RUY GONÇALVES, médico, cirurgião e advogado, alerta para o crescimento vertiginoso do número de pessoas contaminadas pela tuberculose, em Cuiabá

ruy gonçalves e a tuberculose

 

O perigo iminente de pandemia de tuberculose em Cuiabá, por inercia das autoridades sanitárias do Estado e do Ministério Público

Por Ruy de Souza Gonçalves

 

 

Aonde encontra-se o secretario de Saúde do Estado de Mato Grosso que não “bloqueia a endemia de tuberculose nos presidios e cadeias de Cuiabá “?!

Porque põem em risco toda a população cuiabana?

Já não basta colocar em risco aos funcionários e as famílias dos presidiários?

Sou médico e, semanalmente, em plantões atendo e diagnostico uma media de 15 pacientes por semana.

Ao menos 10 são do Sistema Prisional.

Senhor governador, esqueça-se uma semana da Copa do Mundo e tome medidas enérgicas, como o isolamento e o tratamento dos infectados e de todos aqueles que com eles convivem.

Vejamos porque todos tem que ser tratados:

O contágio da tuberculose ocorre através do ar quando o indivíduo respira o ar contaminado com o bacilo de Koch, causador da tuberculose.

Este contágio pode ocorrer quando se está perto de um tuberculoso mas também pode ocorrer em locais públicos, cheios de gente como os shoppings e cinemas, pois o bacilo de Koch pode permanecer no ar durante muitas horas e, se um tuberculoso tossir num ponto de ônibus, por exemplo, outra pessoa pode respirar o ar contaminado e desenvolver a doença.

Imaginem o que o que ocorre no sistema prisional!
Mas é importante ressaltar que a transmissão da tuberculose só se dá quando se trata da tuberculose pulmonar, todos os outros tipos de tuberculose extra-pulmonar como a tuberculose miliar, óssea e ganglionar, não são transmissíveis de uma pessoa para outra.

Outro fator importante é que o indivíduo diagnosticado com tuberculose pulmonar deixa de transmitir a doença após 15 dias do início do tratamento da doença, mas isto só acontece se o tratamento for seguido rigorosamente, caso contrário ele poderá contaminar outros em qualquer fase da doença.

Diferenças entre pandemia, epidemia e endemia:

Pandemia é enfermidade epidêmica amplamente disseminada.

Epidemia é doença geralmente infecciosa, de caráter transitório, que ataca simultaneamente grande número de indivíduos em uma determinada localidade. Pode ser também surto periódico de uma doença infecciosa em dada população ou região.
Endemia é doença infecciosa que ocorre habitualmente e com incidência significativa em dada população ou região. E é isto que está ocorrendo há mais de ano.

As três palavras, então, podem ser consideradas sinônimas, apesar de haver diferenças entre elas. Vejamos quais são as diferenças:

Se uma doença ocorre com freqüência em determinada região sempre acometendo grande número de habitantes, chamamo-la de endemia ou de epidemia. Há, por exemplo, endemia (ou epidemia) de dengue nas grandes cidades brasileiras. Todo ano, na temporada de chuvas, muitas pessoas são acometidas pela dengue. Há também o caso que relatamos.
Se uma doença ocorre em determinada época (mas não com freqüência, ou seja, não todo ano) acometendo grande número de habitantes, chamamo-la apenas de epidemia. Por exemplo: em um ano, várias pessoas foram acometidas pelo sarampo. Nos anos passados isso não havia ocorrido: epidemia de sarampo. Há também no caso em que relatamos.

Quando uma endemia ou uma epidemia atinge grandes proporções, chamamo-la de pandemia. Por exemplo: muitas pessoas de alguns bairros da cidade tiveram dengue: epidemia ou endemia. Muitas e muitas pessoas de todos os bairros da cidade, inclusive do centro, tiveram dengue: pandemia.

Este último é o nosso receio.

 

Ruy de Souza Gonçalves é médico e cirurgião, em Cuiabá, Mato Grosso, formado há 34 anos e atua na rede municipal de Saúde. É também advogado.

 

2 Comentários

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  1. - IP 201.40.26.38 - Responder

    parabens doutor pelo alerta

  2. - IP 179.216.205.163 - Responder

    noticiá assustadora, doutor rui. seria bom que a secretaria de saude tomasse alguma providência.

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