Promotor Miguel Slhessarenko, como presidente da Associação Mato-grossense do Ministério Público, respalda indicação dos promotores Mauro Zaque e Ana Peterlini como secretários de Estado. Lendo a nota, fiquei imaginando que o promotor Slhessarenko deveria ser mais comedido, mais formal e menos vibrador diante do novo bloco de poder, deixando a propaganda do “nosso” governador Pedro Taques para os companheiros de política do ex-procurador da República. LEIA A NOTA

Miguel Slhessarenko apoia Mauro Zaque e Ana Peterlini no secretariado de Pedro Taques by Enock Cavalcanti

Miguel Slhessarenko (primeiro à direita), presidente da Associação Mato-grossense do Ministério Público soltou nota em que vibra com a entrada dos seus colegas Mauro Zaque e Ana Peterlini, no governo do "nosso governador Pedro Taques"

Miguel Slhessarenko (primeiro à direita), presidente da Associação Mato-grossense do Ministério Público soltou nota em que vibra com a entrada dos seus colegas Mauro Zaque e Ana Peterlini, no governo do “nosso governador Pedro Taques”

 

Preocupantes estes tempos vividos, atualmente, pelo Ministério Público de Mato Grosso. De um lado uma crise que já provocou muitos gritos e estremiliques, com as suspeitas, levantadas pelo seu pretenso aliado de primeira hora, o Ministério Público Federal, de que figuras do seu “núcleo duro mais duro” poderiam estar associadas com agentes públicos sobre os quais pesa a acusação de que teriam articulado ousado esquema de desvio e lavagem de dinheiro neste tão saqueado Estado de Mato Grosso.

Do outro lado, a possível transformação do próprio MPE, largamente especulada durante a recente campanha eleitoral, de que a institução teria se transformado em mera extensão do comitê de um antigo membro do parquet federal que resolvera, depois do sucesso na disputa pelo Senado, disputar também o comando do Poder Executivo em nosso Estado.

Os questionamentos se multiplicam – e este humilde jornalista, advogado e blogueiro, sempre acreditando estar cumprindo com as responsabilidades que carrego sobre os ombros, tem veiculado alguns desses questionamentos aqui neste blogue.

O mais recente foi quando ao que entendo como a infeliz oportunidade de Zaque e Peterlini, depois de combaterem no passado a adesão de Marcos Machado a este tipo de proposta, terem preferido se afastar temporariamente do MP, mesmo em meio à crise de identidade que atravessa, para pontificar ao lado do Pedro Taques no governo que começará a nos governar em 1º de janeiro de 2015.

Quem sou eu, nesses meus 61 anos de perplexidades e angustias, para pretender fixar verdades absolutas. Emiti uma opinião, como é de meu dever, garantido e incentivado pela Constituição Cidadã, que é o pacto máximo de convivência entre nós, brasileiros.

Republico, agora (veja no destaque), nota que o também promotor Miguel Slhessarenko, atual presidente da Associação Mato-grossense do Ministério Público encaminhou ao procurador Paulo Prado, reempossado no cargo de chefe do MP em Mato Grosso, à guisa de apoiar a escolha dos seus dois colegas pelo governador eleito.

A nota procura firmar uma idéia de que o MP, através dos seus procuradores e promotores, está unida nesse apoiamento a esta proposta de adesão. Sinceramente, prefiro quando o contraditório se revela (como vimos na posse recente dos novos procuradores) e o MP se expõe com maior franqueza diante da sociedade.

Diz o promotor Slhessarenko que “esse afastamento significa o reconhecimento da importância da nossa instituição Ministério Público de Mato Grosso e dos colegas Ana Peterlini e Mauro Zaque, somado à preocupação do nosso Governador Pedro Taques com os valores republicanos que nortearão a sua Administração Estadual”.

Imagino que o promotor Slhessarenko deveria ser mais comedido, mais formal e menos vibrador, deixando a propaganda do “nosso” governador Pedro Taques para os companheiros de política do ex-procurador da República. Por enquanto, só temos a propaganda. Os fatos virão mais adiante, a prática concreta. Por que cantar com tanta vibração, quando o ovo ainda está no cu da galinha?

No passado, já tivemos a experiencia dessa adesão com Marcos Machado e Célio Wilson, que acabaram se desdobrando, no Poder Judiciário, em processos sem fim, alguns dos quais rolam até hoje. E Machado costuma mesmo falar de um câncer, felizmente superado, que a experiência lhe gerou, obrigando-o a cortar na própria carne.

Então, a responsabilidade da Associação do MP não é vibrar com o “futuro e luminoso” governo de Pedro Taques, como deixa entrever a nota entusiasmada do promotor Slhessarenko, até mesmo porque ainda não se viu nada de concreto acontecer.

A responsabilidade da Associação do MP, imagino eu, é nos trazer os frutos da experiência que esse tipo de adesão já produziu aqui em Mato Grosso. Ou não existe a preocupação de aprender e superar os erros do passado?

O MP-MT está seriamente esvaziado, entendo eu, neste momento em que Ana Peterlini e Mauro Zaque passam para o lado das autoridades que deveriam fiscalizar. Esse é um dos aspectos da atual realidade que o ilustre promotor Slhessarenko não tem como negar.

O Ministério Público não foi feito para funcionar como um laboratório de futuros secretários de Estado.

Mas, como já disse, essa é só uma opinião pessoal. Imagino que uma das minhas responsabilidades é propor o debate sobre aspectos da realidade que muitas das vezes, nessa nossa mídia tão viciada, permanecem inexplorados.

Vamos acompanhar a evolução dos fatos para ver até onde chegaremos.

8 Comentários

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 189.59.36.208 - Responder

    Que tristeza pra democracia…

  2. - IP 187.7.246.152 - Responder

    O Partido do Ministério Público, o Partido da Ong Moral, o Partido do MCCE e outros mais compuseram o arco eleitoral de Pedro Taques e agora cobram espaço na primeira fila. Vamos assistir a toda essa confusão que promete esse balaio de gatos com muita apreensão, medo, adrenalina e divertimento. Essa tragicomédia promete bons momentos. Poderá até ter cenas mais picantes porque o elenco é formado por gente que espera há muito tempo uma oportunidade… Agora vou estourar a pipoca… Ante disso uma pergunta: Quem vai desempenhar o papel “constitucional”, “autônomo”, “fiscalizador” e de defesa da ordem e do interesse público do Ministério Público?

  3. - IP 177.17.204.187 - Responder

    Um absurdo o ministério público se partidarizar. A função constitucional do órgão é muito grande e imprescindível para a sociedade. Aliás, a atuação do órgão, como fiscal da lei, no governo Blairo e Silval (12 anos) deixou a desejar. E agora, participar politicamente de um governo, cuja campanha gastou milhões e, pior, com dinheiro de empreiteiras. Penso que deveriam avaliar. O ministério público está acima disso. Estão equivocados. Um promotor deveria ser impedido de atuar fora de sua função. Assim, como juízes e defensores públicos.

  4. - IP 189.59.60.142 - Responder

    Eu particularmente como já expressei em algum momento aqui neste site de noticias, sou contra o deslocamento de membros do MPE para outras funções do estado, considerando que as demandas sociais que requerem ações rápidas desse órgão estão cada vez mais crescentes, e, ainda pelo fato do próprio MP, as vezes ter vindo a público reclamar da exiguidade de seus quadros em face dessas demandas. Assim vejo como uma contradição essas nomeações avalizadas pelo MP. Nada contra os destacados promotores…mas convenhamos desvestir um santo para vestir outro, é no mínimo imprudente.

  5. - IP 189.87.159.130 - Responder

    Se o governador eleito fosse do PT este “humilde jornalista, advogado e blogueiro” seria o primeiro a aplaudir estas nomeações, como vem fazendo com todas as marcutaias do PT, numa descarada inversão de valores, onde grandes corruptos são tratados como grandes heróis.

  6. - IP 187.7.212.2 - Responder

    Esse Miguel Slhessarenko, tem sido um zero à esquerda na gestão da AMMP, não tem dialogo com a sociedade e internamente se presta ao papel de vassalo do PAULO PRADO. Quer agradar ao Governador, claro que ZAQUE e ANA PETERLINE são bons nomes, sérios e capazes, mas deveriam continuar no MPE, a serviço do Estado e não à serviço do Pedro Taques

  7. - IP 177.193.165.121 - Responder

    Quando quem deveria fiscalizar se subordina ao fiscalizado, renuncia sua autonomia e independência constitucionais, em nome de interesses não claramente identificados, é preciso parar e pensar. Algo de errado pode estar acontecendo. Lugar de promotor de justiça é no ministério público; seu dever legal é o de fiscalizar a aplicação da lei; fiscalizar os atos administrativos do governante de plantão. O contrário disso é preocupante. Ora, será que o MP vai fiscalizar os atos do secretário de segurança e da secretaria de meio ambiente? Seria MP fiscalizando membros do MP? Será que o MP não perdeu a autoridade para fiscalizar os atos do governador Taques? Isso pode não dar certo. Isso pode gerar suspeitas e colocar esta vital instituição no limbo do descrédito popular. Assim penso. Apenas para acrescentar ao debate.

  8. - IP 187.52.104.200 - Responder

    este bloqueiro, não possui condições de questionar nada, pois seu grande amor pelos corruptos de seu partido o deixa cego.
    que esta errado, pessoas do MP serem deslocadas, para o executivo é notório, pois a promiscuidade leva ao relaxamento das decisões,
    neste atual momento politico do brasil, onde os valores roubados são assustadores e os coordenadores de todo este processo, ainda estão a margem das denúncias , você desfalcar mais um ministério público é temerário

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

3 + 18 =