Petistas que hegemonizam o Sintep não sabem o que fazer com a pequena oposição pentelha formada por Esquerda Marxista, Unidade Classista e Insurgência. Vai daí, assembleia do fim da greve foi marcada mais pelo confronto interno do que pelo confronto com governo de Zé Pedro Taques

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Esquerda Marxista, Unidade Classista e Insurgência formam pequenos núcleos de oposição ao atual grupo petista que hegemoniza a diretoria do Sintep. São jovens professores articulados em torno do PSOL, do Partido Comunista Brasileiro e alguns outros independentes que fazem um questionamento algo anárquico, confuso e meio acovardado da direção mas que, mesmo assim, tem servido para tumultuar a cabeça dos dirigentes do Sintep que não sabem muito bem como conviver com esses pequenos núcleos questionadores. São jovens militantes de esquerda, vindos do movimento estudantil, em sua maioria que resolveram fazer uma arremetida contra a maioria petista que não vacilam, de forma provocadora, de classificar de “pelegos” em seus saites e publicações, aproximando-se em alguns momentos das mesmas queimações que o Governo de Zé Pedro Taques faz da direção petista do Sintep. Talvez por isso alguns digam que extrema direita e extrema esquerda acabam por se aproximar nos horizontes da política.

Mas esta disputa política intestina foi o que se viu na assembleia do Sintep, na sexta-feira, 5 de agosto, assembleia que pôs fim à greve de 67 dias contra o governo do Estado. Como os professores oposicionistas chegaram mais uma vez à Assembleia com um panfleto questionando os encaminhamentos dados ao movimento pela direção do sindicato, este se tornou o principal ponto de pauta no encontro que aconteceu mais uma vez no ginásio da Escola Presidente Médici. (Médici? Ainda?)

O Conselho de Representantes e a Diretoria encaminharam o fim da greve como proposta para a assembleia mas os oposicionistas em seu panfleto diziam que “caso haja o fim da greve, será mais pelo desgaste e desmobilização da categoria do que pelo avanço das pautas”. Foi o que bastou. Como a politização sindical da maioria dos grevistas é sofrível e o direito de tendência nunca foi um ponto forte do Sintep, a Assembleia certamente ficou algor chata para quem foi ali para saber os novos passos para a luta conta a administração do governador tucano Zé Pedro Taques. Administração tucana, aliás, “homenageada” com uma grande instalação que reproduzia o ex-secretário de Educação Perminio Pinto, com roupa de presidiário e todo constrangido atrás de enormes grades de ferro.

Os jovens professores oposicionistas falavam contra o fim da greve no panfleto mas nenhum deles foi à frente defender com firmeza esta proposta no microfone. A argumentação contra o fim da greve coube a um velho petista, o professor Edmilson de Acorizal que, discordando dos dirigentes do sindicato, avaliou que o enfrentamento deste ano contra o governo não ficou no nível do enfrentamento de outros anos e outras épocas. Edmilson disse que via a categoria cabisbaixa, envergonhada. Talvez Edmilson tenha falado por puro saudosismo mas falou. Helena Bortolo e Gilson Romeu que hoje também trafegam em outros grupos ideológicos que não os dos petistas reforçaram a posição do Conselho e da Diretoria, caminho seguido também pela professora Marivone, do Trabalho, uma minoria petista dentro do Sintep.

Em seu saite, é claro, o Sintep não registra as disputas ideológicas que marcaram sua assembleia, disputas essas que só aparecem para a História aqui, no blogue do Enock Cavalcanti. Para vocês verem que, quando se trata de registro informativo, não é só A Gazeta que só publica aquilo que só interessa à sua direção.

Pelo que registrou o Sintep, em seu site, a decisão foi avaliada como vitoriosa pela maioria dos oradores da corrente maoritária, já que a luta partiu do ponto zero nas três pautas de reivindicação e a categoria conquistou o calendário de concurso público, assegurou a política da dobra do poder de compra dos salários dos profissionais da educação, que já havia sido perdida com a aprovação da Lei da RGA na Assembleia Legislativa, e a realização de conferências participativas para deliberar sobre as PPP’s.

O presidente do Sintep-MT, Henrique Lopes do Nascimento, disse na assembleia que a fala do Governo era de que não garantiria a reposição, pois seria uma irresponsabilidade aplicá-la diante de um cenário de crise econômica. Quanto a pauta do concurso público, o argumento era de que seria feito apenas para a polícia, já que para educação poderia contratar. E ainda, que resolveria o problema do limite prudencial a partir das PPP’s, ou privatização das escolas.

“Agora vamos acompanhar o cumprimento daquilo que foi estabelecido nas negociações para ter garantido na comissão paritária os encaminhamento pendentes, ou seja, definição das vagas do Concurso Público, calendário das conferências e ainda, acompanhamento com a presença do Ministério Público Estadual do cumprimento da pauta econômica (Lei 510/13)”, disse.

Nas diversas falas dos oradores, durante a Assembleia, foi destacado que o movimento encerrava a batalha mas não terminava a luta. “A mobilização contou com a persistência da categoria que desde a greve unificada acampou no Centro Político Administrativo, tencionando o Governo com foco em assegurar as conquistas”, destaca Nascimento. E mais, o presidente destacou o relevante papel do Ministério Público nas negociações, na pessoa do promotor Henrique Schneider Neto. “Foi fundamental na mediação do impasse”, disse.

Agora com as aulas retornando na segunda-feira (08.08), o Sintep-MT fará o encaminhamento para que se garanta o calendário de reposição, respeitando a autonomia das escolas e assegurando as 800 horas e os 200 dias letivos mínimos, evitando-se a reposição aos sábados.

A Assembleia reuniu cerca de três mil pessoas, representando mais de 80 municípios. Estiveram presentes ainda, o movimento estudantil, por meio da Associação Mato-grossense dos Estudantes Secundaristas (AME) e a Central Única dos Trabalhadores de Mato Grosso (CUT-MT), com o presidente João Dourado.

Nos vídeos que divulgo abaixo, alguns trechos dos pronunciamentos que marcaram a assembleia. Seria bom se o Sintep, que costuma filmar o inteiro teor das falas, divulgasse essas gravações em seus espaços de informação para o melhor acompanhamento por parte dos trabalhadores da Educação de todo Estado, notadamente aqueles que não puderam estar no ginásio da Escola Médici. (Medici? Ainda?). E para o registro da História.

1 Comentário

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  1. - IP 177.193.140.32 - Responder

    Caro Enock Cavalcanti, os professores mais uma vez recuam no limite quando há ameaça de perda do ano letivo. É assim desde o governo de Carlos Bezerra e de lá pra cá todos os gestores sabem que a greve acaba antes do FIM.

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