PROF NAIME: Os candidatos sem exceção, a nível nacional ou estadual, ignoram o grito das ruas, os clamores do povo, discursam em volta do próprio umbigo, sempre apontado os erros uns dos outros e tantas outras acusações. Diz-se que o poder ainda emana do povo, todavia esse poder é exercido pelos seus “representantes”, através de voto obrigatório. Nós elegemos nossos “representantes”, só que eles fazem o que querem, como querem e quando querem e, na maioria das vezes, fazem é em benefício próprio

Naime Márcio Martins Moraes é advogado e professor universitário

Naime Márcio Martins Moraes é advogado e professor universitário

Eleições 2014, tudo como antes, nada mudou
POR NAIME MARTINS MORAES

Caros leitores já se iniciaram as disputas entre os partidos e candidatos, cujas propostas deveriam estar sendo apresentada à sociedade, entretanto, até agora NADA de novo, acusações, intrigas, brigas, farpas, rancores, mágoas entre os partícipes, seja entre os adversários ou as trapalhadas dos da mesma coligação marcam o início da campanha.

Os candidatos sem exceção, seja a nível nacional ou estadual, ignoram o grito das ruas, os clamores do povo, da sociedade, das famílias, discursam em volta do próprio umbigo, sempre apontado os erros uns dos outros, suas falhas, supostos crimes, e tantas outras acusações; na mão e na ponta da língua, a varinha mágica e a solução para todos os problemas, esquecendo que, ou ainda estão ou já foram governo, ou entre seus aliados um ou outro “companheiro” já teve a oportunidade de melhorar a vida dos eleitores e não o fez.

A pouco mais de um ano o povo, famílias inteiras desde os mais velhos até as crianças, bradavam em alto e bom som, clamavam, em coro, em passeatas com palavras de ordem, na busca e resgate da moralidade na política, por educação, saúde e segurança de qualidade, dentre tantos outros gritos ecoados pela multidão.´

Realmente foi emocionante após décadas ver e ouvir o coro das ruas, os clamores dessas passeatas. E daí, quem se importa?

Nos noticiários, jornalistas, articulistas, cientistas políticos, comentavam e faziam previsões sobre as futuras eleições, porém, até agora tudo continua igual, os candidatos, tal qual a musica em silencio cantarolam o refrão “to nem aí, to nem aí…”, e seguem em busca de seus próprios sonhos e objetivos pessoais e dos grupos que os apóiam, é o que está a acontecer.

Em seu discurso, o candidato apoiado pelo atual governo, pelo que se lê e ouve dos noticiários, parte para o ataque tentando imputar aos outros candidatos até a conta e promessas não cumpridas do próprio governo que o apóia, até a crise da saúde quer imputar aos outros, obrigação e promessa até agora não cumprida dos governos Federal e Estadual.

Esse candidato que é médico e já foi vereador na Capital-MT, nem mesmo apresentou um projeto que pudesse ao menos amenizar o caos do sistema de saúde, pois, enquanto vereador não foi além dos discursos, quanto a projetos para outras áreas, não são conhecidos ou não os apresentou.

Quanto ao candidato deputado estadual de Mato Grosso que foi afastado da presidência da Assembléia Legislativa por decisão judicial e ainda não conseguiu reverter, esse responde na justiça por diversos crimes, são mais de 100 processos, cujas denuncias cíveis são para ressarcimento dos cofres públicos, quanto às denuncias de crimes essas pode levá-lo a prisão, como já aconteceu recentemente. Eleito deputado estadual em Mato Grosso pela primeira vez, em 1994, alterna desde então o cargo de presidente e 1º secretário do Legislativo.

Político habilidoso, conta com uma equipe de grandes e competentes advogados que por quase vinte anos tem conseguido arrastar e protelar o julgamento dos processos contra si; por orientação dos causídicos, entrou na disputa mas tem sobre sua cabeça a espada da justiça, que a qualquer momento pode feri-lo e impossibilitá-lo de concorrer e mesmo se vier a ganhar, não há garantias de que vai assumir ou exercer o mandato.

Mesmo com a incerteza e sendo “ficha suja” tem conquistado muitos adeptos, está cobrando a fatura daqueles que lhe devem favores, e parece que não são poucos. Dentre seus propósitos está o de emplacar a filha como deputada estadual.

O outro candidato atualmente é Senador da República, professor de Direito Constitucional e Ex-procurador da República, ficou conhecido e ganhou notoriedade com as investigações que levaram a prisão de João Arcanjo Ribeiro, maior bicheiro do estado de Mato Grosso.

Embora novato e aprendiz de política já se destaca no cenário nacional, ao ponto de no ano de 2013 ter sido apontado pela revista Veja como um dos Senadores que mais trabalham por um país moderno e competitivo, e foi classificado na 13ª colocação entre 81 parlamentares.

Entretanto, seu grupo de apoiadores bate cabeça, são truculentos e até mal educados e desrespeitosos entre si, chegam ao ponto de lavar a roupa suja pela imprensa, a vaidade e interesses pessoais de alguns que tentam pegar carona no bom nome do candidato a governador que está à frente nas pesquisas, prejudica e encobrem as virtudes do candidato, arrastando-o para baixo.

Quanto ao clamor e o movimento das Ruas, o grito dos excluídos, que exigia políticas públicas em favor do povo, que buscava o cumprimento da Constituição da República, por hora é um detalhe, ao que parece, a velha política segue seu curso, ignorando o povo que está por sucumbir no continuísmo.

O Brasil está passando por um momento delicado em sua economia, a inflação está subindo, e o país está estagnado.

Quanto ao nosso estado, Mato Grosso é o maior produtor do agronegócio do mundo, sejam grãos ou carne, porém padece de ampliar seu patamar para atividades secundárias e terciárias, face ao gargalo do meio de transporte que há anos não avança, só está nos discursos. Quem se importa? Os candidatos têm alguma solução?

A África, por sua vez, já desponta como novo celeiro mundial de alimentos, cujo tema foi debatido até no Congresso Brasileiro de Soja, a semelhança entre o Cerrado brasileiro e a Savana africana que ocupa 600 milhões de hectares pode ser um caminho no desenvolvimento da produção de alimentos naquele continente que está mais próximo do mercado consumidor e poderá ter, no futuro, preços mais competitivos que os do Brasil. Quem se importa? Sobre isso nada se discute.

Todos os partidos políticos buscam a própria representação, o povo nesse modelo é escravo dos próprios “representantes”, a “democracia” brasileira permite que um candidato tenha 1 minuto para apresentar suas propostas e outro mais de 10 minutos. Isso é justo?

Diz-se que o poder ainda emana do povo, todavia, esse poder é exercido pelos seus “representantes” através de voto obrigatório. Em outras palavras, nós elegemos os nossos “representantes, só que eles fazem o que querem, como querem e quando querem e, na maioria das vezes, fazem é em benefício próprio, seja para aumentar a burocracia que os mantém, seja para angariar votos para a próxima eleição, seja para proteger os seus “companheiros representantes”.

Há hoje uma profunda insatisfação popular com o processo decisório da classe política, com o modelo de democracia onde o poder econômico sufoca todo e qualquer interesse diverso.

A copa do mundo de futebol acabou, o jogo político começou, os candidatos estão se apresentando, cabe ao povo, ainda que de maneira obrigatória, escolher o seu representante.

Caro leitor, você escolhe: Vai se fazer respeitar e valer o “todo o poder emana do povo e em seu nome será exercido”, com o “Fora, representante safado” ou se render ao discurso mais bonito ou vender o seu voto?
——-

E-mail do prof. Naime: [email protected]

Categorias:Jogo do Poder

4 Comentários

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 177.141.61.61 - Responder

    Belíssimas palavras professor!! Sempre pontuando de maneira limpa! A verdade vencerá, torçamos, se não nesta, na vida divina!

  2. - IP 179.253.182.124 - Responder

    Já fazia um tempão que o barão Naime não dava o ar de sua graça. Desde de seu desastrado apoio à campanha da justiça pelas próprias mãos desencadeada pela bela Rachel Sherazade, o barão Naime andava meio escondido, arisco e sem assunto. Mas são tempos de eleição e Naime jamais ficaria escondido por muito tempo, até porque já escolheu seu candidato e resolveu mandar bala prá cima do Partido dos Trabalhadores. Naime é monarquista, defende a volta da família real ao poder e o fim da República. Naime é contra a figura do presidente da República porque sempre sonhou em ver algum sangue azul no comando do país, sem voto e sem nenhuma representatividade popular. Nessa linha de pensamento, jamais declararia voto em um nome que representasse o poder popular, permanecendo, por afinidade ideológica, nas vizinhanças do conservadorismo, das elites econômicas e agrárias, sempre no exercício da vassalagem que alimenta e sustenta as relações feudais mais antigas. Naime afirma que no modelo atual o povo é escravo… Mas se esquece que a Monarquia sobreviveu por mais de trezentos anos com toda sua atividade econômica fundada no trabalho escravo dos irmãos africanos que, supostamente libertos, nunca receberam uma compensação pelo trabalho desenvolvido, cujo resultado, no processo histórico, deu origem ao capital acumulado pelas famílias nobres e que sustentou o desenvolvimento econômico posterior do país. E Naime é contra as cotas nas universidades, guardando silêncio sepulcral quando o assunto é a escravidão negra que foi a base da atividade econômica da Monarquia e a origem da acumulação do capital que hoje explora a força de trabalho de milhões de descendentes dos antigos escravos. Neste aspecto, Naime tem autoridade de sobra para falar em escravidão porque defende a Monarquia escravocata. Naime condena as acusações entre os candidatos e o jogo rasteiro das denúncias, mas, contraditoriamente, ataca Lúdio Cabral abaixo da linha da cintura pelo simples fato de que seu candidato não tem nenhum serviço prestado ao Estado após quatro anos no Senado da República. Além disso, como político aprendiz Pedro Taques mais parece um filhote de elefante em loja de louça, causando com seu espalhafato uma debandada geral no seu grupo de apoio, mais parecendo escola de samba nos minutos finais de um desfile marcado por caminhões quebrados e atraso irrecuperável. A campanha de Pedro Taques virou um pagode desorganizado e desafinado, para desespero de Naime e toda a corte imperial. Mas Naime também se lembra com saudades de junho de 2013, momento em que se ensaiou uma tentativa de golpe contra as instituições e os Poderes da República. Contra a coalização coordenada pelo Partido dos Trabalhadores vale tudo, até mesmo a tentativa de golpe e a utlização da força, aliás muito comum na antiga Monarquia defendida por Naime. O desejo de Naime de vencer as eleições tem apenas um problema: a oposição não tem candidatos à altura da disputa, tanto é verdade que as candidaturas de Aécio e Pedro Taques derretem como sorvetes caídos no asfalto ao sol do meio-dia. Ao barão Naime só resta xingar histericamente e ter pesadelos com uma Monarquia que não voltará jamais…

    • - IP 177.4.174.18 - Responder

      Grande Ubirajara Itagi, agradeço suas palavras, nesse momento não consigo parar de rir (kkkk….-desculpe não é de você mas da situação), você é muito criativo… qualquer dia desses, vou falar da escravidão na atual república, que infelizmente não é só de negros, …. fica para outra oportunidade.Talvez você possa dar uma aula do que seja República, sobre o que seja direita e esquerda em nosso País. Um grande Abraço, aprecio muito os seus comentários.

  3. - IP 179.216.220.85 - Responder

    Precisamos imputar a nós mesmos o dever de não mais dar um voto sequer a esses canalhas que além de nada fazerem em benefício aos cidadão brasileiros, pilham os recursos do país e ainda por cima se beneficiam de uma aberração chamada PRERROGATIVA DE FORO! Vamos varrer da vida política esses parasitas que só pensam em si.

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

nove + treze =