PAULO LEMOS: Segundo o ilustre cientista político florentino, Maquiavel, quem abdica dos ideais, do projeto originário, por propósitos mercenários, do poder pelo poder ou por uma aventura irresponsável, ainda que ganhe a batalha imediata, perderá a guerra mediata, perderá a confiança do próximo e a própria dignidade, em uma vil negociata. Do que adianta conquistar o “Mundo”, se o preço for perder a própria alma?

Paulo Lemos, advogado, tem atuado como Ouvidor da Defensoria Pública de Mato Grosso

Paulo Lemos, advogado, tem atuado como Ouvidor da Defensoria Pública de Mato Grosso

O iludido(r) na política
POR PAULO LEMOS

A história registra inúmeros exemplos de militantes que desertam do exército primeiro, da época da mocidade e dos bons combates, e vão para a batalha política alistando-se em outros exércitos, quase sempre insuflados por interesses fisiológicos e pelo canto da sereia, não por nobres ideais.

Esse personagem, o iludido(r), iludi-se e busca iludir os demais. Sim, é quase uma patologia, uma psicose, bem explicada alhures, por Sigmund Freud e seus discípulos e seguidores, ortodoxos e heterodoxos. Talvez por uma fixação na fase oral e/ou anal, por uma mistura de alhos com bugalhos, dos complexos de Édipo e de Narciso, ao mesmo tempo. Sente-se como “o escolhido”, “o salvador da pátria”, mesmo sendo um desertor da pátria amado e precisando ele próprio do salvador.

Para realizar seu projeto egóico, apenas dissimulado no seu discurso retórico de “coletivo”, se alia aos mercenários, e se esmera em levantar uma versão contemporânea da Torre Babel, para chegar, seja como for, sem qualquer pudor, ao “Céu”, que na verdade é o inferno.

Segundo o ilustre cientista político florentino, Maquiavel, quem abdica dos ideais, do projeto originário, por propósitos mercenários, do poder pelo poder ou por uma aventura irresponsável, ainda que ganhe a batalha imediata, perderá a guerra mediata, perderá a confiança do próximo e a própria dignidade, em uma vil negociata.

Do que adianta conquistar o “Mundo”, se o preço for perder a própria alma (versículo 36, do Capítulo 8, do Livro de Marcos, do Evangelho)? Tal como fez Fausto, na “lenda”, que “vendeu a alma” e passou a iludir as pessoas.

Não adianta, como bem disse Sócrates/Platão, em “A República, ao final a verdade vencerá a ilusão, o amor superará o egoísmo e a ganância, a justiça triunfará sobre a injustiça.

Nada como o tempo e a história, artífices de todas as revelações, para afastar as vãs mentiras e ilusões.

Enfim, quem fizer a opção preferencial ou exclusiva por perfilar as fileiras dos patifes, dos pilantras, dos covardes e dissimulados, dos hipócritas e sepulcros caiados, dos cobiçosos e gananciosos, assim que baterem os tambores e os trovões trovejarem, será exortado não para integrar o grupo dos que perseveraram nas veredas da justiça até o fim, mas, sim, para compor o grupo dos que pegaram as vias largas da perdição, que levam ao vale da sombra, da morte, do choro e ranger de dentes.

Isso, se o iludido(r) não for abandonado, pelos seus “novos companheiros”, antes do galo cantar três vezes e o sol raiar.

Mas, sempre é tempo e lugar de se arrepender e se converter para o caminho do bem, da verdade e da libertação, como fez o filho pródigo, ao reconhecer que errou e ao buscar voltar para o Pai.

Basta querer, acreditar e realizar.

Paulo Lemos é ouvidor e advogado popular.

1 Comentário

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  1. - IP 186.213.226.81 - Responder

    Assustei ao ler… parece-me que este rapaz está bem magoado.

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