Pré-campanha em VG já tem denúncias de corrupção

Em Várzea Grande pré-campanha eleitoral já tem denúncias de corrupção

A pré-campanha eleitoral, em Várzea Grande, já dá mostra de que a disputa, no segundo mais importante município do Estado, vai ser para sangrar. O prefeito Tião da Zaeli ainda não definiu se é candidato à reeleição mas jáé acusado de comprar vereadores com dinheiro publico. Sete partidos lançarama professora Nicinha mas candidaturas de Alencar Farina e Wallace Guimarães desafiam unidade da oposição. Jaime Campos desponta como favorito masa candidata da velha oligarquia deve ser dona Lucimar, devido aos processos judiciais que se acumulam contra o senador.  Júlio Campos teme que a “covardia” acabe tirando o atual prefeito da disputa.

ENOCK CAVALCANTI
CENTRO OESTE POPULAR

De um lado, onze partidos ditos populares, fazendo votos de que jamais voltarão a ser iludidos por falsos adversários dos Campos, tentam se unir para impedir o retorno da velha oligarquia ao poder masseguem divididos em torno das candidaturas da professora Cidinha (PSB) e do médico Alencar Farina (PT), sonhando em atrair o deputado Wallace Guimarães (PMDB) para o seu bloco. Do outro lado, o senador Jayme Campos, cada vez mais mergulhado na campanha, apesar de ainda apresentar, em algumas rodas, o nome da mulher, dona Lucimarpara a disputa pelo poder no tradicional feudo político de sua família. No centro da confusão, o prefeito Tião da Zaeli,agora aliado ao cacique do PSD,  deputado José Riva, que conseguiu se salvar da debacle da administração de Murilo Domingos, mas já estásendo acusado de usar o dinheiro da Prefeitura para comprar vereadores e pavimentar, com os mesmos velhos métodos da política clientelista, a sua caminhada à reeleição.
O fato é que a pré-campanha eleitoral em VG – municípioque acaba de comemorar 145 anos de emancipação -,dá mostra de que não há muita novidade na prática dos políticos. Enquanto a população padece com péssimos serviços -notadamentena área da Saúde, da Educação, do saneamento básico e do transporte público -, os conflitos entre as lideranças políticas parecem confirmar a maldição quetransformou VG em um municípioemcrise continuada. O padrão de vida da população várzea-grandensetem se deteriorado, nesses últimos anos,a ponto do jornalista Onofre Ribeiro, de longa tradição como analista em nosso Estado, no final de abril, acabou por carimbar VG como um “favelão”, onde falta de tudo para o povo e as lideranças parecem empenhadas tão somente em um permanente assalto ao erário, com a Prefeitura e a Câmara transformados em cabides de empregos para os apaniguados dos partidos que se revezam, vorazes, no controledos negócios públicos.
A ROTINA É A CRISE
VG está muito intimamente ligado a capital, Cuiabá,e resiste como a segunda maior cidade de MT. Conforme o censo do IBGE, em 2010, a cidade tinha 252.709 mil habitantes e uma população que não para de crescer. Estabelecida como uma cidade-dormitório, à margem de Cuiabá,a antiga Cidade Industrial tem arrecadação e geração de emprego em queda, ainda mais quando se compara VG com cidades menores mas que não se agigantam como Rondonópolis, Primavera e Sinop. Já por alguns anos que Rondonópolis tem superado VG na geração de empregos, conforme dados do Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados (Cadeg).
Na avaliação do senador Jayme Campos, as gestões de Murilo Domingos (PR) e Sebastião dos Reis Gonçalves, o Tião da Zaeli (PSD) mergulharam VG no isolamento político, enfraquecendo o espírito empreendedor de toda uma geração. “De importante pólo industrial, o município decaiu, está estagnado.Como morador e ex-prefeito deste município, sinto-me preocupado com o desânimo que tomou conta da cidade. Temos que reagir”, disse Jayme, falando como pré-candidato a prefeito lá no Senado.
Para a Oposição, todavia, e para o atual prefeito (veja a entrevista na página 3) esta estagnação tem raízes na oligarquiaque Júlio e Jayme comandamhá longas décadas. Dirigente do PSB, o professor Suelme Evangelista, em declaração ao Diário de Cuiabá, disseque os impasses administrativos de VG, estão “na política colonial, patrimonialista, que sempre colocou as redes familiares e negócios próprios na frente do público”. Quer dizer, se existe turbulência, é turbulência histórica, alimentada através dos tempos pelo poder da família Campos sobre VG.  Para o médico Alencar Farina, lançado candidato à Prefeitura pelo PT, a rejeição da população aos velhos caciques é uma coisaevidente – “só que temos que ter a competência de apresentar a esta população uma opção válida.   À medida que revertermos isso, temos chance de colocar Várzea Grande em um novo rumo”, filosofa Farina.
A tentativa de estabelecer esta renovação estaria na origemdo Movimento Unidos por VG que, curiosamente, conta com a participação de partidos como o PT e o PC do B que, nas eleições de 2008,apostaram em Murilo Domingos como uma alternativa de poder válida e renovadora. Hoje, o grupo reúne partidos díspares, como o PT e o PSDB, adversários figadais no plano nacional mas irmãos siameses, em VG, quando se trata de encarar o passado conturbado do município. Em ascensão, dentro do grupo, o PSB lidera a fileira dos chamados “nanicos” que lutam por um lugar ao sol. Na segunda, 14 de maio, dirigentes de 7 dos 11 partidos – PSB, PSDB, PMN, PC do B, PT do B, PHS, PRTB e PSL – anunciaram uma pretensa unificação em torno da candidatura a prefeita de Eunice Teodoro dos Santos, a professora Nicinha, evangélica e socialista.
O funcionário dos Correios César Delgado, presidente municipal do PC do B,na ocasião, expôs a tese de que o movimento precisa apresentar propostas que“revolucionem” a vida político administrativa de Várzea Grande. “Devemos trabalhar projetos para interromper este ciclo de má administração de quase 50 anos da família Campos. Mesmo com o ex-prefeito Murilo, eles permaneceram na administração.”Mas como fazer a revolução se o respaldo popular ao movimento ainda não foi testado e o grupo não conseguiu unidade efetiva?
O coordenador do Movimento e presidente do PMN, o comerciante Juarez da Global, disse que aescolha deNicinharesultou de debate e reuniões entre os partidos, desde o ano passado. No final do lançamento, todavia, havia uma pergunta parada no ar: o que fazer com a candidatura do médico, lançado pelo PT? Dirigentes presentes à reunião, como Renato Tertilla (PHS), Célio dos Santos (PSDB) e Brasil Brasileiro (PSL),asseguravam que até junho, prazo fatal das convenções, o grupo pretende construir essa convergência, com um nome que unifique o grupamentocontra o candidato dos Campos e a provável candidatura de Zaeli. Quer dizer, a unidade em torno de Nicinha, é uma unidade ainda relativa.
Em conversa com o COP,Alencar Farina deixou evidente que sua candidatura é “decisão forte, unificada, das quatro correntes que atuam no PT de VG”.  O PT rejeitou a tese da coligação, segundo Farina, e abraçou a candidatura própria, em cabeça de chapa.  Quer dizer, nas conversas que se desdobrarão dentro do Movimento, Farina deve defendermais entusiasmadamente o próprio nome que o nome deNicinha.
Enquanto a oposição tenta construir sua unidade, quem bate mais forte, nesta pré-campanha, são os experientes e calejados irmãos Campos, que dirigem um agrupamento acostumado a vencer eleições em VG e a absorver pretensos adversários, como o folclórico jornalista Maksuês Leite, em 2008.
Jaime Campos faz os ataques mais duros, levantando a tese de que os cofres da prefeitura estão sendo usados para a compra de vereadores e outros tipos de apoios, visando a reeleição do atual prefeito. Segundo Jaime, “fizeram um rapa no partido Democratas. Compraram 5 vereadores a peso de ouro, muita grana foi dada, e sabe de quem foi o dinheiro usado? Foi o dinheiro que o povo paga”. Os vereadores que migraram do DEM para o PSD foram o presidente da Casa, Antonio Gonçalo Pedroso de Barros – o Maninho de Barros, Izabela Guimarães, Chico Curvo, Edil Moreira e Eucaris Terezinha de Arruda Barros.É a primeira denúncia de corrupção da pré-campanha e só não se sabe se o DEM irá formalizá-la junto à Justiça Eleitoral, até porque, contrariando Jaime, Júlio Campos avalia esta cooptação como uma coisa normal. Falando de Brasília(leia a entrevista nesta página), Júlio disse temer que a covardia do atual prefeito possa afastá-lo da campanha. Respaldados por uma pesquisa que apontavantagem na preferência do confuso e ainda aturdido eleitorado de VG, os irmãos Campos estão no ataque. Tanto que Julinho já anunciou um dos seus alvos para os próximos dias: Wallace Guimarães (PMDB), cuja candidatura ele sonha em absorver, como já absorveram tantos outros adversários na malsinada cidade de VG.

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Jaime pode ser barrado como “ficha suja”
Especial para o CENTRO OESTE POPULAR

Em uma pesquisa do Instituto Mark, divulgada no final de fevereiro, Jaime Campos apareceu disparado na preferência dos eleitores. O democrata obteve 54,2%contra 18,2% dados a Walace, com Tião da Zaeli na rabeira com 3,8%.  As autoridades da Justiça Eleitoral e do MCCE – Movimento de Combate à Corrupção podem facilitar, no entanto, a vida para os opositores deste cacique da política de VG, já que Jaime pode acabar encaixado no perfil de um candidato “ficha suja”. Eleito senador em 2006,já foiprefeito de Vg, (1983-1986, PDS; 1997-2000/ 2001-2004, PFL) e governador de MT (1991-1994, PFL). Após essas gestões, tornou-se réu em várias ações por improbidade administrativa, superfaturamento e autopromoção. Foi também em 2006 que o democrata foi condenado por improbidade administrativa em razão do uso de meios de divulgação oficiais do município como ferramentas de autopromoção e publicidade pessoal, na sua última gestão na Cidade Industrial (2000-2004).Em 2009, Jaime entrou com recurso interposto, mas o Tribunal de Justiça manteve a condenação. Como governador, foi condenado a devolver R$ 14 milhões por participação no superfaturamento do Hospital Central de Cuiabá, cujas obras estão paralisadas há anos, se constituindo num “gigantesco monumento à corrupção e ao desperdício do dinheiro público”, segundo nota doMPF. O autor da denúncia foi o então procurador Pedro Taques, agora colega de Jayme no Senado. (EC)

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Julinho pede que Tião da Zaeli não se acovarde

Especial para o CENTRO OESTE POPULAR

CENTRO OESTE POPULAR – Existe muita expectativa com relação à sucessão em Várzea Grande, depois da série de incidentes que marcaram o segundo mandato do prefeito Murilo Domingos, cassado e substituído pelo seu vice, Tião da Zaeli. Anuncia-se o nome da primeira dama Lucimar Sacre de Campos, como candidata do DEM, com recuo da candidatura de Júlio Campos Neto – mas voltam sempre as especulações quanto à possibilidade dessa candidatura ser assumida pelo próprio senador Jayme Campos. Como o senhor tem atuado nesta definição?

JULIO CAMPOS – Realmente,o Democratas sente muito a situação politica administrativa econômica e financeira por que vem passando nossa cidade, na gestão do ex-prefeito Murilo e do vice-prefeito Tião da Zaeli,  que deixaram a coisa correr da pior maneira possível. O partido, sentindo essa situação, fez recentemente uma pesquisa qualitativa e quantitativa, para consumo interno e sabemos que o eleitorado anseia por mudanças – e também pela volta de uma administração dinâmica, competente, inteligente e séria como foi a de Jaime Campos.  Essa pesquisa foi muito clara: dos cinco nomes pesquisados, o melhor nome para disputar, no dia de hoje, porque as circunstâncias podem mudar, é o do senador Jaime mas dona Lucimar também teve um belíssimo desempenho no enfrentamento de outros possíveis adversários, como o Wallace, o Tião da Zaeli, o Bassan, a professora Nicinha e o Farina. Os outros nomes pesquisados, como o Júlio Neto, o Wilson da Grafite e o meu próprio nome, não foram bem. O partido agora tem até 10 de junho, para escolhermos quem vai disputar. Ou dona Lucimar encara, nesse momento em que a mulher está em destaque em todo País, em termos políticos,com a presidente Dilma, com diversas senadoras, deputadas, governadoras, prefeitas, pelo Brasil afora, ou o próprio senador  Jaime poderá, sim, disputar. Mas, em principio, acredito que o nome mais certo é o de dona Lucimar Campos.

COP – Depois de sua derrota diante de Murilo Domingos, quais a chance do grupo político que o senhor coordena retomar o poder?

JÚLIO CAMPOS – É total. Eleição se disputa, só não assume o poder quem não disputa. Devemos disputar em 60, 7O prefeituras, com candidaturas próprias do DEM, nas eleições de outubro próximo. Em VárzeaGrande, há uma favorabilidade em termos da nossa vitória porque comparar a gestão de Jaime Campos com as atuais administrações de Murilo e Zaeli é um descalabro total. Várzea Grande tinha a saúde funcionando, a educação funcionando com competência, aguarda municipal , o sistema de lixo bem cuidado. Enfim, era uma cidade feliz.

COP – O senador Jayme Campos tem acusado o PSD de atacar as bases do DEM, a partir da filiação de um grupo de vereadores, na esteira da adesão do prefeito Tião da Zaeli. Pode acontecer uma situação de confronto do DEM com o PSD, em VG, ou há chance de pacificação a partir de sua longa convivência com o deputado Riva?

JÚLIO CAMPOS – O PSD não só tirou muitos políticos do DEM, a nível nacional, como a nível estadual e municipal, em Várzea Grande. Ao surgir o PSD, perdemos 4 vereadores titulares e dois suplementes, que tiveram boas votações e foram eleitos na minha chapa de prefeito, em 2008, com a minha ajuda, com ajuda de Jaime, com ajuda do eleitorado fiel ao DEM. Mas é natural, a lei permite, o cidadão pode trocar de partido numa situação como essa. Agora, dificilmente, em termos de Várzea Grande, o Democratas irá se atrelar ao projeto do PSD porque o PSD, até por uma questão de enfrentamento, tratando-se de um partido que tem um prefeito na mão, ele tem que testar o prestigio dele. O senhor Tião, se não disputar a prefeitura, é porque está acovardado. Oportunidade ele tem. Então, está na hora deledemonstrar que tem voto, de mostrar que ele não foi apenas um rabo de palha junto com Murilo porque até agora ele não mostrou a que veio. Então é o momento de demonstrar que é líder, que é grande empresário,que é renovador, disputando o voto popular. Nós não vamos é assumir o desgaste do atual prefeito que é muito grande. Podemos até coligar com o PMDB, numa emergência,não temos nenhuma dificuldade,mas com o PSD, dificilmente. Se o PMDB vier nos apoiar será muito bem visto. Ou qualquer outro partido, como o PSDB, o PT, todo e qualquer partido é bem aceito, mas não temos nenhum interesse no PSD e o próprio Tião já declarou que não tem interesse em nenhuma aproximação conosco e nós também não temos nenhum interesse em nos aproximar dele. Continuamos tendo bom relacionamento com o deputado Riva, com o vice-governador Chico Daltro, com o deputado Eliene,com o deputado Homero, mas em Várzea Grande esse confronto vai existir. Podemos até unir com o PSD em Cuiabá, em Juara mas, dificilmente, em Várzea Grande.

COP – Numa declaração que provocou polêmica, o jornalista Onofre Ribeiro caracterizou, recentemente, VG como um favelão que vive a reboque de Cuiabá, dominada por uma classe política que só consegue pensar em seus próprios interesses. Como o senhoravaliou esta afirmação?

JÚLIO CAMPOS – Acho que ele foi muito infeliz, muito injusto. Várzea Grande está vivendo momentos de dificuldade, agora? Está. Crise política, crise administrativa, crise financeira, nestes últimos oito anos. Agora, antes, Várzea Grande era uma cidade bem encaminhada, que tem um potencial econômico muito forte, tanto que, mesmo com toda esta crise, continua sendo o segundo maior município do Estado, não só em população, eleitorado como também em arrecadação estadual, em renda. Várzea Grande só está mal servida, hoje, na administração e um pouco abandonada pelo governo estadual e o federal. Várzea Grande não tinha deputado lutando aqui em Brasília mas, agora, tem eu, tem o senador Jaime. E Várzea Grande também teve dificuldades no relacionamento com a gestão passada. O governador Blairo Maggi, por questão de foro intimo, resolveu prestigiar mais o interior, Lucas do Rio Verde, Sapezal, Nova Mutum, Primavera, levando indústrias que sempre foram para Várzea Grande para estas cidades que eram mais ligadas por afinidade politica com ele, até pela origem e descendência do gauchismo. Tudo isso prejudicoumas Várzea Grande tem um potencial e confiamos que o governador Silval, nesse momento, dará um incentivo para que as indústrias voltem a se instalar na Cidade Industrial. Com as obras da Copa, Várzea Grande vai ser também muito beneficiada. A classe empresarial está se renovando, como novos supermercados, shopping center. Acredito que o Onofre não foi feliz mas não deixa, também, de ter alguma razão porque hoje Várzea Grande está muito mal cuidada, parecendo uma verdadeira favela, porque o Tião da Zaeli e o Murilo deixaram a coisa correr de mal para pior em nossa cidade. (EC)

Categorias:Jogo do Poder

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