Pagot, operador de Maggi, é convocado pela CPI do Cachoeira

Depois de muito alarde do PIG, os parlamentares da CPI do Cachoeira aprovaram a convocação de Luis Antonio Pagot para depor sobre as possíveis negociatas de que teria conhecimento dada sua condição de ex-diretor geral do DNIT. Em Mato Grosso, Pagot é conhecido como uma espécie de alter ego do ex-governador e atual senador Blairo Maggi (PR).  Quando detinha o título de governador de Mato Grosso, Maggi, na verdade, só fazia e assinava tudo que Pagot, antes, filtrava para ele. Quando Pagot foi exercer cargo de comando no Ministério dos Transportes foi como delegado de Maggi. Vamos ver agora se, falando novamente no Congresso, o homem-bomba de Maggi finalmente explode suas revelações ou se vai repetir o traque da experiencia anterior, quando de sua demissão do DNIT. Confira o noticiário. (EC)

CPI convoca Pagot, Cavendish e Paulo Preto
Comissão Parlamentar de Inquérito também deu aval a depoimento de prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), e da ex-mulher de Cachoeira, Andréa Aprígio

Laryssa Borges e Gabriel Castro
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ANTI-HERÓI - Demitido após o escândalo de corrupção no Ministério dos Transportes, Luiz Pagot, ex-diretor do Dnit, tentou forjar uma história para justificar sua queda, mas acabou desmentido

Luiz Pagot, ex-diretor do Dnit, foi demitido após o escândalo de corrupção no Ministério dos Transportes (Valter Campanato/Abr)

Às vésperas de interromper os trabalhos por conta do recesso parlamentar, a CPI do Cachoeira fez nesta quinta-feira um aceno político e conseguiu aprovar, em bloco, a convocação de personagens-chave para as investigações sobre a extensão do esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira. A comissão de inquérito aprovou em conjunto os 11 requerimentos que pediam a presença do ex-controlador da construtora Delta, Fernando Cavendish; e os oito requerimentos de convocação do ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot.

Amigo do governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral (PMDB), o empresário Fernando Cavendish, é suspeito, entre outros pontos, de utilizar a empreiteira para repasses, por meio de empresas-laranjas, ao esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira em troca de benefícios em obras. Embora a tendência seja de que Cavendish permaneça em silêncio em um futuro depoimento, ele ameaça, conforme revelou VEJA, levar à tona detalhes de uma prática recorrente de empreiteiras: para dificultar o rastreamento de propina, as empresas repassam recursos a laranjas que, por sua vez, destinam à autoridade corrompida.

Em trecho captado pelos grampos da Polícia Federal, Fernando Cavendish ainda indica que tem subornado político para conseguir o controle de obras. “Se colocar 30 milhões na mão de político, ganha negócio”, diz o empresário na interceptação telefônica.

Também está nas mãos dele uma lista de empresas-laranja que serviriam ao esquema da Delta e das demais empreiteiras. Essas companhias, que atuam nas áreas de engenharia e terraplanagem, têm como real proprietário o empresário Adir Assad. Nesta quinta, a CPI também aprovou seis requerimentos para a oitiva da Assad.

O laranjal em que a Delta está inserida – VEJA mostrou que a empreiteira repassou 115 milhões de reais a empresas de fachada – também pode ser detalhado na CPI do Cachoeira pelo ex-diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot.

Apontado como um homem-bomba do governo, ele diz estar à disposição da CPI para revelar a atuação da construtora Delta e as relações promíscuas da empreiteira com agentes públicos. Pagot diz que verbas públicas foram utilizadas como caixa dois de campanhas políticas e que recursos foram desviados da obra do Rodoanel, em São Paulo, para a campanha do tucano José Serra à presidência da República em 2010 e de Geraldo Alckmin ao governo paulista no mesmo ano.

Palmas – Na reunião administrativa desta quinta-feira, a CPI do Cachoeira também aprovou quatro requerimentos para a oitiva do prefeito de Palmas, Raul Filho (PT). O petista foi flagrado negociando “oportunidades” ao contraventor Carlinhos Cachoeira em troca de doações de campanha política de 2004.

Um convite ao juiz Paulo Moreira Lima, que deixou as investigações sobre o esquema Cachoeira após ameaças, e a convocação da ex-mulher do bicheiro, Andréa Aprígio, também foram aprovados pela CPI. Não há data para nenhum dos depoimentos.

Paulo Preto – No pacote aprovado em bloco pela CPI, está ainda a convocação de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto. Ex-presidente da Dersa, a empresa que administra as obras rodoviárias no estado de São Paulo, ele é ligado ao PSDB. Segundo Pagot, Paulo Preto pressionou pela liberação de recursos do Dnit para obras em São Paulo. Parte dos recursos seria usada para abastecer um suposto caixa dois de campanha. A pressão teria ocorrido em 2009.

Os tucanos protestaram contra a ausência, na lista, de um requerimento de convocação de José De Filippi, tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff em 2010. Na mesma entrevista em que acusa Paulo Preto, Pagot também afirma que, a pedido de Filippi, passou o chapéu entre empreiteiras que tinham contrato com o Dnit. O objetivo seria encher os cofres da campanha petista à Presidência. “Não concordamos que a CPI adote dois pesos e duas medidas”, protestou o senador Alvaro Dias. O relator da CPI, deputado Odair Cunha, se defendeu: “Não há denúncia de nenhuma prática de delito contra José De Filippi”, disse ele.

Categorias:Jogo do Poder

1 Comentário

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  1. - IP 177.145.229.74 - Responder

    Conta tudo Pagot. É a oportunidade de ouro que tem para sair por cima depois da vergonha que desnecessariamente lhe fizeram passar diante do brasil inteiro.

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