PAULO BOMFIM: Partido Verde precisa de forte chacoalhada em Chapada

OITO NOMES E UM SÓ DESTINO PARA CHAPADA DOS GUIMARÃES

Por Paulo Bomfim

Com esta iniciativa continuamos a dar satisfação aos nobres leitores que nos cobraram, em comentários em rede social, que as oito candidaturas e seus respectivos candidatos, ao cargo de Prefeito/a de Chapada fossem igualmente avaliadas.

Hoje prosseguimos a série, das oito avaliações, denominada “Oito nomes e um só destino para Chapada dos Guimarães”, da candidatura do Partido Verde – PV, com o novato Luís Eduardo Gomes de Souza, o Luisão, acompanhado, em chapa pura, pela dirigente partidária sra. Odete Trechaud.

O Partido Verde tem a representação parlamentar, na Assembléia Legislativa do Estado do Mato Grosso, com o mandato do deputado Faissal Calil e na suplência Oscar Bezerra, e os nomes não foram citados como presentes na convenção partidária do PV, em Chapada dos Guimarães, bem como do presidente da sigla e ex- Secretário Municipal de Serviços Urbanos da prefeitura de Cuiabá, José Stopa, atualmente candidato a vice-prefeito na chapa de Emanuel Pinheiro.

Vamos, em primeiro plano, abordar a questão da Segurança Alimentar no Estado.

Em um estado como Mato Grosso, em cujo território há espaço para colocar quase todo Continente Europeu, com uma economia voltada para o setor produtivo, fortemente alavancado pelo Agronegócio, produtor de Commodities, o Partido Verde tem, ou teria que ter, uma atuação mais engajada.

Commodity vem do inglês e originalmente tem significado de mercadoria e, em termos gerais, algumas características que determinam uma commodity são: produtos de origem primária; grande importância mundial; pequeno grau de industrialização; produção em larga escala; comercialização mundial; qualidade e características uniformes de produção, sem diferenciação de marca podendo ser estocadas, sem perda de qualidade.

Commodities são produtos que funcionam como matéria-prima,como petróleo, suco de laranja congelado, boi gordo, carne suína, frango, café, ouro, algodão e grãos como;soja,girassol e milho, cuja produção é voltada, em a sua maior parte para o comércio exterior, traduzindo-se, exportação

Segunda a Sociedade Nacional de Agricultura – SNA, a safra 2019/20 de grãos, no Brasil, aumentará 8%, devendo registrar um recorde de 278 milhões de toneladas, representando um aumento de 4,50% ou 11 milhões de toneladas, em comparação com o período anterior 2018/19 (254 milhões de toneladas), segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento – Conab. A área plantada deve crescer entre 2 e 2.5 milhões de hectares. Mato Grosso é líder nacional na produção de quatro commodities agrícolas. Soja, algodão, girassol e milho são os principais produtos cultivados no Estado e garantem a 1ª colocação entre os maiores produtores de grãos do Brasil, com 30.582 milhões de toneladas.

A produção de soja é a mais representativa, com 20.4112 milhões de toneladas, estimadas pelo levantamento de grãos realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento – Conab indicando, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária – IMEA, que o estado atingirá um recorde de 10.21 milhões de hectares de área plantada em 2020/21.

O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária – IMEA divulgou a estimativa da safra 2019/2020 de algodão em Mato Grosso, trazendo a consolidação da área destinada ao algodão, com atualização na previsão da produtividade no estado. A área do algodão foi consolidada em 1.13 milhões de hectares, um aumento de 1,28% em relação à safra passada, sendo 141.700 hectares destinados ao cultivo da primeira safra, e 990.360 hectares para a segunda, representando 2.93 milhões de toneladas de pluma (+5,40%) com previsão de finalização da colheita em setembro.

O IMEa também divulgou a estimativa da safra 2019/2020 do milho em Mato Grosso, trazendo reajustes para a produtividade e produção do cereal. É esperado que o estado aumente a produção de milho em 599 mil toneladas ou alta de 1,86% ante a safra passada, podendo gerar 32.863 milhões de toneladas, o que seria a maior produção da série histórica do estado, mantendo a área agricultável de milho estimada em 5.19 milhões de hectares.

O cultivo de girassol deverá perder espaço na safra 2019/2020. A previsão da Companhia Nacional de Abastecimento –Conab, em levantamento da safra de grãos é de que a área destinada ao cultivo da cultura no Estado sofra uma retração de 33,7%, passando de 38 mil hectares, registrados na safra anterior, para 25,2 mil hectares.Com a diminuição na área plantada, a previsão da Conab é de que a produção mato-grossense de girassol diminua 35,1%, passando de 60 mil para 39.4 mil toneladas. Ainda assim, o Estado deve seguir como maior produtor da cultura de grãos.Passemos as políticas preservacionistas ambientais.

As Nascentes são a Maternidade da Mãe Natureza e, como tal, juntamente com o Sol, Fonte primária da vida.Permitam-me uma reflexão.Quando falamos em Proteção das Nascentes em Chapada dos Guimarães, tratamos de algo muito mais amplo e profundo. Estaremos falando de cerca de quarenta nascentes, somente na área urbana do município, ressaltando serem centenas, talvez milhares na área rural e que são contribuintes das suas Bacias Hidrográficas.

As Águas das Nascentes de Chapada são levadas ao Rio Cuiabá pelas quatro importantes Bacias Hidrográficas, que Chapada possui em seu território. Por um lado, do “paredão”, pela Bacia Hidrográfica do Rio Coxipó e por outro pelas Bacias Hidrográficas do Rio Manso, Rio da Casca e Rio Quilombo. Estas três últimas contribuintes para a formação do Lago do Manso, onde está instalada a Usina de Aproveitamento Múltiplo do Manso – APM.

As águas da Bacia do Rio Cuiabá são conduzidas à Bacia do Rio Paraguai que, por sua vez, deságuam na Bacia do Rio Paraná, onde está o Lago de Itaipu, em Foz do Iguaçú – Paraná, também chamada de Bacia da Prata, envolvendo três países: Brasil, Argentina e Paraguai.Estas informações nos remetem a uma questão ampla e Estratégica da Geopolítica, na América do Sul, envolvendo outros Países Latino Americanos.

O nosso país dispõe de 12% da água doce disponível mundialmente. Para acrescentar e somar a estes fatos existe informações de que há 500 metros dos Paredões da Chapada dos Guimarães encontra-se o início do Sistema Aqüífero Guarani – SAG, sendo uma das duas maiores reservas subterrâneas de água do Brasil e das maiores do mundo, com 1.2 milhão de quilômetros quadrados de extensão em quatro países: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Dessa área, 840 mil quilômetros quadrados ficam no território nacional.

Aqui, em nossa Chapada, esta manifestação da Natureza, o Aqüífero Guarani, tem nas Nascentes do Rio Paciência a sua expressão máxima de superfície. Segundo estudos acadêmicos, envolve ainda mais dois Países: Bolívia e Peru além dos já citados acima. Difícil, a meu ver, não reconhecer como uma questão de Política estratégica, tratar das preservações das Nascentes de Chapada dos GuimarãesA água hoje é motivo de fortes interesses de poderosas organizações multinacionais, sendo também motivos de guerras entre países.

Sobremaneira, se torna imperiosa a discussão sobre as Políticas Públicas a serem implementadas visando a Preservação das Nascentes de Chapada dos Guimarães, neste Processo Político Eleitoral de 2020. Projetos Políticos com Políticas Públicas Preservacionistas devem ser valorizados. Já a Política Partidária Eleitoral é o pântano por onde temos que, infelizmente, absorver e ter muita cautela para não misturar os alhos com os bugalhos.

Com o Agronegócio atuando a todo vapor no estado do Mato Grosso, são pouquíssimas as noticiais de atuação do Partido Verde. Segundo dados da Associação Brasileira de Saúde Coletiva – ABRASCO, Mato Grosso é o estado que mais consome agrotóxicos no Brasil. São produtos considerados altamente tóxicos, como a trifluralina e outros, cancerígenos, como atrazina, metolacloro e metribuzim, encontrados na água de chuva e em poços artesianos de escolas rurais e urbanas, de vários municípios.

Com os dados da ABRASCO, a exposição ao agrotóxico em Mato Grosso é quase 10 vezes maior do que média nacional, de 7,3 litros por pessoa, podendo chegar a 67 litros.

Com o Agronegócio e os agrotóxicos batendo às portas da área urbana do município, não se ouve falar na questão da Segurança Alimentar no Estado do Mato Grosso e tão pouco se tem noticiais de como o Partido Verde de Chapada dos Guimarães pretende governar, na pouco provável gestão à frente do executivo municipal, em defesa do meio ambiente e muito pouco o que se tem como proposta de Plano de Ação ou Programa de Governo.

Dito isto, entramos direto no ponto. A meu ver, o Partido Verde precisa de uma forte chacoalhada para se manifestar-se sobre as grandes e relevantes questões ambientais do município, tornando-se menos sigla e mais agrupamento de pessoas afins, de substancial consciência ecológica, e de ação efetiva em defesa do meio ambiente.

Não se tem notícias de candidatos à Câmara Municipal pelo Partido Verde. Com o Vale do Jamacá, Vale da Benção, Vale da Bocaína, Serra Atmã, Mirante e Caverna Aroe Jari tendo, durante todo o mês de setembro e parte de outubro, sofrido com as chamas dos incêndios, contando apenas com as Brigadas de Voluntários, Terroir e Jamacá, talvez, fosse mais produtivo para a sociedade a estruturação da atuação do Partido Verde municipal, na representação através da vereança no parlamento municipal, ajudando na estruturação de núcleos e movimentos sociais voltados para a preservação do meio ambiente.

A sociedade, bem como o Partido Verde de Chapada dos Guimarães, precisa ter um olhar mais apurado para o que está acontecendo com as Áreas de Preservação Permanente – APPs, no entorno do Lago do Manso, com manifestações concretas de estudos e levantamentos situacionais.

Com este modelo de atuação política, o PV pode e deve tornar-se trincheira das bandeiras da natureza, focando em Programas de Educação Ambiental, destinado a formação de Consciência Ambiental com a formação de grupos de Brigadistas Mirins nas escolas públicas do município. Mas, o partido não tem candidato/a à vereador/a.Uma pena. Mas terá quatro anos pela frente para trabalhar se quiser, realmente, se tornar uma alternativa concreta, viável e coerente para ser levada a sério em 2024. Já a Política Partidária Eleitoral, com candidatura a chefia do executivo municipal, de momento, ou seja, de quatro em quatro anos, é questão superada, por estar vinculada a fatores em sua grande maioria, escusos e não evolutivos.

Com 8 candidaturas no páreo, Chapada registra o maior número de candidaturas a prefeito dos últimos 15 anos. Essa “inflação” de candidaturas, muitas delas impulsionadas por forças ocultas, em um município onde não há segundo turno e, portanto, beneficia, eleitoralmente, o projeto de reeleição do PSDB, com a prefeita Thelma de Oliveira, que encara a campanha com o poder da máquina administrativa e muitos contratos lesivos aos interesses da população, e com as supostas “oposições fatiadas”.

Não basta bradar ser contra a corrupção. Até porque vários corruptos também o fazem, da mesma forma. Nunca se declaram corruptos, antes de serem presos e fazerem delação premiada.

No “escurinho do cinema”, a coisa é outra.

Política ambiental não é processo eleitoral. Organizem e dêem organicidade ao partido, com a formação de núcleos de base e movimentos preservacionistas.

Mãos à obra Partido Verde, Luisão e Sra. Odete, os senhores têm muito trabalho pela frente!

Paulo Bomfim, Cidadão e eleitor de Chapada dos Guimarães 

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

dois + 12 =