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RUI PRADO: “O produtor rural de Mato Grosso sente-se órfão de representação política”cwe

“O produtor rural de Mato Grosso sente-se órfão de representação política”

 

Antonio P. Pacheco

CENTRO OESTE POPULAR

O empresário rural Rui Carlos Ottoni Prado, é a principal “força nova” que surgiu na campanha eleitoral deste ano em Mato Grosso. Candidato do PSD ao Senado da República, Rui Prado, como é mais conhecido, tem no currículo uma trajetória de militância no sindicalismo patronal. Nascido em Campo Grande (MS), casado e pai de três filhos,  Rui Prado  fundou sindicato rural, presidiu entidades classistas importantes como a Famato, o Senar-MT,  a Aprosoja-MT e a Aprosoja Brasil, além do Instituto Ação Verde. Em Mato Grosso, se estabeleceu em Campo Novo do Parecis, em uma propriedade de médio porte, onde produz soja, milho, girassol, pipoca e engorda de bovinos no sistema de integração agricultura-pecuária. Com inteligência e grande capacidade de articulação entre seus pares do agronegócio, Prado se transformou, nos últimos 15 anos, na mais promissora liderança de Mato Grosso. Seu estilo moderado e conciliador lembra muito um símbolo, um grande vulto da política do estado, o falecido senador Jonas Pinheiro, o primeiro e autêntico representante do homem do campo mato-grossense. Sem nunca ter disputado antes uma eleição político-partidária, Rui Prado entrou na disputa convicto de que poderá preencher a lacuna de representatividade do setor deixada pelas mortes prematuras de Jonas Pinheiro e do deputado federal Homero Pereira. Nesta entrevista exclusiva ao CO Popular, Rui Prado explica porque decidiu ser candidato ao Senado e detalha suas “bandeiras de luta” no Congresso Nacional caso seja eleito em 05 de outubro próximo.

CO Popular – O que levou o senhor a trocar a militância sindical no setor rural por uma campanha eleitoral ao Senado da República?

Rui Prado – Na verdade, as coisas foram acontecendo de forma até natural. Eu venho de uma militância na política sindical, fui fundador do Sindicato Ruralde Campo Novo dos Parecis e presidente da entidade, fui fundador da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) em Mato Grosso e seu presidente, fui presidente da Aprosoja Brasil, que congrega os produtores de todo o país, fui vice-presidente e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) da qual estou licenciado. Então, tenho uma vida e militância política sindical de muitos anos. Antes de me licenciar da Famato, fizemos várias reuniões com pequenos produtores rurais, médios e grande produtores rurais para decidirmos qual seria a nossa interação com a política partidária. E o setor achou por bem, que participássemos do processo eleitoral deste ano como candidato. Já a candidatura veio a partir do momento em que nos licenciamos das nossas atribuições sindicais e nos colocamos, diante do nosso partido, o PSD, e nossos possíveis aliados, como uma opção dentre as várias existentes de candidatura. Nós só nos tornamos candidato, no entanto, no último minuto do segundo, por assim dizer, quando se concretizou a decisão de lançarmos uma candidatura majoritária como terceira via, em uma chapa encabeçada pelo deputado estadual José Riva e comigo na disputa ao Senado.

CO Popular – O setor dos produtores rurais de Mato Grosso estava se sentindo órfão de representação no Congresso Nacional mesmo tendo o senador Blairo Maggi, que é um grande produtor agrícola em Brasília?

Rui Prado – O setor se sente órfão até hoje sim, depois da morte do senador Jonas Pinheiro (DEM) e, mais recentemente, do deputado federal Homero Pereira (PSD). Nós, produtores rurais, pensávamos que o deputado Homero seria o candidato ao Senado agora neste pleito, mas não deu. O setor, realmente, sente sim este anseio por ter um representante lá no Congresso que represente o todo da categoria, os pequenos, os médios, os grandes produtores porque o senador Blairo Maggi, não o desmerecendo em sua representação, é um grande empresário rural, representa a indústria e atua como trading, comprador e exportador de produtos agropecuários. Diferente de mim que não sou um grande produtor, sou um médio empresário rural. É por isso que o setor se sente muito bem representado com alguém como o perfil como o meu, que pode falar por todos os segmentos do meio rural.

CO Popular – Esta eleição em Mato Grosso tem alguns componentes surpresa para quem acompanha a política no estado, o fato do senhor ser candidato é uma das novidades. O senhor conta com esse fator para alavancar sua campanha entre outros setores da sociedade, extrapolando a representação do agronegócio?

Rui Prado – Não tenho dúvida alguma disso, que eu sou o novo, de fato. As pessoas, a população está desejando o que é novo na política, com um diferencial, porque eu sou o novo com experiência, pois conheço o estado de Mato Grosso, já andei por todos os municípios, conheço as dificuldades e as lutas não só do setor agropecuário, do qual eu venho, mas também da nossa população em geral. Eu sou novo na política partidária, até porque esta é minha primeira campanha eleitoral partidária, mas tenho conhecimento da realidade de Mato Grosso, tenho 51 anos, sou produtor rural de berço, formado em medicina veterinária, militante sindical, portanto, a gente se sente sim preparado para estarmos lá no senado e empenhados em aprender cada vez mais e ajudar nosso estado, nosso país e nossa gente a se desenvolver.

CO Popular – Em sua plataforma de atuação quais são os temas que o senhor pretende levar ao Senado e trabalhar de forma destacada, como prioridade?

Rui Prado – Nós temos alguns temas importantes, que serão eixos de nossa atuação no Senado. O principal deles, no entanto, é a proposta de um novo Pacto Federativo. Hoje nós temos um pacto federativo que não está contemplando os municípios como deveria do ponto de vista econômico. Nós sabemos que a distribuição dos recursos que é feita pela União acontece de uma maneira injusta porque menos de 15% da arrecadação dos impostos do país vai para os municípios enquanto o Governo Federal fica, sozinho, com a maior parte destes recursos. Mas é nos municípios que vivem as pessoas e estão os problemas na saúde, na educação, na segurança, no transporte, na infraestrutura. Então, é justo que coloquemos mais recursos nas mãos dos municípios, pois só assim, as pessoas poderão ser bem atendidas e terão melhor qualidade de vida.  O pacto federativo brasileiro tem que ser discutido com seriedade, pois não cabe mais  a União ficar com 60% da arrecadação do país e os municípios e estados ficarem com apenas 40% dos recursos. Nós queremos e defendemos que a divisão seja, no mínimo, 50% para estados e municípios e 50% para a União. Esta nossa bandeira beneficiará a todos os municípios, que com mais recursos, com certeza a levará à população mais saúde, mais transporte, mais asfalto, água tratada, segurança, mais e melhor educação.

CO Popular – Como o senhor pretende equilibrar sua atuação, caso vença as eleições, entre as demandas do setor que o senhor representa, o agronegócio, que é muito forte, e aquelas demandas sociais que o senhor mesmo citou há pouco e que também são graves e extensas?

Rui Prado – De fato, venho de um setor que é vital, importante mesmo para a economia brasileira, que é o agronegócio, haja vista que o superávit da balança comercial é gerado pelo setor, porém, eu vou ser um senador que vai representar o estado de Mato Grosso no Congresso Nacional, não serei um senador apenas do agronegócio , mas um senador de todos os mato-grossenses. Temos consciência dos problemas do nosso estado, da nossa população e com certeza vamos atuar em favor de todos os segmentos, para ajudar a encontrar soluções para os gargalos das várias áreas e setores do nosso estado. Na educação, por exemplo, vamos fazer coro com a defesa da federalização de todos os níveis do ensino público, da creche ensino fundamental, do ensino médio à universidade. Queremos que a União administre a educação no nosso país. Entendemos que desse modo, teremos melhores condições de fazer avançar de forma uniforme e equilibrada a política educacional brasileira, sem correr os riscos de desníveis na qualidade do ensino entre cada etapa da formação educacional das nossas crianças, adolescentes e jovens universitários como temos hoje.    Com a federalização da rede pública de ensino, acreditamos que será possível até mesmo resolver os desníveis de oportunidades que há entre os jovens das classes que formam a base da pirâmide social e os que são oriundos das classes que estão no topo da pirâmide e com isso, em alguns anos mais, se poderá até acabar com os sistemas atuais de cotas, que hoje são importantes para reduzir as distorções que existem hoje e também os professores poderão ser melhor remunerados.

CO Popular – O Brasil vive um paradoxo: as taxas de desemprego são baixíssimas, mas, ao mesmo tempo, ainda há milhões de pessoas desempregadas, que não conseguem uma vaga no mercado de trabalho. Os setores produtivos alegam que o país vive um “apagão de mão de obra”, o que fazer para resolver esta contradição?

Rui Prado –  Nós sabemos que, realmente, há uma carência de mão de obra no Brasil. O Brasil precisa urgentemente de técnicos. Sabemos da carência de alguns setores por mão de obra especializada. Há uma carência muito grande, por exemplo, de gente para trabalhar no campo, por exemplo, tanto do ponto de vista de números quanto de conhecimento. E isso se reflete também nas cidades. Claro que precisamos de doutores, de mestres, mas, também precisamos, e muito de técnicos. Para isso, existem as escolas de ensino técnico, os Institutos Federais de Ensino Tecnológico (IFETs), e o Sistema S, Senai, Sanar, Senac e Senat, que desenvolvem algumas ações nesse sentido por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e que podem ser ampliados e atuarem de forma coordenada e formar os técnicos de que o Brasil precisa. Um cidadão qualificado profissionalmente gera mais renda para ele e sua família, para o Brasil e  assim, contribui para um maior crescimento econômico do país. Nenhum país chega a condição de potencia mundial se seus cidadãos não foram  muito bem preparados.

CO Popular – Mato Grosso tem na logística o seu maior gargalo de desenvolvimento. O que o senhor considera fazer no Senado para ajudar a resolver o problema e destravar o crescimento do estado?

Rui Prado – Realmente a logística de transporte em nosso estado é péssima. Precisamos de investimentos pesados, principalmente, na ampliação da rede de ferrovias como a Ferronorte e a construção da Ferrovia de Integração dói Centro-Oeste (Fico), bem como a implantação efetiva de hidrovias como s do Paraguai/Paraná e Teles Pires/Tapajó. Nós sabemos que será preciso um grande esforço para vencer as resistências que existem contra os investimentos na diversificação do sistema de transportes de cargas no país, hoje baseado principalmente transporte rodoviário, que é mais caro, mais seguro e por estradas muito ruins, esburacadas e extremamente perigosas. Há falta de vontade política para que investimentos em ferrovias e hidrovias  aconteçam, O momento, no entanto, é favorável para amarrarmos, politicamente com nossos aliados em nível nacional, compromissos com a implantação de um programa de investimentos consistentes para dotar o Brasil, e Mato Grosso de um sistema verdadeiramente intermodal de transporte, integrando os modelos rodoviário, ferroviário e hidroviário.

CO Popular – Outro tema polêmico que, necessariamente, deverá ser tratado no Congresso Nacional na próxima legislatura, e pelo senhor, caso vença a eleição para o Senado é a questão da criação e ampliação das reservas indígenas. O senhor vai defender o fim destes processos?

Rui Prado – A questão indígena é uma das mais delicadas, e sérias, que o Brasil precisa tratar e resolver de forma definitiva. Sou a favor de que os critérios para a criação e a ampliação de áreas indígenas seja sim, revistos. Hoje o problema dos indígenas brasileiros não é a falta da terra para viverem em paz, mas, a política equivocada que os fazem depender inteiramente da Funai para tudo. O que os nossos indígenas precisam não é de mais terra, seja em Mato Grosso ou em qualquer outro estado. Os índios precisam é de uma política que lhes assegure de fato, a plena cidadania, tratamento adequado à sua saúde, condições para que obtenham seu sustento em suas reservas, que sejam tratados com dignidade e respeito. É absurda as condições degradantes a que os indígenas são relegados hoje pela Funai. Isso sim, precisa mudar.

CO Popular – O senhor, caso seja eleito, pretende propor mudanças ao novo Código Florestal brasileiro?

Rui Prado – O novo Código Ambiental Brasileiro trouxe avanços, mas, ainda é um marco legal que precisa ser aprimorado. Sim, vou trabalhar para melhorar o sistema legal na área ambiental. Tenho consciência de que precisamos sim, proteger nossas florestas, nossos biomas e mananciais. Mas, também temos a convicção de que as leis ambientais não podem travar o desenvolvimento do país, estrangular o setor produtivo e impedir o homem do campo de ganhar seu pão e prosperar na terra que é sua. 

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