Policiais militares armados e com cassetetes em punho barraram a passagem da plebe. Críticos da terceirização, defensores do movimento LGBT, sem teto, professores mal remunerados, militantes de tantas causas sociais não puderam acompanhar, em Cuiabá, a sessão itinerante da Câmara Federal que os representa ou deveria representa-los.

No presidencialismo bicameral brasileiro a Câmara representa o povo (e o Senado, as unidades federativas). Daí que a composição numérica dos deputados das bancadas federais por Estado (e do Distrito Federal) aumenta na proporção da evolução do número de habitantes, enquanto na Câmara Alta, há três senadores para cada ente estadual federativo.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ) está na estrada gastando dinheiro público realizando sessões itinerantes nas capitais. Oficialmente, para discutir a reforma política, o pacto federativo e o orçamento impositivo. Não creio que seja por essas razões. Acho que o piquenique acontece em busca de holofotes e ao mesmo tempo pra tentar reconstruir (ou seria construir?) a imagem do Congresso (no sentido amplo do legislativo) tão arranhada com a ladroagem de políticos, que nos é mostrada na televisão e nos jornais a todo instante.

Eduardo Cunha armou o circo da desgastada Câmara na não menos esfacelada Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Isso, na tarde da sexta-feira (24). O presidente foi recebido por seus pares mato-grossenses, que em Brasília circulam no baixo clero.

Se a sessão era itinerante em busca do povo, do mesmo povo que a Câmara representa, nada mais justo que a plebe com seus anseios, seus gritos de protesto, suas lágrimas e suas dores ocupasse a galeria da dita Augusta Casa de Leis. Isso, no entanto, isso não aconteceu.

Policiais militares armados e com cassetetes em punho barraram a passagem da plebe. Críticos da terceirização, defensores do movimento LGBT, sem teto, professores mal remunerados, militantes de tantas causas sociais não puderam acompanhar a sessão itinerante da Casa Legislativa Nacional que os representa ou deveria representa-los.

Esse episódio nos revela insensibilidade e subalternidade. Insensíveis foram dois: Eduardo Cunha e Guilherme Maluf (PSDB), que preside a Assembleia. Subalternos foram os deputados federais por Mato Grosso. Aos dois primeiros faltou tato político; o presidente da Câmara não exigiu a abertura do corredor de acesso às galerias; Maluf deveria tê-lo liberado antes que eventualmente seu visitante o pedisse. Nossa bancada não teve boca para se fazer impor; registro que no ambiente não vi Ságuas Moraes (PT), mas bati o olho em Carlos Bezerra (PMDB), Fábio Garcia e Adilton Sachetti (ambos do PSB), Nilson Leitão (PSDB), Victorio Galli (PSC), Ezequiel Fonseca (PP) e Valtenir Pereira (PROS).

Na véspera de um dos dias mais emblemáticos para a democracia brasileira – em 25 de abril de 1984 Dante de Oliveira nos brindou com a emenda das Diretas-Já em plenário, para votação – a Câmara dos Deputados, o deputado Maluf e parte da nossa bancada federal tentaram por todos os meios sufocar as vozes das ruas. Saí da sessão arrependido do voto que dei a Nilson Leitão no ano passado.

 

Eduardo Gomes de Andrade – Editor do site e da Revista MTAqui, e editorialista do Jornal Diário de Cuiabá

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