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PAULO NOGUEIRA: E se Verônica Serra fosse filha de Lula? A filha de Serra acaba de comprar, por R$ 100 milhões, a sorveteria Diletto, em sociedade com Jorge Paulo Lerhman, tido como o homem mais rico do Brasil

E se Verônica Serra fosse filha de Lula?

por PAULO NOGUEIRA 21 DE MARÇO DE 2013
no Diário do Centro do Mundo


http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/paulo-nogueira-mapeia-o-passado-de-veronica-serra.html

 

Um título do site Viomundo, trazido ao Diário pelo atilado leitor e comentarista Morus, merece reflexão.

E se o filho de Lula fosse sócio do homem mais rico do Brasil?

Antes do mais: certas perguntas têm mais força que mil repostas, e este é um caso.

Bem, o título se refere a Verônica Serra, filha de Serra. Ela foi notícia discreta nas seções de negócios ontem quando foi publicado que uma empresa de investimentos da qual ela é sócia comprou por 100 milhões reais 20% de uma sorveteria chamada Diletto.

Os sócios de Verônica são Jorge Paulo Lehman e Marcel Telles. Lehman é o homem mais rico do Brasil. Daí a pergunta do Viomundo, e Marcel é um velho amigo e parceiro dele.

Lehman e Marcel, essencialmente, fizeram fortuna com cerveja. Compraram a envelhecida Brahma, no começo da década de 1980, e depois não pararam mais de adquirir cervejarias no Brasil e no mundo.

Se um dia o consumo de cerveja for cerceado como o de cigarro, Lehman e Marcel não terão muitas razões para erguer brindes.

Verônica se colocou no caminho de Lehman quando conseguiu dele uma bolsa de estudos para Harvard.

Eu a conheci mais ou menos naquela época. Eu era redator chefe da Exame, e Verônica durante algum tempo trabalhou na revista numa posição secundária.

Não tenho elementos para julgar se ela tinha talento para fazer uma carreira tão milionária.

Ela não me chamou a atenção em nenhum momento, e portanto jamais conversei mais detidamente com ela.

Mas ali, na Exame, ela já era um pequeno exemplo das relações perigosas entre políticos e empresários de mídia. Foi a amizade de Serra com a Abril que a colocou na Exame.

Depois, Verônica ganhou de Lehman uma bolsa para Harvard. Lehman, lembro bem de conversas com ele, escolhia em geral gente humilde e brilhante para, como um mecenas, patrocinar mestrados em negócios na Harvard, onde estudara.

Não sei se Verônica se encaixava na categoria dos humildes ou dos brilhantes, ou de nenhuma das duas, ou em ambas. Conhecendo o mundo como ele é, suponho que ela tenha entrado na cota de exceções por Serra ser quem é, ou melhor, era.

Serra pareceu, no passado, ter grandes possibilidades de se tornar presidente. Numa coluna antológica na Veja, Diogo Mainardi começou um texto em janeiro de 2001 mais ou menos assim: “Exatamente daqui a um ano Serra estará subindo a rampa do Planalto”. (Os jornalistas circularam durante muito tempo esta coluna, como fonte de piada e escárnio.)

Cotas para excluídos são contestadas pela mídia, mas cotas para amigos são consideradas absolutamente normais, e portanto não são notícia.

Todos os filhos de políticos são iguais para a mídia , mas alguns são mais iguais que outros

Bem, Verônica agradou Lehman, a ponto de se tornar, depois de Harvard, sócia dele.

O nome dela apareceu em denúncias – cabalmente rechaçadas por ela – ligadas às privatizações da era tucana.

Tenho para mim que ela não precisaria fazer nada errado, uma vez que já caíra nas graças de Lehman, mas ainda assim, a vontade da mídia de investigar as denúncias, como tantas vezes se fez com o filho de Lula, foi nenhuma.

Verônica é da turma. Essa a explicação. Serra é amigo dos empresários de mídia. E mesmo Lehman, evidentemente, não ficaria muito feliz em ver a sócia exposta em denúncias.

Lehman é discreto, exemplarmente ausente dos holofotes. Mas sabe se movimentar quando interessa.

Uma vez, pedi aos editores da Época Negócios um perfil dele depois da compra de uma grande cervejaria estrangeira. Recomendei que os repórteres falassem com amigos, uma vez que ele não dá entrevistas.

Rapidamente recebi um telefonema de João Roberto Marinho, o Marinho que cuida de assuntos editoriais. João queria saber o que estávamos fazendo.

Lehman ligara a ele desgostoso. Também telefonara a seus amigos mais próximos recomendando que não falassem com os repórteres da revista. Ninguém falou, até mais tarde Lehman autorizá-los depois de ver os bons propósitos da reportagem

A influência de Lehman sobre João Roberto se deve, é verdade, à admiração que Lehman e seu lendário Grupo Garantia despertavam na família Marinho.

Mas é óbvio que a verba publicitária das cervejarias de Lehman falam alto também. Um amigo me conta que em Avenida Brasil os personagens tomavam cerveja sob qualquer pretexto.

Isto porque as cervejarias de Lehman pagaram um dinheiro especial pelo chamado ‘product placement’, ou mercham, na linguagem mais vulgar.

O consumidor é submetido a uma propaganda sem saber, abertamente, que é propaganda. Era como se realmente os personagens tivessem sempre motivos para tomar uma gelada.

Verônica Serra, por tudo isso, esteve sempre sob uma proteção, na grande mídia, que é para poucos. É para aqueles que ligam e são atendidos pelos donos das empresas jornalísticas.

O filho de Lula não.

Daí a diferença de tratamento. E daí também a força incômoda, por mostrar quanto somos uma terra de privilégios, da pergunta do site Viomundo

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MAIS INFORMAÇÃO

Com filha de Serra, Lemann compra sorveteria

: Fundo Innova, que tem como sócios Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do País, e Verônica Serra, filha de José Serra, fez aporte de R$ 100 milhões na compra de 20% da sorveteria Diletto, avaliada em R$ 500 milhões; ligações entre Lemann e o círculo serrista vêm desde a década de 90, quando o empresário bancou os estudos da filha de um provável presidente em Harvard

 

 

247 – Depois de adquirir uma das principais empresas de alimentos dos Estados Unidos, a Heinz, o empresário Jorge Paulo Lemann, dono da Ambev e do Burger King, decidiu realizar um novo investimento também no Brasil. Por meio do fundo Innova, que tem como sócia Verônica Serra, filha de José Serra, ele decidiu investir R$ 100 milhões na compra de 20% da sorveteria Diletto, uma empresa que faturou R$ 30 milhões no ano passado e que foi avaliada, portanto, em R$ 500 milhões.

Fundada pelo empreendedor Leandro Scabin, a Diletto é uma sorveteria premium, que tem planos de se transformar numa espécie de Haagen-Dazs. Hoje, a empresa conta com 3 mil pontos de venda e, em 2011, investiu numa marca própria.

Um dos aspectos curiosos da operação é a associação com Verônica Serra, protagonista do livro “Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Júnior. Em meados da década de 90, ela era funcionária da Editora Abril, mas ganhou uma bolsa da Fundação Educar, de Lemann, para estudar em Harvard, nos Estados Unidos. Naquele momento, Serra era o mais provável candidato à sucessão de Fernando Henrique Cardoso, em cujo governo se deu a aprovação, pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica, da compra da Antarctica pela Brahma, que garantiu à Ambev praticamente um monopólio no Brasil. E foi justamente esse quase monopólio que deu ao grupo de Lemann poder de fogo para sufocar concorrentes no Brasil e se expandir internacionalmente.

Depois da polêmica aprovação pelo Cade da fusão, Gesner Oliveira, que era o braço direito de José Serra e havia sido presidente do “xerife antitruste”, se tornou presidente da estatal paulista Sabesp. Verônica Serra, por sua vez, passou a atuar no mercado financeiro e em fundos como o Innova. Milton Seligman, que era também um dos mais próximos colaboradores do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, se tornou diretor de relações institucionais da Ambev, posição que ocupa até hoje.

Na era Lula, as ligações de Lemann com o círculo serrista permaneceram discretas até a operação anunciada ontem, na compra de 20% de uma sorveteria por R$ 100 milhões.

3 Comentários

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  1. - IP 200.140.26.150 - Responder

    Alguém poderia informar qual o valor da participação da Sra. Verônica no negócio??? Esse valor e ainda mais a sua origem é que são importantes para saber se é compatível com a evolução patrimonial da dita cuja.

    • - IP 201.0.149.36 - Responder

      Perfeito, João! Esta é a pergunta crucial, que o blogueiro não respondeu em nenhum momento. A dita cuja tem 0,1% da sociedade ou tem 80%? Se este blogueiro fizesse bom jornalismo, teria tentado responder esta pergunta essencial.

  2. - IP 189.10.40.20 - Responder

    o blogueiro petista e sua mania de defender os PTralhas

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