Pressionados cada vez mais pelas decisões judiciais de ilegalidade, servidores mostram garra na sustentação da greve. Wilson Santos tenta embaralhar o jogo propondo pagar RGA com cartas de crédito. Deputados comandados por Maluf vão a Zé Pedro Taques tentando convencê-lo a melhorar sua proposta. Emanuel garante que, com dinheiro do FEX e crescimento da arrecadação 11,28% de reajuste é possível. Enfrentando o frio, grevistas mantém acampamento diante do Palácio onde reina Zé Pedro.

Nesta quarta-feira, 8 de junho, a cabeça da greve se concentrou nas dependências do prédio da Assembleia Legislativa, de repente transformado no grande palco da democracia, em Cuiabá, capital de Mato Grosso. É na Assembleia que os grevistas mais aguerridos se concentram. É na Assembleia que as tentativas de forçar o Governo do Estado a uma nova negociação se expressam. As palavras de ordem, os apitaços, as grandes aglomerações, os servidores ocupando praticamente todos os espaços, os corredores e marcando presença no gabinete de deputados mais solidários como Emanuel Pinheiro e Janaina Riva, dão ao prédio da Assembleia um tom de assembleia permanente.

O dia teve protestos e negociação que praticamente não avançou, com deputados e parlamentares se reunindo a porta fechadas, mais uma vez censurando a presença da imprensa, na sala das lideranças, para tentar definir algum rumo novo. Mas nenhum rumo novo apareceu. O que apareceu foi um grupo de oficiais de Justiça que invadiu a sala de reunião para citar oficialmente os dirigentes sindicais das decisões dos desembargadores Pedro Sakamoto, Serly Marcondes e Alberto Ferreira segundo as quais o Governo do Estado comandado por Zé Pedro Taques é quem tem razão e a paralisação, ainda que cobrando o direito constitucional do pagamento das perdas inflacionarias, é uma ilegalidade, que submete todos os sindicatos grevistas a uma série de punições, a começar por multa de R$ 100 mil por dia parado.

Para que os prazos do processo comecem a correr, é necessário que o dirigente de cada entidade receba, em mãos, uma comunicação oficial da decisão do Tribunal de Justiça. Claro que nos últimos dias, eles vinham fazendo de tudo para se esquivar desta citação. Mas de repente, lá estavam eles reunidos, as portas de abriram e os oficiais de Justiça entraram com sua papelada, jogando citação pra cima de todo mundo. Na minha página do Facebook – https://www.facebook.com/enock.cavalcanti.1 – você pode ver vídeo, gravado dentro da reunião secreta de deputados e sindicalistas, que documentam a chegada dos oficiais de Justiça, provocando uma revolta geral entre os sindicalistas. Para alguns, houve sacanagem por parte dos deputados e mesmo do Governo do Estado, que estaria por trás de toda esta trama.

Além da citação, outra esquálida novidade foi a proposta apresentada pelo Líder do Governo, deputado estadual Wilson Santos, só que em seu nome pessoal, sem nada a ver com o núcleo de poder comandado por Zé Pedro Taques.

O que Wilson Santos propôs? Pela proposta do antigo Galinho, hoje acabrestado por Zé Pedro, o Governo do Estado pagaria 6% na folha salarial e os outros 5,28% seriam pagos com cartas de crédito. Ele argumenta que parte do pagamento acabaria retornando aos cofres públicos através do ICMS no desconto dos títulos. Wilson defende que os 5,28% em cartas de crédito seriam descontados pelos servidores públicos beneficiados no prazo de dois anos. “Só em notas fiscais o Estado diminuiria esses 5,28% para 3,8%. Isso seria a melhor solução para todos os lados”, defendeu o deputado tucano.

Só que a proposta do Galinho foi recebida com ironia. “Tá parecendo um crédiário das Casas Bahia”, disse Diany Dias, presidente do Sintap. A fala da Diany, em conversa com Wilson também está registrada em vídeo na minha página do Facebook. Outros sindicalistas como James Jaudy (Ager) e Adolfo Grassi (Sindes) também falaram contra a ideia algo estapafurdia de Wilson Santos. Afinal de contas, ainda está rolando na Justiça volumoso processo documentando uma série de patifarias praticadas recentemente aqui em Mato Grosso com a manipulação das cartas de crédito.

Restou para os grevistas, além do espaço para a gritaria de palavras de ordem sem fim, a esperança de que uma nova caravana de deputados que será formada para visitar o gabinete de Zé Pedro Taques consiga trazer, nas próximas horas, alguma novidade. Na manhã desta quinta, prossegue a ocupação da Assembleia. A outra proposta é continuar enfrentando o frio terrível que castiga Cuiabá e mantendo o acampamento diante do Palácio do Zé Pedro, em esquálidas barracas. “Com nosso acampamento já conseguimos destaque nacional e internacional”, comemorava Oscarlino Alves, sindicalista do Sisma.

1 Comentário

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  1. - IP 179.217.122.1 - Responder

    Mato Grosso só está nessa crise por causa da roubalheira e do governo desastrado que o PT fez na alçada federal.

    Vai demorar muitos anos para o Brasil se recuperar.

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