PROF. DANIELA FIGUEIREDO: O Parque Municipal da Quineira pode ser exemplo de uso sustentável para as gerações atuais e futuras de Chapada dos Guimarães

 

Prof. Daniela

PARQUE DA QUINEIRA: UMA RIQUEZA DA CIDADE DE CHAPADA DOS GUIMARÃES

DANIELA FIGUEIREDO

Especial para a PAGINA DO ENOCK

Chapada dos Guimarães é um dos destinos turísticos mais visitados em Mato Grosso, tanto por mato-grossenses quanto por pessoas de outros Estados e países. A maior parte deste turismo tem relação com a água nos inúmeros rios e cachoeiras que nascem em sua área, que são usados para banho, recreação, contemplação e/ou prática de esportes. Esta água também é a mesma que abastece quase 30% da população de Cuiabá, por conta da captação de água no rio Coxipó do bairro Tijucal, além de outras 160 captações na zona rural, que usam a água no lazer e na agricultura familiar. Esta água da Chapada também abastece parte do reservatório do Manso para gerar energia elétrica. Alimenta os rios da Baixada Cuiabana para que os peixes sobrevivam e se reproduzam, para que a comunidade ribeirinha possa pescar e se alimentar e para que o Pantanal siga seu ciclo anual de enchentes, tão fundamental para a manutenção da vida nessa planície inundável. Portanto, a água que nasce nas encostas, vales e grotas areníticas da Chapada dos Guimarães, com belas quedas d´água nos desníveis naturais, forma uma grande bacia integrada com as cidades e a área rural da Baixada e do Pantanal.

Uma parte destes rios atravessa o Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, que tem um papel fundamental na conservação da água que chega em Cuiabá, principalmente pelo rio Coxipó e afluentes. Se a bacia é integrada por rios, suas partes não podem ser separadas. Neste sentido, a ocupação indevida e sem planejamento da região das nascentes dos rios irá refletir nas partes mais baixas, alterando a qualidade e/ou a quantidade de água. Esta alteração, por sua vez, irá causar prejuízos aos diversos usos da água.

Junto com esta intensa atividade turística em Chapada, é natural que ocorra a expansão da cidade para atender com infraestrutura adequada. No entanto, a forma de expansão urbana vem causando problemas que estão afetando as nascentes dos rios. Muitos insistem, equivocadamente, em considerar estas nascentes como um entrave ao desenvolvimento da cidade, tendo em vista as legislações que protegem seu entorno e algumas unidades de conservação que já foram criadas para protegê-las, como o Parque da Quineira. Este Parque é uma unidade de conservação municipal localizada na região central de Chapada, instituída pela Lei nº 1.070 de 2002, com cerca de 4,63 ha (www.sema.mt.gov.br), visando proteger a microbacia e as nascentes do córrego Quineira, até recentemente local de captação de água para abastecimento público. No entorno do córrego predomina mata ciliar densa e cerrado, vegetação que protege o córrego e suas nascentes, mantendo água o ano inteiro, sendo ainda refúgio para animais silvestres e corredor ecológico entre as microbacias vizinhas.

Este córrego é afluente do Monjolo que, por sua vez, é tributário do rio Cachoeirinha, que junto com o rio Lagoinha formam o rio Quilombo, desaguando no rio da Casca próximo a entrada do reservatório do APM Manso.  O rio da Casca e o Manso são os principais tributários deste reservatório. Saindo do reservatório, o rio Manso percorre cerca de 80 km até encontrar com o rio Cuiabá, em Rosário Oeste, que depois irá atravessar as cidades de Cuiabá e Várzea Grande e, finalmente, chega ao Pantanal. Portanto, as nascentes do córrego Quineira, entre outras 32 situadas na área urbana de Chapada dos Guimarães, são fundamentais para a formação dos  rios da bacia do Cuiabá.

Vários estudos foram realizados por alunos, com a orientação de professores do mestrado em Recursos Hídricos da Universidade Federal de Mato Grosso, mostrando a ocupação inadequada da microbacia do córrego Quineira. Construções irregulares, lançamento clandestino de esgoto doméstico, disposição inadequada de resíduos domésticos e de construção civil,  presença de processos erosivos no solo, são os principais problemas ambientais detectados nestes estudos e que vem comprometendo este importante manancial de água (http://www2. ifrn.edu.br/ojs/index.php/HOLOS/article/view/1977/pdf_43; http://www.ufmt.br/ppgrh/ Disserta%C3%A7%C3%B5es/Turma%202015/maria.pdf). Além destes estudos, os alunos do curso Técnico de Meio Ambiente, oferecido pela Secitec entre 2011 e 2012, também realizaram aulas práticas e levantamentos nesta área, sendo que alguns dos fizeram como trabalho de conclusão de curso projetos propondo a restauração do parque.

Nada mais equivocado do que permitir ou se omitir perante a ocupação irregular destas nascentes e achar que possam ser um entrave à expansão da cidade. Como pode um Parque, com vegetação natural e nascentes importantes ser considerado um obstáculo a ser vencido para ampliar a estrutura urbana? São tantas as cidades hoje em crise hídrica, algo impensável há poucos anos, que nos faz refletir sobre a riqueza que representam as  nascentes. Este parque deveria ser sinônimo de fartura, lazer, turismo e “qualidade de vida”, um chavão tão associado à Chapada. Um parque localizado dentro da cidade deveria ser motivo de orgulho e de preocupação quanto a sua conservação, restauração e uso adequado.

Precisamos nos sensibilizar sobre a inegável importância destas nascentes, tanto para os chapadenses quanto para o cuiabanos, mato-grossenses e demais visitantes da cidade. Soluções técnicas já existem. O Parque Municipal da Quineira, por exemplo, poderia ser uma área destinada à visitação turística e de escolas, com trilhas sinalizadas, orientação sobre sua importância e sobre sua localização em relação a toda a bacia que forma o Pantanal; com lixeiras, placas orientativas, jovens monitores e interação com o lago formado pelo córrego da Quineira e com a piscina pública. Os próprios moradores do entorno poderiam ser guardiões do parque e colaborar com sua conservação.

São tantas a ideias e tantos projetos já falados e escritos, que nos fazem refletir mais ainda sobre a importância desta área e o quanto é prejudicial a sua ocupação irregular. Esta ocupação que vem ocorrendo é oposta à principal função do Parque Municipal da Quineira: um local de uso coletivo, que poderia ser um importante atrativo para a cidade, trazendo benefícios a todos. Um Parque que poderia ser um exemplo de uso sustentável, visando a conservação da água e da biodiversidade para as gerações atuais e futuras.

————-

 

Daniela Maimoni de Figueiredo é Pesquisadora Associada e Professora Colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Recursos Hídricos -UFMT. Bolsista Capes-PNPD. Cidadã, Moradora e Eleitora em Chapada dos Guimarães.

Estudo sobre a diversidade florística e a variação espacial da vegetação remanescente às margens do córrego… by Enock Cavalcanti on Scribd

Categorias:Cidadania

2 Comentários

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 189.59.32.121 - Responder

    com essa administração publica que esta hoje na chapada, esqueça!

  2. - IP 179.247.96.124 - Responder

    Para esclarecer. Não há ocupaçao irregular no parque municipal da quineira, a mesma area definida em lei se encontra registrada em cartorio e plenamente conservada in loco. É um equivo gravissimo com o municipio de chapada dos guimarães fazer alusão a qualquer irregularidade com o parque municipal da quineira, sendo que as areas ocupadas na divisa do parque são todas regulares e são elas que definem sua divisa conforme a matricula registrada em cartório do parque.
    Esse eufemismo em dizer que chapada é terra sem lei é horrivel. Causa uma animosidade prejudicial a chapada.
    Em suma tenham certeza que o Parque Municipal da quineira encontra-se preservado igualmente como era na data de sua criação.
    E usar o nome de chapada ou mesmo o parque da quineira desta forma é errado e disforme a realidade de chapada.

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

treze − três =