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SAÍTO e a especulação que atravessa os séculos: a alma existe? Se existe, considerando ser e essência, quem pensa: a alma ou o corpo? A alma é separada do corpo ou não? A alma é corpórea ou incorpórea? A dor é atributo do corpo ou da alma?

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Alma e corpo

POR GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO – SAÍTO

 

A alma existe? Se existe, considerando ser e essência, quem pensa: a alma ou o corpo? A alma é separada do corpo ou não? A alma é corpórea ou incorpórea? A dor é atributo do corpo ou da alma?

As respostas a essas perguntas parecem fáceis, até simplórias, afirmariam alguns. Mas, não. Filósofos antigos, modernos e contemporâneos debruçaram-se na análise do tema, divergiram, e até os dias atuais as respostas são das mais variadas.

A mente, o pensamento, é atributo do corpo ou da alma, se é que ela existe? O comando direcionado a um determinado movimento corporal tem origem no cérebro ou em outro componente do ser, como a alma? No reflexo, por exemplo, no instante centesimal, o corpo é impulsionado pela inteligência, pensamento, ou puramente por ele mesmo? A intuição é meramente corporal ou da alma?

Somente quando penso, existo? Ou existo pelo só corpo e vida? Seria correto afirmar que os vegetais e minerais têm somente corpo, e que os animais, dito irracionais, além do corpo também têm alma?  E o homem, por ser (ou considerar) superior, tem corpo, alma e inteligência? A razão (com toda a sua dimensão, inclusive na possibilidade da distinção entre o certo e o errado) está em qual resposta?

O sentimento de dor, ou mais precisamente, o ato em evitá-la, só se imputa aos humanos? É do corpo ou da alma? O animal (irracional), ao soltar adrenalina por perceber que será abatido, emitindo sons ensurdecedores para a piedade de seus algozes, teme a morte ou a dor? Têm eles consciência da morte?

A expressão ‘de alma lavada’, nos remete a um estado físico ou não? Se a resposta for afirmativa, então, alma e corpo são atributos uno e indivisíveis? Ou seria ‘de corpo lavado’, pois, a alma é incorpórea, portanto, impossível de sofrer influência e modificação pela ação física?

Não se cuida, aqui, de responder perguntando; talvez até devesse, mas Sócrates está ocupado no momento, creio.

Para Agostinho, a mente está fora do corpo, porque é a alma e não o corpo que pensa e raciocina. Se definirmos um corpo como a substância ou essência de alguma coisa, então a alma é um corpo (Carta 166 – G. R. Evans, ‘Agostinho Sobre o Mal’), o que é diferente de dizer que ela é corpórea.

E a alma não pode ser corpórea em face de uma análise muito simples: se se amputar um membro de alguém, uma perna, por exemplo, a alma reduziria de tamanho? Vê-se, então, que ‘a vida não pode ser quebrada em partes’ (Plotino, Enéada VI, IV,3).

A alma é um corpo que não se vê, intangível, que, juntamente com o corpo que se vê, e tangível, forma o humano, que é diferente de humanizado. Daqui se constrói muitos conceitos e credos: religiosos (catolicismo, espiritismo, protestantismo etc) e modos próprios de vida em sociedade – pragmatismo, empirismo, secularismo e ateísmo-. Não se pode esquecer-se de um que está muito em moda ultimamente, o canalhismo, que, juntamente com o ‘frescurismo’, tem dominado as convenções sociais.

É por aí…

 

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO – SAÍTO, magistrado e professor, escreve aos domingos em A Gazeta (email: [email protected]).  

Categorias:Mora na Filosofia

1 Comentário

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  1. - IP 191.222.14.68 - Responder

    Mas se a toda alma habita porque só alguns recebem auxílio-moradia? Não seria uma possível expressão do canalhismo? Estamos todos condenados a pensar?

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