Projeto votado de última hora, na Câmara de Barra do Garças, prejudica profissionais da educação  

 

 

Na última sessão, a Câmara de Vereadores de Barra do Garças foi mais uma vez palco de discussões entre parlamentares e professores da rede municipal. O que gerou a confusão foi o projeto de lei que acaba com o plano de carreira da categoria que foi colocado em pauta de última hora, mesmo estando em posse do presidente Miguel Moreira (Miguelão) desde o dia 16 de junho.

O projeto foi votado e aprovado por nove dos presentes. Opuseram à matéria apenas os vereadores Odorico Ferreira Cardoso Neto (Kiko), João Rodrigues de Souza (Joãozinho), José Maria e Júlio César. O vereador Reinaldo Silva faltou á sessão.

Os professores da rede pública, em greve desde 2 de junho, resolveram suspendê-la mesmo sem negociação. A professora  Zaira Valadão disse que “o que aconteceu na sessão, foi como levar uma facada. Se fossemos professoras dos filhos deles será que iriam querer professores tão desestimulados dando aula para eles?”, indaga.

A professora Sirley Freitas, é pós-graduada e dá aula na escola Moreira Cabral. Segundo ela, o aumento seria de fato R$ 300 como alguns vereadores afirmaram, mas se o piso e plano de carreira estivessem sendo respeitados. “Meu aumento liquido será de R$ 23, sem contar que o nosso ponto já foi cortado.”

Segundo o vereador Júlio César, que votou contra, esse projeto já tinha entrado em pauta e pelo estrago que poderia ser feito na educação foi tirado. “O prefeito junto com o presidente da Câmara em uma estratégia, protocolaram o mesmo projeto há 10 dias, sem distribuir para os demais vereadores. É um projeto com mais de 100 paginas e gráficos, não poderia ser votado assim”.

O piso salarial no Brasil para os profissionais do magistério público da educação básica é de R$ 1.697,39, para uma jornada de 40 horas de acordo com a Lei n° 11.738 de 2008. Em fevereiro do ano passado o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a constitucionalidade dessa lei.

Com o projeto votado, e aprovado, além do plano de carreira ficar praticamente nulo para os professores, foi separado também da educação os servidores que deveriam receber o equivalente ao piso de professor (merendeiras, técnicos, seguranças, entre outros).

“Tirando o apoio, nesse plano de carreira, não é necessário subir os salários delas. Por isso votei contra, é algo que mexe com a estabilidade do plano de carreira dos profissionais da educação”, disse Julio Cesar.

Júlio César lembrou ainda de um documento assinado pelo prefeito Roberto Farias, na época da sua campanha em que entre outros 19 itens ele e os demais candidatos, se comprometiam caso eleitos, à  respeitar as conquistas históricas dos trabalhadores em educação do município, caso os mesmos já tenham garantido o plano de carreira e piso salarial único sem diferenciação de valores ou percentuais.

“Hoje na educação as crianças estão comendo bolacha seca e chá na merenda. A Praça da Matriz, inaugurada no final e maio, ficou muito bela, mas será que os professores vão dar aula na praça?”, ironiza o parlamentar.

Coincidência, ou não, os vereadores entraram de recesso no dia seguinte, quinta-feira (3) à votação e só retornam suas atividades no dia 1° de agosto.

 

FONTE SEMANA7.COM

Categorias:Plantão

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