PT chega aos 32 anos e fará comemoração burocrática dia 10. PT também festeja Centenário de Apolônio de Carvalho, filho de Mato Grosso, que lutou na Guerra Civil Espanhola, na Resistência Francesa, enfrentou ditaduras no Brasil e assinou ficha nº 1 do PT

Nesse momento em que o PT se prepara para comemorar seus 32 anos de existência, o partido procura dar destaque ao apoio expressivo que o governo da economista Dilma Roussef vem recebendo da população brasileira e aproveita a data histórica para recolocar em destaque uma das figuras que sempre garantiram o perfil romantico e idealista do partido: Apolônio de Carvalho, matogrossense de boa cepa, famoso por lutar muitas batalhas perseguindo seus ideais de esquerda.

O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores programou para o dia 10 de fevereiro, em Brasília, um ato comemorativo dos seus 32 anos de fundação com perfil burocrático, que certamente dará pouca relevância à militância do partido, antes tão apaixonada. A festividade ocorrerá durante o encerramento do Encontro Nacional de Prefeitos/as e Deputados/as Estaduais do PT. O evento, que será realizado no Centro de Eventos Brasil 21 (Plano Piloto), contará com a participação de dirigentes, militantes, ministros, parlamentares, prefeitos, lideranças sindicais e populares, além de representantes dos movimentos sociais e de partidos aliados.

O partido já programou sua comemoração burocrática mas o atual presidente do PT, deputado Rui Falcão, divulgou comunicado conclamando os petistas a comemorarem a data com mobilização e alegria. “Nestes 32 anos, o PT ajudou o Brasil a passar por grandes transformações, desde a luta pelo fim da ditadura, passando pelas Diretas Já, e contribuindo para a organização dos trabalhadores através da criação e construção da CUT. Depois, com a eleição de Lula e de Dilma, que fizeram com que o Brasil entrasse em um novo ciclo de transformação social e econômica. Podemos destacar os programas sociais que tiraram milhões de famílias da miséria, a geração de emprego e renda e a nova política para o salário mínimo, entre tantos avanços que ajudam o Brasil a ser hoje reconhecido e respeitado no cenário internacional” – diz um trecho do comunicado de Rui Falcão.

Este blogueiro, velho petista de carteirinha, gostou de ver que, em meio a esta festa, está sendo homenageado uma figura marcante da luta da esquerda, não só no Brasil como em todo mundo. Muito justa a festa pelo Centenário de Apolônio de Carvalho, ativista histórico que assinou a primeira ficha de filiação ao Partido em 1980. Reproduzo abaixo texto que o PT está divulgando sobre Apolônio de Carvalho que, apesar de sua trajetória de vida marcante, nunca teve um peso determinante na definição dos rumos do partido. Mas foi certamente inspirados na sua luta e no seu exemplo, que se construiu o maior partido de esquerda da história do Brasil.

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Apolônio de Carvalho, nascido em Corumbá (Mato Grosso, então uno) no dia 09 de fevereiro de 1912, foi uma figura ímpar no cenário da vida política brasileira.
 
Poucos como ele viveram com tanta intensidade a “paixão libertária” que o impediu, desde os seus anos de cadete a Escola Militar de Realengo até se tornar tenente do Exército, a engajar-se na luta pelos ideais socialistas e contra os regimes de opressão. Em entrevista concedida à Revista Teoria e Debate, em 1989, declarou: “Em fins de 1933 eu já era oficial, achava que era necessário mudar a sociedade brasileira”.
 
Em 1935, ajudou a criar a Aliança Nacional Libertadora (ANL). Foi preso pelo governo Vargas, em 1936, quando lhe foi retirada a patente militar. É expulso do Exército!
 
Em 1937 ele sai da prisão e passa a militar no Partido Comunista Brasileiro. Com sua experiência militar, é orientado a embarcar para a Europa onde participaria das Brigadas Internacionais, lutando ao lado dos Republicanos contra os fascistas liderados pelo general Francisco Franco.
 
Durante a Guerra Civil Espanhola ele assume várias tarefas e chega a comandar grupos das Brigadas.
 
Em 1939, com a derrota dos Republicanos, Apolônio deixa a Espanha e parte para a França. Fica em um campo de refugiados até 1940, quando consegue fugir para Marsella.
 
Em 1942, a França está sob o domínio alemão e Apolônio ingressa na Resistência Francesa. Torna-se, então, comandante de um grupo de guerrilheiros “partisans” e é responsável pelas atividades na região sul do país. Neste mesmo ano, conhece Renée, uma jovem militante da Resistência que se tornou sua companheira e com quem viveu o restante da sua vida.
 
Dois anos depois, 1944 vão para Nimes e organizam a fuga de 23 militantes da Resistência que estavam presos. Fogem novamente e vão atuar em Toulouse. Apolônio de Carvalho comanda a libertação de várias cidades francesas.
 
Terminada a guerra, Apolônio reencontra Renée e seu filho, em Paris. Por todos os seus feitos, é condecorado por Charles de Gaulle com a medalha da Legião de Honra da França.
 
Toda a sua vida é assinalada por uma coerência que se manifestou sempre: da militância no PCB e na Aliança Nacional Libertadora; da guerra civil espanhola à Resistência Francesa. No Brasil participou da luta clandestina contra a ditadura militar, enquanto membro do PCRB, culminando com sua militância no Partido dos Trabalhadores.
 
Por conta dessas suas idéias e atitudes, Apolônio de Carvalho passou parte da sua vida no exílio e foi transformado em personagem por Jorge Amado. Apolônio se transformou em Apolinário, da obra “Subterrâneos da Liberdade”.
 
O escritor baiano chamava o ativista de “Herói de três pátrias”, justamente por sua participação em todas essas lutas.
 
Com o golpe militar de 1964 ele passa a clandestinidade e vive no Rio de Janeiro, longe da família. Diverge das posições do PCB e, junto com Mário Alves e Jacob Gorender, entre outros dissidentes, cria o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário – PCBR
 
Apolônio e Mário Alves foram presos no Rio, em janeiro de 1970. Mário Alves é assassinado pela ditadura e Apolônio é violentamente torturado durante muito tempo.
 
Trocado pelo embaixador alemão seqüestrado no Rio de Janeiro, Apolônio vai para Argel. Seus filhos, também presos, são depois trocados pelo embaixador suíço, em 1971. A família volta a se reunir em Paris.
 
Em 1979, com a Anistia, volta ao Brasil e ajuda a construir o Partido dos Trabalhadores, sendo um dos seus fundadores. Em 1980 o PT é lançado oficialmente e Apolônio participa ativamente das lutas do partido. “Nós tivemos uma imensa simpatia pelo PT”, disse ele.
 
Permanece na direção do partido até 1987, quando se afasta por orientação médica.
 
Apesar das limitações da saúde e da idade, Apolônio prossegue como um militante que não se furtará jamais aos debates e à manifestação pública de suas posições de socialista convicto. Um socialista que soube combater criticamente as distorções do “socialismo real”. Entusiasta do MST, ao qual sempre prestou apoio e junto ao qual esteve sempre presente. Para ele, um mundo socialista era sempre possível e poderá estar sempre ao alcance de nossas mãos, desde que estejamos dispostos a nos organizar e a lutar por ele.
 
Viveu sua vida, ao longo de 93 anos, de forma coerente com seus ideais. Um homem sempre cordial, sempre amável, com os companheiros e com as pessoas amigas, conhecidas e desconhecidas. Nunca se exaltando nas discussões nem ofendendo quem, porventura, divergisse de duas posições. Era, por convicção e temperamento, um otimista.
 
Nas piores circunstâncias e diante de derrotas graves, sempre encontrava algum aspecto que podia ser considerado positivo, que podia significar um ganho para as organizações empenhadas na vitória da democracia e do socialismo.
 
Apolônio de Carvalho faleceu no dia 23 de setembro de 2005
 
Por tudo isso, pelo nosso companheiro “Herói de Três Pátrias”, pelo “General do PT” que ele de fato foi, e pelo seu exemplo de lutador por uma socidade mais justa, nossa saudação neste dia.
 
Viva o companheiro e sempre Herói!
 
Viva Apolônio de Carvalho
 

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  1. - IP 201.24.141.124 - Responder

    De vez em quando o PT acorda e lembra os seus heróis. Apolônio de Carvalho o primeiro general do PT foi sem duvida um dos muitos que já nos deixou, mas as suas contribuições vai durar para sempre. Viva o PT pelos 32 anos e por homenagear tão brilhante e ilustre figura. Que sempre dizia não dobrar o joelho diante de ditadores a começar pelo Vargas o pai dos pelegos.

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