Riva garante que governadores Dante de Oliveira, Maggi e Silval participavam do esquema que pagava mensalão a deputados da Assembleia de MT

Riva diz que conselheiros do TCE e 1º secretário da AL receberam mensalinho

Ele foi ouvido pela juíza Selma Rosane dos Santos, da Sétima Vara Criminal

Antonielle Costa e Lucielly Mello

Réu em diversas ações penais, o ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, José Riva, foi reinterrogado nesta sexta-feira (31), nos autos da Operação Imperador, que investiga desvios de recursos públicos.

Ele foi ouvido pela juíza Selma Rosane dos Santos, da Sétima Vara Criminal.

A expectativa era que Riva confessasse os crimes e ainda contribuísse com as investigações indicando outros envolvidos.

Acompanhe a oitiva:

Atualização às 15h44 – Riva começou a depor.

Riva abriu seu depoimento dizendo que iria confessar e entregar novos agentes.

Ele contou que deputados recebiam uma “mesada” do Executivo, desde a época do governo falecido Dante de Oliveira. Começou com R$ 15 mil e terminou em R$ 25 mil.

Blairo Maggi assumiu e cortou os valores, mas sugeriu um aumento no orçamento para atender os parlamentares.

O parlamentar disse que R$ 2,5 milhões desviado da AL foi usado na compra de vaga do TCE por Sérgio Ricardo. “2009 se trabalhou praticamente para trabalhar essa parcela”, disse.

Uma TV do ex-deputado Maksuês foi paga com dinheiro desviado da AL.

Riva disse que os pagamentos eram feitos por ele, por Silval Barbosa, Mauro Savi, Luiz Márcio, Sérgio Ricardo e Edemar Adams (falecido).

Atualização às 16h08

O ex-deputado disse que infelizmente o Edemar, Nivaldo e Nico Baracat faleceram, mas que por algum tempo comandaram os desvios.

Ele contou que Edemar chegou a falsificar sua assinaturas e que eles brigaram, sendo inclusive trocado por Luiz Márcio Pommot.

Riva alegou que houveram desvios por parte de servidores. Ele disse que muitos deputados assinavam relatórios recebendo material e que diversas vezes não era entregue.

“Alguns suprimentos foram entregues como do então deputado Otaviano Pivetta”, destacou.

Atualização às 16h14

Segundo ele, o atendimento dos deputados eram concentrados na Secretaria Geral.

Riva ressaltou que todo mundo sabia. “Ninguém da mesa assinava enganado”.

Ele citou os deputados envolvidos: Silval Barbosa, Sérgio Ricardo, Mauro Savi, Dilceu Dalbosco, Campos Neto, Airton Português, Alencar Soares, Carlão Nascimento, Pedro Satélite, Renê Barbour, Zeca D’Ávila, José Carlos de Freitas, Eliene Lima, Wilson Santos, Maksuês Leite, Carlos Brito, Sebastião Rezende, Zé Domingos, Wallace Guimarães, Percival Muniz, Nataniel de Jesus, Humberto Bosaipo, João Malheiros, Gilmar Fabris, José Domingos, Wagner Ramos, Adalto de Freitas, Nilson Santos, Juarez Costa, Walter Rabello, Chica Nunes, Guilherme Maluf, Ademir Bruneto, Chico Galindo e Antônio Brito.

O presidente e o primeiro-secretário recebia duas vezes mais.

Riva alegou que o dinheiro que recebia era usado em casa de apoio, gabinete e uso pessoal.

Atualização às 16h32

O ex-deputado respondeu questionamentos da juíza. Ele explicou como se dava as fraudes.

“Tem deputado que nem fala mais comigo”, diz Riva.

Juíza questionou o ex-deputado se as testemunhas da defesa mentiram a pedido dele, ele negou.

Atualização às 16h38 

Riva respondeu questionamentos dos promotores do Gaeco. E disse que cerca de 40 empresas participaram do esquema e que as listou ao MPF.

Ele contou que a partir de 2003 a distribuição de mensalinho era generalizada. Antes só deputados da bancada recebiam por meio do líder.

Atualização às 16h48

O ex-deputado confessou os crimes e disse que se arrepende. “Ouço a voz do Pivetta dizendo: o dia que você tiver problema vão te deixar na mão”. Do outro lado, Maksuês incentivava dizendo que tem que fazer e eu tomei a decisão errada”, disse.

“Quero contribuir com a Justiça e prestar contas à sociedade”, destacou.

Encerrado o depoimento, a juíza mandou que os autos sejam concluídos para decidir sobre as pessoas com foro privilegiado citadas por Riva.

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Riva denuncia mensalão na Assembleia Legislativa

Ex-presidente do Legislativo prestou depoimento e denunciou diversos parlamentares e ex-parlamentares

da Redação

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Ednilson Aguiar/O Livre

José Riva_240217

O ex-presidente da Assembleia Legislativa José Riva afirmou à Justiça que 33 parlamentares e ex-parlamentares receberam pagamentos extra oficiais no exercício do mandato. Ele prestou depoimento à juíza Selma Arruda na tarde desta sexta-feira (31) e confessou que também recebeu valores ilegais entre 2005 e 2009.

“Todos sabiam do que acontecia. Nenhum sabia mais ou menos que o outro. Todos participavam. Em todos os momentos, mesmo nos últimos seis anos – [quando] eu não entreguei dinheiro para nenhum deputado – mas sabia que era entregue e como era entregue. Ninguém da mesa assinava nada enganado, e essa decisão era sempre uma decisão do colegiado. Até a discussão de valor se fazia numa reunião e se discutia com os deputados”, disse Riva.

Riva poupou alguns ex-deputados. “No primeiro perído, de 2003 a 2007, posso precisar com certeza que Chico Daltro, Ságuas moraes e Verinha não receberam. Posso precisar também que [Otaviano] Pivetta não recebeu”, declarou.

O ex-deputado citou oito deputados estaduais em exercício:
1) Mauro Savi
2) Pedro Satélite
3) Gilmar Fabris
4) Sebastião Rezende
5) Wagner Ramos
6) Adauto de Freitas
7) Guilherme Maluf
8) José Domingos Fraga

Também são citados 25 ex-deputados:
1) Silval Barbosa (ex-governador)
2) Sérgio Ricardo (atualmente conselheiro do TCE)
3) Carlos Carlão do Nascimento
4) Dilceu Dal Bosco
5) Alencar Soares
6) Renê Barbour (falecido)
7) Campos Neto
8) Zeca D’Ávila
9) Nataniel de Jesus
10) Humberto Bosaipo
11) Carlos Brito
12) Eliene Lima
13) João Malheiros
14) José Carlos de Freitas
16) Wallace Guimarães
17) Percival Muniz
18) Juarez Costa
19) Walter Rabello (falecido)
20) Airton Português
21) Maksuês Leite
22) Ademir Brunetto
23) Chico Galindo
24) Antônio Brito
25) Nilson Santos

Outro lado
A equipe do LIVRE está procurando ouvir todos os políticos citados. Já foram procurados, pessoalmente ou por meio de assessoria, mas ainda não responderam: Guilherme Maluf, Campos Neto, Percival Muniz, Carlos Brito e José Domingos Fraga. Wagner Ramos e Adauto de Freitas não atenderam aos telefonemas.

O deputado Mauro Savi informou, por meio da assessoria de imprensa, que não irá se manifestar. Gilmar Fabris disse que não viu o depoimento não quis comentar. O deputado Guilherme Maluf respondeu, por meio da assessoria, que só irá se manifestar quando tiver acesso à íntegra da fala de Riva.

Ararath
No depoimento, Riva disse ainda que entregou ao Ministério Público uma relação de 40 empresas que participavam de um esquema.

PODERES / DELATADO POR RIVA

Maggi nega ter pago R$ 37 milhões em ‘mensalinho’ para deputados, quando governou MT

Ministro teve o nome citado por Riva durante depoimento sobre pagamento de mensalinhos a deputados; o ex-governador teria pago cerca de R$ 37 milhões para Riva repassar a parlamentares que davam apoio ao governo

ALCIONE DOS ANJOS
Repórter MT

O ministro ainda reforçou que o Executivo não tem qualquer interferência na execução do orçamento Assembleia Legislativa

Após ser acusado pelo ex-deputado José Riva de formalizar “mensalinhos” aos deputados estaduais para obter apoio em projetos de interesse do Governo do Estado, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e ex-governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PP) rebateu a denúncia.

Riva citou o ministro durante seu depoimento à juíza Selma Arruda, da 7ª Vara Criminal, nesta sexta-feira (31), em que confessou o esquema investigado na Operação Imperador.  O então ex-governador teria pago cerca de R$ 37 milhões para Riva repassar,  em forma de mesada, a parlamentares que davam apoio ao governo. Os valores foram diluídos durante o período em que Maggi foi governador. BM assumiu o governo em 2003 e deixo o cargo em abril de 2010.

Maggi disse que o próprio Riva reconheceu que ele se recusou a participar de repasses irregulares a deputados e destacou que as previsões orçamentárias dos três poderes são independentes e fiscalizadas pelo Tribunal de Contas do Estado.

O ministro ainda reforçou que o Executivo não tem qualquer interferência na execução do orçamento Assembleia Legislativa.

Veja a nota encaminhada por Maggi :

Sobre o depoimento prestado na data de hoje (31/03) pelo ex-deputado José Riva à Justiça, esclareço que:

  1. O próprio José Riva reconheceu que me recusei terminantemente, enquanto governador do Mato Grosso, a participar de qualquer esquema de distribuição de propina a deputados.
  2. O orçamento do Estado do Mato Grosso é debatido e votado anualmente pela Assembleia Legislativa. Nele estão incluídas as previsões orçamentárias dos três poderes, que são independentes e fiscalizados pelo Tribunal de Contas do Estado.
  3. O Poder Executivo, no caso o governador, não tem qualquer ingerência na execução orçamentária da Assembleia Legislativa.
  4. Tenho a consciência tranquila, nada fiz de errado e tenho certeza de que isso será devidamente comprovado. 

Blairo Maggi

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