PREFEITURA SANEAMENTO

Porque o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) aceitou pagar o ônus de bancar projeto contra o Mais Médicos, que beneficia mais de 63 milhões de brasileiros? Só para ter uma ideia, o Mais Médicos– vejam que ironia – beneficia mais prefeituras comandadas por prefeitos tucanos (447 cidades, o que dá 65% dentre as beneficiadas) do que as comandadas por prefeitos de todos os outros partidos juntos. E mais: recente pesquisa da UFMG mostrou que o programa tem um índice de satisfação de 95% por parte dos usuários, que deram notas acima de 8,0 aos profissionais e ao atendimento médico prestado

FREI BETOO escritor chama atenção para o fato de que não são apenas médicos que o Brasil importa de Cuba. Além de medicamento para a hepatite B, desde governos anteriores, nosso país compra a vacina de combate à meningite, única no mundo.

 

Por Frei Betto*

O programa Mais Médicos conta, hoje, com 18.247 profissionais atuando em mais de 4 mil municípios do país. Neste ano, o número de brasileiros(as) a serem atendidos chegará a 63 milhões.

O atendimento dos médicos inscritos no programa chega a ser personalizado, segundo a metodologia do sistema Médico da Família, que permite ao profissional cuidar, não tanto da doença, e sim da prevenção. A saúde é um direito e a sua progressiva mercantilização põe em risco a vida de inúmeras pessoas que não podem pagar pelo tratamento.

Pesquisa da UFMG-Ipespe constatou que 95% dos beneficiários entrevistados estão satisfeitos com a atuação dos médicos, dos quais 84% estão no Norte e Nordeste. Naquelas regiões, 86% dos municípios têm ao menos 20% de sua população em situação de extrema pobreza.

Vale observar que, nas vagas disponibilizadas pelo programa, a prioridade cabe a médicos brasileiros. Como os que se inscreveram no Mais Médicos são insuficientes para atender a população, o governo destinou as demais vagas a brasileiros graduados no exterior e, em seguida, a médicos estrangeiros. Há profissionais de 50 nacionalidades atuando no Brasil.

Os cubanos são cerca de 14 mil, presentes em 2.700 municípios. Em geral, os mais pobres e mais distantes dos grandes centros urbanos.

Os médicos cubanos trazem a experiência de solidariedade e cooperação internacionais, já que Cuba presta serviços médicos, hoje, em 67 países. Até o governo dos EUA elogiou a atuação dos profissionais da ilha socialista no combate à epidemia de ebola na África.

Não são apenas médicos que o Brasil importa de Cuba. Além de medicamento para a hepatite B, desde o governo Collor nosso país compra a vacina de combate à meningite, única no mundo.

O projeto ora apresentado no Senado contra o Mais Médicos é um acinte a tantos brasileiros que, pela primeira vez, recebem atendimento domiciliar de saúde. O direito à saúde está acima de ideologias. Partidarizar um programa que traz benefícios a quase 1/3 da população brasileira é um crime de lesa-pátria.

O programa, que este ano chegará a mais de 72% dos municípios do país, atende prefeituras de todos os partidos, inclusive 66% (452 cidades) das que são administradas pelo PSDB.

Cuba conta com 6,9 médicos por 1.000 habitantes, um dos maiores índices do mundo. O Brasil, com 2/1.000; e os EUA, 3,2/1.000. Com a reaproximação EUA-Cuba, milhões de estadunidenses estão de olho no chamado “turismo médico”, ou seja, a possibilidade de se tratarem em Cuba, já que nos EUA o acesso ao sistema médico-hospitalar é caro e difícil para quem não dispõe de recursos.

O convênio do Brasil com Cuba é monitorado pela OPAS (Organização Panamericana de Saúde), braço da OMS (Organização Mundial da Saúde) para as Américas. A OPAS tem 110 anos de serviços prestados. E longa tradição de seriedade e qualidade.

*Frei Betto é escritor, autor de “Reinventar a vida” (Vozes), entre outros livros.

 

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DEU NO BLOG DO CARLOS MAGNO (DE CAMPINA GRANDE, NA PARAÍBA)

Porque Cássio aceitou pagar o ônus de bancar projeto contra o Mais Médicos, que beneficia mais de 63 milhões de brasileiros?

Cássio Cunha Lima, senador tucano da Paraíba

Cássio Cunha Lima, senador tucano da Paraíba

Tudo na vida tem seus ganhos e suas perdas; seus pontos positivos e seus pontos negativos. E, quando o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) aceitou ser líder do PSDB no Senado, sabia que ganharia visibilidade nacional, com exposição diária nas principais redes de TV. Mas também tinha consciência do ônus que teria de arcar. 

A primeira preocupação de Cássio foi com o fantasma da cassação, que, pelo menos aparentemente, não lhe assombrou tanto. Eu mesmo divulguei aqui no Blog Carlos Magno uma declaração de Cássio dizendo que não estava nem aí para o que poderiam fazer contra ele, por conta das cassações que sofreu, quando começasse a aparecer na mídia como grande combatente do governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

 

Mas tem uma etapa da qual ele não tem como fugir: é assumir tudo o que o PSDB achar que é interessante, do ponto de vista da oposição ferrenha ao PT e ao governo. Mesmo que seja algo que vá de encontro ao que o próprio Cássio pensa. Mesmo que seja algo que vá lhe trazer prejuízo de imagem. Mesmo que seja algo… absolutamente impopular!

Senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) se divide entre o bônus do ganho de imagem e o ônus da impopularidade de posições adotadas

Senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) se divide entre o bônus do ganho de imagem e o ônus da impopularidade de posições adotadas

Pois é isso o que ocorre agora. Cássio, líder do PSDB no Senado Federal; e seu vice-líder, senador Aloysio Nunes, tiveram que ser as ‘pontas de lança’ do Projeto de Decreto Legislativo 33/2015 que, de cara, tem o condão de inviabilizar um dos programas que se mantém com imagem inabalável no governo da presidente Dilma e do PT: o Mais Médicos. A proposta tem como objetivo invalidar o termo de cooperação firmado pelo Ministério da Saúde com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que garante a participação de médicos cubanos no Mais Médicos.

 

O projeto está em tramitação na Comissão de Constituição de Justiça do Senado e sua aprovação prejudicaria o andamento do Mais Médicos, que conta atualmente com 11,4 mil médicos da cooperação com a OPAS atuando em mais de 3.500 municípios. Atualmente, 2.700 cidades que aderiram à iniciativa são atendidas exclusivamente pelos profissionais cubanos.

 

Claro que o programa não é um primor, não é uma perfeição. Tem muito, ainda, o que ser aprimorado. Mas que ele já é um grande avanço e tem aprovação popular, não podemos negar. Os números do programa falam por si: o Mais Médicos chegará neste ano a um total de 18.247 médicos atuando em mais de 4 mil municípios do país. Com isso, 63 milhões de brasileiros que antes não tinham acesso a médico na Unidade Básica de Saúde passaram a ter o atendimento garantido.

 

Só para ter uma ideia do presente de grego que caiu no colo de Cássio, o Mais Médicos– vejam que ironia – beneficia mais prefeituras comandadas por prefeitos tucanos (447 cidades, o que dá 65% dentre as beneficiadas) do que as comandadas por prefeitos de todos os outros partidos juntos. E mais: recente pesquisa da UFMG mostrou que oprograma tem um índice de satisfação de 95% por parte dos usuários, que deram notas acima de 8,0 aos profissionais e ao atendimento médico prestado.

 

Quer mais? Segundo relatório do TCU, o Mais Médicos aumentou em 30% o número de consultas e visitas domiciliares realizadas pelos médicos. Além disso, para 89% dos pacientes entrevistados pelo TCU e 98% dos gestores das unidades básicas de saúde, o tempo de espera por uma consulta reduziu com os novos profissionais. Eita!

 

Agora, de tudo isso, o pior foi a justificativa utilizada por Cássio para apresentar o projeto. O paraibano, que, repito sempre, considero um dos políticos mais inteligentes que conheço, saiu-se com essa pérola, ao ser perguntado por que apresentar um projeto que traz tanto prejuízo para a população: “nada contra os médicos; tudo contra a corrupção”. Criatura… onde é que tu visse corrupção no Mais Médicos???

 

Como diria um amigo jornalista: me poupe…

 

Do Blog Carlos Magno

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