu livre arbítrio não é tão livre assim. Medo, fé, de um lado, e sofrimento moral, físico, de outro.
O fundamentalismo, nessa quadra, se torna útil. Pensar se a ideia de sobrevivência é inata ou se a experiência se mostrou desastrosa não altera o resultado, nem consegue explicá-lo com força acadêmica.
A ideia, somente ela, em si, não importando se inata ou adquirida, merece análise. De nada adiantará as estatísticas. Cuida-se de um pensar instantâneo. E por que está na mente dessa pessoa? Por que alguns animais irracionais se suicidam e por que outros lutam pela sobrevivência? Têm eles o toque da sensibilidade ou da racionalidade?
Por que somos ou de direita ou de esquerda? Anarquistas, capitalistas, liberais ou socialistas?
São as mônadas de Leibniz a construir em ideia? As ideias são imateriais, são mônadas? E se são mônadas, então foram criadas pela energia (força, princípio) primeira, por Deus? Se não são mônadas, têm energia? Mônada formada dessa maneira pode destruir outra, no caso o corpo humano? Ou o corpo humano, por ser mônada, volta para a origem, sendo outra mônada, por renascer?
Se projetarmos o pensamento em ideologia, temos mônadas de todas as cores, e suicida é aquele da mônada ao lado.
Deixemos os pobres deste país em paz, que cresçam como mônadas felizes e bem alimentadas, andando de avião e frequentando os shoppings, ou o buraco da agulha não é o mesmo para todos?
É por aí…

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO escreve aos domingos para A Gazeta (email: [email protected]).

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