PREFEITURA SANEAMENTO

RODRIGO RODRIGUES: Ao escalar o senador Pedro Taques para defendê-lo, Mauro Mendes comprometeu até mesmo seus companheiros. Se, após as investigações da CPI dos Maquinários, ficar comprovado que houve irregularidades, Pedro Taques, que articula desesperadamente para ser candidato ao Governo de Mato Grosso, também não será mais polícia.

O prefeito Mauro Mendes com sua esposa, Virgínia Mendes, durante a campanha eleitoral de 2012

O prefeito Mauro Mendes com sua esposa, Virgínia Mendes, durante a campanha eleitoral de 2012

Mendes X João Emanuel ou “Herrar é humano”

POR RODRIGO RODRIGUES

 

É impressionante o talento e a insistência do prefeito Mauro Mendes em errar e cometer falhas em sua articulação política. Refiro-me ao embate entre a Prefeitura de Cuiabá e a Câmara de Vereadores, deflagrada na última semana, por conta da “CPI dos Maquinários”.

Para começar, Mendes tem muito mais a perder com esta peleja, que tomou ares de insanidade. Ele quer ser candidato a governador em 2018, enquanto o vereador João Emanuel, ao que consta, se reeleger em 2016.

A reação histérica de Mendes à CPI dos Maquinários foi tamanha, e sem lógica, que podemos até dizer que foi uma espécie de “batom na cueca”.
Ao partir para ataques pessoais contra o vereador, e tentar plantar a teoria de que a Câmara quer lhe dar um golpe, para afastá-lo do Palácio Alencastro, o prefeito revela imaturidade política e falta de senso de ridículo (a ponto de até mesmo críticos contumazes de João Emanuel saírem em sua defesa, como foi o caso do jornalista Enock Cavalcanti).

Duas coisas chamam a atenção neste embate. A primeira é o fato dos secretários de Mendes dirigirem suas criticas somente ao presidente da Câmara, pois, o estranho, é que foi o vereador Toninho de Souza (PSD) que fez o requerimento da CPI (que teve assinatura até mesmo do vereador Onofre Júnior, que pertence ao mesmo partido do prefeito).

Porque será que a trupe de Mauro, incluindo Antero Paes de Barros, que lamentavelmente “rifa” sua história política ao se alinhar aos seus ex-algozes, está poupando o verdadeiro autor da CPI? Seria medo, pelo fato de Toninho ser apresentador do programa de maior audiência da TV Gazeta, do empresário Dorileo Leal?
A segunda questão pertinente é o fato dos vereadores governistas também exigirem mais recursos para o Legislativo, tendo vários deles assinado a ação que tenta derrubar a decisão da desembargadora Maria Erotides, que limita a verba de gabinete em dois mil reais. Por enquanto nenhum parlamentar da base do prefeito veio a público declarar que abre mão de seu salário e de sua verba de gabinete. Para mim, Mendes humilhou não só João Emanuel, mas a todos os vereadores. Ou seja, ele chamou todo o Poder Legislativo para a briga.

Mauro Mendes perdeu a eleição para a Mesa Diretora da Câmara por erro exclusivo seu e, ao tentar consertar o erro, erra mais ainda.

Se voltarmos um pouco no tempo, na pré-convenção, Mauro tinha tudo para compor um amplo arco de aliança, que o levaria a uma eleição fácil, sem grandes comprometimentos empresariais. E sem, claro, ter que pedir arrego ao então prefeito Chico Galindo.

Seu primeiro erro foi na escolha do vice: ele deveria ter batido o pé e não aceitar a imposição de segmentos do PR. Seu segundo erro foi fazer pouco caso do apoio do PMDB. Esse erro lhe custou caríssimo, literalmente. Mendes teve que se comprometer de tal forma com alguns grupos, e com Galindo, que engessou sua gestão, e gastou pelo menos o triplo em sua campanha eleitoral.

Era de se esperar que ele aprendesse com esses dois erros, pois ele não me parece ser uma pessoa desprovida de bom senso. Que nada… Logo depois de assumir a prefeitura, cometeu seu terceiro, e definitivo erro, ao não fazer uma composição para Mesa Diretora. A partir daí, o prefeito teria que fazer uma reflexão, e restabelecer o diálogo político, ou que designasse alguém com tal habilidade. Mas não, Mauro continuou forçando a barra.

Na composição de seu secretariado, ele mostrou que não sabe montar time. Escalou atacante na defesa, meio campo na ponta, e até goleiro jogando de centro-avante. Deu no que deu.

Tentou mexer, corrigir, mas a troca de membros de sua equipe foi fraca, sem resultado imediato, principalmente na articulação política. Sua gestão lembra muito aqueles dinossauros imensos, de uns trinta metros que, quando tacam fogo no seu rabo, leva uns quinze minutos para a informação chegar ao cérebro, mais um tanto para processar, e mais quinze de volta, e ainda assim mexe o rabo para lado errado (o que me leva a crer que, como os dinossauros, logo ele poderá estar extinto).
O economista Gustavo Franco, um dos idealizadores do Plano Real, e, ex-presidente do Banco Central, relata em um de seus livros, suas primeiras impressões ao ir morar em Brasília. Em uma ocasião, já tarde noite, Franco ainda estava na sede do Banco Central, e chamou em sua sala o mais antigo funcionário da instituição, um senhor já de idade avançada que gozava de excelente reputação.

Franco lhe fez uma pergunta direta: “Como funciona Brasília?”. O velho funcionário fez uma pausa, olhou nos olhos do presidente e lhe disse: “Doutor Gustavo, aqui em Brasília polícia é polícia e bandido é bandido. O dia que o senhor molhar o dedinho lá, o senhor não é mais polícia.”

Pelo andar da carruagem e o tamanho do barulho, Mauro já molhou o dedinho. E ao escalar o senador Pedro Taques para defendê-lo, comprometeu até mesmo seus companheiros. O senador hipotecou total e irrestrito apoio a Mendes, achando muito natural a “coincidência” de um sócio do prefeito, Wanderley Torres, da Trimec, ter ganhado uma licitação milionária (assim como um dos coordenadores de campanha do atual prefeito, chamado Gustavo Oliveira – nada a ver com o homônimo do Diário de Cuiabá-, ter ganhado outra, também milionária).

Se, após as investigações da CPI dos Maquinários, ficar comprovado que houve irregularidades, Pedro Taques, que articula desesperadamente para se candidato ao Governo de Mato Grosso, também não será mais polícia.
RODRIGO RODRIGUESRodrigo Rodrigues, jornalista e analista política.

Categorias:Jogo do Poder

16 Comentários

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  1. - IP 177.64.235.119 - Responder

    ESSA LICITAÇÃO NÃO TEM EXPLICAÇÃO, FOI DIRECIONADA MESMO, E ISSO É CRIME, QUE VERGONHA O SENADOR PEDRO TAQUES DEFENDER ISSO. VIROU BANANINHA DE BULICHO. TÁ CERTO O RAPAZ AI, PORQUE A TURMA NÃO BATE NO TONINHO, ESTÃO COM MEDINHO DO DORILEL?

  2. - IP 189.59.69.195 - Responder

    Rodrigo Rodrigues se arvora de “analista político” sem ter isenção para sê-lo. Até outro dia era companheiro de partido do Pedro Taques e hoje estaria filiado ao DEM. Logo, ele tem todo o direito de escrever artigos sobre política, mas não é um “analista” isento.

  3. - IP 177.64.235.119 - Responder

    O fato ser filiado e ter militancia partidaria é normal, veja por exemplo você Ademar Adams, veja também o Enock que tem ligação com o PT. Já li desse cara descendo a borduna em companheiros dele, como foi o caso de Valtenir, e foi o primeiro a dar o alerta sobre Pedro Taques, o pirmeiro a desmacarar o senador, mesmo sendo do mesmo partido e tendo sido ele o responsavel por sua filiação. Então tem inseção sim. Nessa você viajou na maionese meu caro Ademar.

    • - IP 189.59.69.195 - Responder

      Ewalton: Eu não tenho ligações com o PT, e nem nunca tive. e também jamais me intitulei “analista”, sou jornalista e engajado nas luta sociais. Meu comentário é que ele não pode se auto-denominar “analista”, por não ter formação para isso e nem isenção. Ele tem o direito de dizer o que quer, mas ao se dizer “analista” falseia a verdade. Grato por seu comentário.

  4. - IP 177.64.235.119 - Responder

    Ademar Adams me diga em que cidade ou país fica a faculdade de “analista politico”? Quero saber aonde se forma, pois você disse o Rodrigo não tem formação para isso. Gostaria de saber também baseado em que você diz que ele não é isento? Você conhece ele?

    • - IP 189.59.69.195 - Responder

      Você já ouviu falar no curso de Ciência Políticas? E Sociologia? Sobre Rodrigo auto-intitulado “analista”, olha, eu prefiro o analista de Bagé….

  5. - IP 177.64.235.119 - Responder

    Já ouvi falar desses cursos sim professor, só não sabia que para fazer analises politicas precisava ser formado em sociologia ou ciencias politicas. Será que o resto do mundo tá sabendo disso? É bom o senhor avisar. Me parece que o nobre e isento jornalista tem uma pontinha de inveja do senhor Rorigues. Que coisa feia Ademar!

    • - IP 189.59.69.195 - Responder

      Eu inveja? Você me parece adorá-lo… Eu até aprecio esse estilo atirado dele ao escrever, só que ele usa seus artigo com interesses político posando de “analista”. Este e o cerno das minhas considerações. Nada tenho contra ele.

  6. - IP 177.64.235.119 - Responder

    Deixa de ser invejoso Ademar, você é frustrado. Rodrigo alem de ser o maior gato escreve muito bem, e é o mais lido, enquanto você tem fama de chato e quer pegar carona na fama dos outros.Somente uma cabeça doente para usar esse argumento, quer dizer que para ser comentarista de futebol o cara tem que fazer faculdade de educação fisica? Os jornalistas que fazem analises politicas estão em desvio de função? Vá fazer alguma coisa de relevante à sociedade meu senhor. Você é motivo de riso, não goza de credibilidade nenhuma, e é muito criticado dentro do TRT, por não desempenhar de forma competente sua função.

  7. - IP 189.59.69.195 - Responder

    Não conheço você Angela Costa, por isso não sei de onde você tira as suas conclusões. Se o cara é uma “gato”, vá dar para ele e deixe eu fazer os meus comentários. Cabeça doente parece ter você que mistura suas taras com um debate que julgo saudável.
    Não devemos ser radicais como você coloca a questão, mas ver o Rubinho Barichello dando uma de repórter, é um desrespeito aos profissionais, por exemplo.
    Mas você me mandar fazer alguma coisa relevante…E você faz o que?
    Quanto ao meu local de trabalho, nem vou responde essa aleivosia. Vá te catar!

  8. - IP 177.64.235.119 - Responder

    Beleza Ademar, aceito seus argumentos e respeito, quanto a Angela Marra acho que se excedeu.

    • - IP 189.59.69.195 - Responder

      Saudações Ewalton!

  9. - IP 187.7.212.2 - Responder

    Concordo com o Ademar, embora um bom analista político, não precise necessariamente ser sociólogo ou cientista político, tal formação ajuda e muito na consistência de suas análises. Por outro lado, vejo que as análises do Rodrigo são primárias, tendenciosas e frágeis na argumentação, bem como na análise dos fatos. Alguém levantou o que foi efetivamente licitado, qual o valor, o preço é de mercado e os serviços são necessários e estão sendo prestados? Esses fatos é que precisam ser respondidos de maneira clara e objetiva. No mais são ilações genéricas que podem até parecer verdadeiras ao senso comum, mas para serem levadas a sério como uma análise política precisam de fundamento fático, o que até agora o Rodrigo não apresentou.

    • - IP 189.59.69.195 - Responder

      Você está certíssimo Gregório!

  10. - IP 177.64.235.119 - Responder

    Pelo o gregorio, com ” g” minusculo faz parte da turma do antero, que um dia, lá atrás, foi com A maiusculo. Os vencedores da licitação foram o socio e doador de campanha de Mauro Mendes, e o outro foi seu coordenador, se não foi ilegal foi imoral. Ponto e basta.

  11. - IP 177.64.235.119 - Responder

    Que isso Ademar, que decepção, elogiando a turma do Antero.

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