PROBLEMA DA CULTURA É VERBA: As recentes mudanças que estão se consolidando no Estado com o início do mandato do governador Pedro Taques, geram algumas preocupações no produtor cultural Mário Olimpio. “A fusão e a extinção não me preocupam, eu fico preocupado com a falta de dinheiro”, afirma.“Pedro Taques é cuiabano e tem a noção da importância que a cultura tem”, avalia, confiante, mas acredita que a falta de verba será um grande problema. A falta de dinheiro é um tema importante para Mário e é um problema que, segundo ele, vai demorar a ser resolvido

 Mário Olímpio, que foi secretário do prefeito Wilson Santos, acredita que o melhor caminho para o secretário Leandro Carvalho, no começo da gestão no governo de Pedro Taques, seria aproveitar o primeiro ano de planejamento e organização pra fazer um inventário da cultura mato-grossense. Saber onde se faz a cultura, o que está acontecendo, onde tem o cururu, o siriri, onde tem escola de musica, onde tem movimento de rock ou lambadão e, nos outros três anos, com esse inventário e ouvindo as pessoas que trabalham na cultura e o cidadão, fazer uma política voltada para esses agentes culturais.


Mário Olímpio, que foi secretário do prefeito Wilson Santos, acredita que o melhor caminho para o secretário Leandro Carvalho, no começo da gestão no governo de Pedro Taques, seria aproveitar o primeiro ano de planejamento e organização pra fazer um inventário da cultura mato-grossense. Saber onde se faz a cultura, o que está acontecendo, onde tem o cururu, o siriri, onde tem escola de musica, onde tem movimento de rock ou lambadão e, nos outros três anos, com esse inventário e ouvindo as pessoas que trabalham na cultura e o cidadão, fazer uma política voltada para esses agentes culturais.

 

 

 

 

 

 

GESTÃO CULTURAL

O problema da Cultura é verba

Ex-secretário de Wilson Santos referenda escolha do maestro Leandro de Carvalho para comandar a Cultura, no governo de Pedro Taques

VANESSA MORENO
DO DIARIO DE CUIAB Á

“Não há caminho para cultura que não seja com a educação e eu não vejo outra saída para educação que não seja a cultura”.

“A cultura é um bem natural inerente à existência”, afirma Mário Olímpio, conservador da cultura mato-grossense. Mário defende que a cultura é algo que precisa ser estimulada no dia-a-dia até que o cidadão perceba que a vida é cultura. Segundo Mário, é preciso que as pessoas transformem a vida em arte, escrevendo, cantando ou fotografando.

Mario Olímpio é professor, produtor cultural, advogado, especialista em redes sociais e ex-secretário municipal de cultura, em Cuiabá, na gestão do prefeito Wilson Santos (PSDB). Ele desenvolve estudos sobre redes sociais desde 2010 quando se interessou pelo assunto ao coordenar a campanha de Wilson para governador de Mato Grosso. Hoje, além da sua empresa de produção cultural, a MO Arte Mídia, Mário trabalha com assessoria e dá palestras sobre cultura e mídias sociais. No ano passado, foram 30 palestras em todo o Estado. “Me dediquei a estudar o fenômeno das mídias sociais como mudança de comportamento universal e desenvolvo assessoria há quatro anos”, afirma Mário.

A internet é o seu principal meio de trabalho, é por ela que Mário faz compras, pagamentos, transferências, dá consultorias, coordena campanhas na mídia social e muitas outras coisas.

“A internet facilitou a vida de muita gente”. Mário destaca que atualmente a opção de muitas empresas é estimular que seus funcionários trabalhem em casa “Uma mãe que tem uma criança de um ano, produz muito mais em casa com a criança por perto, sem precisar levar pra creche” ressalta.

Mário é um sujeito peculiar e leva uma vida sossegada. Cercado de animais, plantas e obras de arte, o seu local de trabalho é em sua própria casa, no bairro Flamboyant, atrás do Circulo Militar. Sua opção de trabalhar em casa é a diminuição de custo.

Mário relata que economiza cerca de dois mil reais que era o valor que gastava quando tinha sua empresa instalada no centro de Cuiabá antes da sua gestão como secretário. O outro ponto positivo do seu novo local de trabalho é o conforto. “Trabalho de calção, sem camisa e, como diz o cuiabano, de “bambolê””, conta.

“Tenho uma vida muito confortável, preciso de muito pouco pra viver”, ressalta. Sua piscina no quintal, muitas vezes serve de refúgio. Quando o ritmo acelera, e a cabeça cansa um mergulho é a melhor opção. Mário também gosta de cuidar dos seus 56 garnisés, três gatos e um casal de jabutis. E como um bom apreciador de cultura é colecionador de mais de 300 peças de obras de arte e artistas mato-grossense.

Atualmente, através da MO Arte Mídia, Mário está desenvolvendo projetos culturais para a comemoração dos 80 anos da Ordem dos Advogados do Brasil OAB-MT e para o Museu de Arte e Cultura da Universidade Federal de Mato.

As recentes mudanças que estão se consolidando no Estado com o início do mandato do novo governador Pedro Taques, geram algumas preocupações em Mário. “A fusão e a extinção não me preocupam, eu fico preocupado com a falta de dinheiro”, afirma. Durante sua gestão como secretário de Cultura do município, Mário não enfrentou muitos problemas financeiros. Apesar da falta de investimento do Governo Federal em cultura, o ex-secretário conseguiu aumentar significativamente o orçamento. “Eu tive uma experiência administrativa muito rica” conta. Quando assumiu a secretaria, em 2005, Mário encontrou um orçamento de menos de 0,2% e deixou em 2009 com o orçamento de 0,7%.

Como secretário, relata que sua prioridade era o enredamento dos artistas e a conexão das pessoas no campo da cultura por meio da secretaria. Obras de arte de artistas que precisavam ser reconhecidos eram espalhadas pela cidade. Nos carnavais, por exemplo, eram investidos cerca de um milhão de reais para a realização das festas nas praças em 15 bairros, empregando aproximadamente 38 bandas regionais durante os dias de folia. “Durante esses eventos, era possível enxergar a clara opção pelo popular, como lambadão, rasqueado, cururu e siriri” destaca.

Na prefeitura atual é possível ver claramente a falta de investimentos, a cultura está esquecida, não se vê obras sendo exibidas e não há mais eventos populares. “Eu não consigo enxergar a política de cultura na gestão do Mauro Mendes”, lamenta Mário.

Sobre os novos secretários que estão à frente das secretarias estadual e municipal, Mário prefere não tecer muitos comentários, ele acredita que terão grandes desafios pela frente, e o maior deles será com o Governo Federal, por ser um partido de oposição a Pedro Taques. Apesar da crise que a cultura deve enfrentar nesse ano, sua confiança está depositada no novo governador. “Pedro taques é cuiabano e tem a noção da importância que a cultura tem”, avalia, confiante, mas acredita que a falta de verba será um grande problema no sistema que os novos gestores irão enfrentar. A falta de dinheiro é um tema importante para Mário e é um problema que, segundo ele, vai demorar a ser resolvido.

“O Leandro Carvalho é uma pessoa trabalhadora, dedicada e talentosa. No momento, acredito que ele tem capacidade pra gerenciar, mas acho que ele vai ter muitas dificuldades”, destaca, satisfeito com a escolha do novo Secretário Estadual de Cultura. Embora Leandro Carvalho seja amigo do Ministro da Cultura Juca Ferreira, é possível entender com facilidade a preocupação de Mário, que não descarta a falta de apoio do Governo Federal que, segundo ele, irá priorizar os amigos companheiros de aliança.

O novo governo, provavelmente irá levar um ano pra entender o que está acontecendo e mais três anos pra poder trabalhar, mas o fato de Pedro Taques ser cuiabano, alivia as tensões de Mário. “O cuiabano sabe o quanto a cultura é importante, privilegia a Feira do Porto, gosta de comer peixe e valoriza o rio”.

São Gonçalo Beira Rio e Bonsucesso são dois grandes polos culturais onde a culinária regional pode ser apreciada. “São Gonçalo Beira Rio se firmou através de um excelente trabalho de Jaime Okamura, empresário e presidente do Conselho Estadual e da Confederação Nacional do Turismo, em parceria com a Secretaria de Cultura. Foi na gestão de Wilson Santos começamos a festa do peixe”. É um exemplo de como é preciso ter investimento para que a população passe a ter interesse pela cultura popular.

Mário acredita que o melhor caminho para o secretário Leandro, no começo da gestão, seria aproveitar o primeiro ano de planejamento e organização pra fazer um inventário da cultura mato-grossense. Saber onde se faz a cultura, o que está acontecendo, onde tem o cururu, o siriri, onde tem escola de musica, onde tem movimento de rock ou lambadão e, nos outros três anos, com esse inventário e ouvindo as pessoas que trabalham na cultura e o cidadão, fazer uma política voltada para esses agentes culturais.

Nos primeiros dias como secretário, Mário se lembra de como eram feitos os diálogos com a população. “Eu e os outros secretários íamos aos bairros conversar com os presidentes das associações, a comunidade perguntava e cada secretário respondia: segurança, saúde, educação, infraestrutura, saneamento básico, iluminação publica, esporte e não pediam cultura, ou seja, a cultura é um bem tão natural que as pessoas não percebem o quanto é importante, por isso é necessário estímulo”.

“O que eu espero é que o Leandro faça um grande inventario da cultura mato-grossense e ouça a classe produtora e consumidora porque o Estado tem uma diversidade cultural muito grande e eu espero que ele consiga fazer a diversidade se conectar”, destaca Mário.

Sobre a secretaria comandada atualmente por Beto Dois a Um, Mario garante: “A fusão de esporte turismo e cultura não é uma coisa absurda isso não me incomoda, o que precisa é ter dinheiro e projeto, não importa se é com status de secretaria ou não”. O que Mário espera é que haja política de Cultura na fusão e que o secretário Beto saiba atingir ambientes que o mercado não alcança. “Eu acredito no Beto”, garante.

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