RODIVALDO RIBEIRO: No lugar do Congresso seguir com seu debate infrutífero e de consequências nefastas caso sejam levadas a cabo a redução da maioridade penal e a terceirização das atividades fim, nossos políticos poderiam estar muito bem buscando meios de incentivo para manter os jovens nas escolas

NA ESCOLAEscola atrativa

POR RODIVALDO RIBEIRO

 

No lugar do Congresso seguir com seu debate infrutífero e de consequências nefastas caso sejam levadas a cabo a redução da maioridade penal e a terceirização das atividades fim (tornando, na prática, toda relação de trabalho uma espoliação entre empresas grandes às microempresas e não mais aos trabalhadores), nossos políticos poderiam estar muito bem buscando meios de incentivo para manter os jovens nas escolas.

Felizmente Mato Grosso apontou recentemente dois ótimos exemplos — apesar da vergonha de ainda não ter efetivado, dez anos após sua criação, o plano de identificação e capacitação de alunos com habilidades especiais –, um relacionado ao ensino de robótica em escolas públicas e outro com o anúncio da criação do projeto do primeiro observatório astronômico de Mato Grosso, numa iniciativa encabeçada pela Associação Mato-grossense dos Amigos das Estrelas (AMAE) e a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Secitec).

É tão óbvio e simples quanto o velhíssimo provérbio que diz serem as cabeças vazias as melhores moradas para o mal e ocupá-las, o caminho para dele as afastar. No entanto, o mar de bu(r)rocracia onde vivemos deitados eternamente em berço esplêndido parece ter um prazer imensurável em tragar boas ideias e afogar iniciativas venais de mudança. Prefere-se sempre o caminho da punição, dos maus-tratos, da morte via bala, não importa quem esteja por trás do gatilho, se a polícia ou o crime declarado.

Uma tolice sem fim, basta olharmos o número de cientistas formados pelo país a cada ano, vergonhoso se compararmos com outros países, mesmo mais pobres e menos desenvolvidos que nós (e olha que eles existem, hein?). Só pra se ter uma ideia, temos um deficit de 40 mil engenheiros (segundo a Associação Brasileira de Educação em Engenharia-Abenge) no Brasil.

E isso porque houve um aumento de nada menos que seis vezes o número de cursos oferecidos em 15 anos. E Justiça seja feita, por iniciativa dos últimos governos federais, que perceberam o problema em seus primeiros mandatos e desde então tentam resolvê-lo, ainda que da conhecida forma canhestra. A oferta nas 60 habilitações da engenharia saltou de 454 cursos em 1995 para 3.045 em 2012. Entre as áreas que mais cresceram está a Engenharia da Produção, que passou de 30 para 450 cursos.

Só que isso está longe de ser o suficiente, pois quem produz ciência, mesmo, no Brasil não é cientista, é estudante de pós-graduação. Só olhar o último levantamento feito pela consultoria Thomson Reuter, entre 2007 e 2011. O país correspondeu a 2,6% da produção científica global. No entanto, dessa pilha de artigos científicos, que ultrapassa a barreira das 25 mil publicações por ano, a farta maioria não é de autoria de cientista de profissão, mas professores sabidamente mal remunerados.

 

RODIVALDO RIBEIRO NA PAGINA DO ENOCK

RODIVALDO RIBEIRO é jornalista e repórter do Diário de Cuiabá.

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