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PERENHA: Recuperar milhões desviados na Cooperlucas é difícil

Itamar Perenha, jornalista, é editor do site Turma do Epa

Devolução de dinheiro desviado é improvável

As sentenças prolatadas no “Escândalo Cooperlucas” impõem penas de prisão aos envolvidos. A devolução do dinheiro desviado – R$ 400 milhões atualizados – é improvável.

Itamar Perenha  / Cuiabá/MT
TURMA DO EPA

O “escândalo Cooperlucas” vai chegando ao seu final, por mais que a punição tenha se limitado, até agora, às sentenças de juiz de primeira instância da Justiça Federal e, até o trânsito em julgado, vai, ainda, um longo tempo.

Quase quinze anos se passaram para que se chegasse a uma conclusão no primeiro nível da Justiça Federal e não é descabido perguntar: quanto tempo mais a sociedade terá que esperar para que os responsáveis pelo maior golpe contra o Banco do Brasil cumpram, de fato, as penas a que foram condenados?

Lucas do Rio Verde tornou-se conhecida no país e até no exterior pela produtividade de suas lavouras e pela qualidade de vida proporcionada por uma cidade que começou de um assentamento encravado no sertão para se transformar em uma das mais pujantes do Estado.

A imagem que fica

Houve, ao longo de todo esse tempo, uma preocupação com o gerenciamento da cidade e, mais do que isso, um trabalho continuado de marketing que atraiu investidores, mão-de-obra qualificada e gente disposta a construir um futuro melhor.

Escolas públicas de primeira qualidade (têm, inclusive, piscinas), um bom sistema de saúde com recursos do SUS suplementados por aportes do município e um gerenciamento urbano de fazer inveja.

Essa é a imagem que vingou.

O “escândalo da Cooperlucas” vai se perdendo nas brumas do passado.

O processo vai pairar, durante muito tempo, como uma espada de Dâmocles sobre muitas cabeças e não é impossível que os sócios da Cooperativa venham a responder pelos débitos apurados nas ações cíveis que já transcorrem para ressarcir o Banco do Brasil dos prejuízos sofridos.

Cada um, por sua vez, terá “direito de regresso” contra quem provocou o prejuízo, ou seja, uma disputa jurídica que pode transpor gerações.

Um projeto para o futuro

Se o episódio “Cooperlucas” foi um acontecimento insólito pela magnitude dos prejuízos impingidos a uma instituição financeira onde a União (todos nós, contribuintes) tem parte expressiva do controle acionário, só resta a quem lá reside e construiu um bom modelo de vida presente, capaz de se projetar no futuro, que faça, de todo o modo, o que têm feito até agora e se apliquem com o mesmo vigor nessa construção coletiva.

Espera-se, ainda, que a cidade não comporte divisões sociais e não delimite espaços urbanos destinados a ricos e pobres como já se começa a comentar. A prevalecer tal condição ter-se-á não o modelo capaz de prover um bom nível de serviços públicos, mas, a estratificação social e a falta de mobilidade capaz de, num primeiro momento, fragmentar a cidade, engessar o presente e, mais à frente, comprometer o futuro.

A expiação do fantasma do escândalo

Se o “escândalo Cooperlucas” está confinado, hoje, a um escaninho judicial e às suas consequências temporais mais próximas, poderá, mais à frente, se transformar nos miasmas capazes de afetarem a todos e dificultar o desenvolvimento da cidade.

Não faltará, ainda, a sombra da suspeição sobre as fortunas de pessoas ligadas à Cooperativa e os castigos decorrentes da fruição indevida de valores que não lhes pertenciam.

Mesmo que o Fórum fique congestionado por ações pertinentes visando ao ressarcimento do dinheiro desviado a recuperação dos valores é altamente improvável pelas manobras efetuadas, pelas operações simuladas, pelos tratos de má fé e pela dificuldade jurídica de se estabelecerem as responsabilidades objetivas de cada um dos envolvidos.

1 Comentário

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  1. - IP 189.59.69.195 - Responder

    Um belo discurso do meu amigo Itamar. Mas cadê os dados, os números, o nome do envolvidos, as ações propostas?

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