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PAULO HENRIQUE AMORIM: A proposta de um plebiscito para acabar com o Caixa Dois nas eleições devolve a Constituição à soberania popular. Não é casuístico, porque não mexe com as regras do jogo para a eleição de 2014. Tudo acontecerá após 2014, a partir de 2015.

Paulo Henrique Amorim pergunta: "Não é preciso aproximar os partidos e o Congresso do povo ?" Paulo Henrique Amorim propõe: "Então, vamos aplanar o campo de jogo e desmontar a máquina que  elege os mais ricos ou seus representantes: uma campanha a deputado federal em São Paulo chega a custar R$ 8 milhões"

Paulo Henrique Amorim pergunta: “Não é preciso aproximar os partidos e o Congresso do povo ?” Paulo Henrique Amorim propõe: “Então, vamos aplanar o campo de jogo e desmontar a máquina que elege os mais ricos ou seus representantes: uma campanha a deputado federal em São Paulo chega a custar R$ 8 milhões”

Constituinte: sai o infantil e entra o time principal

Para as semi-finais, Dilma escalou os Sindicatos e os Partidos.

por PAULO HENRIQUE AMORIM
CONVERSA AFIADA

Era uma vez a “doença infantil do transportismo”.

Era uma vez a “judicialização da política,” em que um Ministro do Supremo sequestrava a tramitação de um projeto no Congresso.

A Política vai voltar à origem legitimadora: a soberania popular.

A proposta de um plebiscito para acabar com o Caixa Dois nas eleições – é disso que se trata – retira a Constituição da redoma monopolista do Supremo e volta ao povo.

Trata-se de projeto do deputado Luiz Carlos Santos, malufista e aliado de Fernando Henrique.

Desde 1986, tramitou na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, no tempo de Michel Temer.

Recebeu emendas de Alberto Goldman, do PFL e do PT.

O deputado José Genoino compulsou todo o avulso da proposta – ou seja, tudo o que tratou dela – e reuniu um projeto só.

Não, é portanto, um “Golpe” petista.

Esse Projeto de Emenda Constitucional prevê uma revisão parcial da Constituição – para tirar o Caixa Dois da eleição; a decisão será por maioria absoluta; e unicameral – ou seja, uma Câmara só, sem a separação entre Câmara e Senado.

Devolve a Constituição à soberania popular, porque um Plebiscito autoriza e um Referendo referenda.

Não é casuístico, porque não mexe com as regras do jogo para a eleição de 2014.

Tudo acontecerá após 2014, a partir de 2015.

Vai influenciar as eleições municipais de 2016.

Tem a vantagem, portanto, de irrigar o sistema político – e a Constituição – de regras novas para resolver um impasse que está na raiz das manifestações deste junho.

A falta de representatividade dos partidos e do Congresso, com uma sobre-representação dos ruralistas, dos empregadores em detrimento dos trabalhadores, e da bancada da Globo, por exemplo.

Não é preciso aproximar os partidos e o Congresso do povo ?

Então, vamos aplanar o campo de jogo e desmontar a máquina que  elege os mais ricos ou seus representantes: uma campanha a deputado federal em São Paulo chega a custar R$ 8 milhões.

Quem o Roberto Freire do PPS representa ?

Ele é o novo Raul Jungmann, cuja única finalidade era aparecer no jornal nacional para reforçar a bancada da Oposição.

Como diz o deputado Henrique Fontana, os políticos, nas regras atuais, viraram piloto de Formula1: chegam ao Congresso com os adesivos de seus patrocinadores no uniforme.

Vem aí a batalha do Plebiscito versus Caixa Dois.

O dos múltiplos chapéus ameaçou o Barroso e disse que, se o Genoino – pai da ideia do plebiscito para acabar com o Caixa Dois – não for em cana, o “monstro” vai sair à rua.

Se o Congresso vacilar e se esquecer das manifestações contra a corrupção e os políticos, quem vai para a rua ?

Certamente não serão os acometidos da doença infantil do transportismo.

Mas, os que fazem Política, numa Democracia.

Partidos e Sindicatos.

Na pág. A9 do Estadão,Vagner Freitas, presidente da CUT, acha que é conservadora “essa pauta do sem partido, sem sindicato”.

A CUT, a CTB, a Força Sindical, a UGT e Nova Central vão discutir nesta terça-feira uma pauta trabalhista.

E, se as centrais sindicais forem às ruas pedir o plebiscito para tentar levar mais trabalhador e menos empregador para a Câmara ?

Será o “monstro” ?

O Plebiscito vai aproximar os partidos e o Congresso do povo.

Ou não foi por isso que o Brasil ocupou as ruas nas manifestações pacificas, apartidárias, horizontais da Globo ?

Ou, como diz o amigo navegante Agenor: só interessa ouvir a voz das ruas se a Globo legendar ?

Em tempo: estão contra a Constituinte: FHC (hoje …), Cerra, Aécio, Agripino, Ayres Britto, o Millenium e, portanto,  a Globo.  Mais um motivo …

Paulo Henrique Amorim, jornalista da Rede Record de Televisão, é editor do blog CONVERSA AFIADA

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